Uma colher de História por dia? Há um livro para isso!

Vera Dantas
3 de junho de 2026
Se os livros de História de Portugal lhe parecem demasiado massudos, o que acha da ideia de ler uma “pequena história” por dia? O jornalista e divulgador de temas históricos Luís Almeida Martins pôs essa ideia em prática, e o resultado é o livro 365 dias com histórias da História de Portugal. Com uma história para cada dia do ano, acreditamos, como o autor, que quem ler este livro poderá ganhar o gosto pela História – sem nacionalismos exacerbados nem ideais antigos transpostos para a atualidade. Tome cada dose diária de História como «remédio para a possível doença de viver», podendo reforçar a dose à vontade sem que daí advenha dano físico ou moral. O que vai encontrar são grandes surpresas entre os episódios mais marcantes e outros tantos casos insólitos da nossa História. Estão lá os grandes acontecimentos, mas também curiosidades menos conhecidas; relatos de grandes batalhas e segredos de paixões proibidas; e até as pedras falam, através do que têm para contar palácios, conventos e castelos. Tudo faz parte da nossa identidade cultural que, ninguém duvida, é rica em heranças múltiplas.
Para lhe despertar a curiosidade, escolhemos um excerto de um detalhe da nossa História que não fica nada a dever ao esplendor e luxúria da corte de Luís XV. Afinal, passou-se com o nosso Rei-Sol, D. João V, que tanto beneficiou do ouro vindo do Brasil e se inspirou no modelo absolutista do opulento rei francês.

Os amores de D. João V e madre Paula

«A mais famosa amante do rei Magnânimo vivia principescamente num palácio anexo ao convento de que era madre superiora e onde recebia os seus vários admiradores.»
Havia em Odivelas um convento com «tetos de palha dourada, soalho de madeira do Brasil, vidraças feitas de cristal da Boémia e uma banheira de prata maciça. Ficava mesmo ao lado do convento e tinha sido mandado construir por D. João V para lhe servir de ninho de amores com a mais famosa das suas muitas amantes. Por isso, o edifício era conhecido na vizinhança por Torre da Madre Paula. (…) «Conta-se que, quando viu Paula pela primeira vez, era ela amante do conde de Vimioso, que passa por ter sido quem a desflorou.» O rei «recompensou-a com generosidade dos favores sexuais que ela lhe prestava e distribuiu largas benesses pela sua família.» A tal ponto que até o pai desta senhora foi feito cavaleiro da Ordem de Cristo, e a própria foi promovida a madre do convento onde viveu longos anos.
Luís Almeida Martins remata ainda cada pequena história com uma curiosidade relacionada com a mesma. Neste caso, conta que:
«José Saramago, no Memorial do Convento, descreve-a como uma «flor de claustro perfumada de incenso», mas talvez o Nobel português imagine incenso onde pairava sobretudo o perfume picante da alcova».

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