Um mar com pinceladas de Monet
Partilhar:
22 de julho de 2024
Luís Amorim de Sousa, nascido em 1937 na cidade colonial de Nova Lisboa, Angola, é autor de diversos livros de memórias e de poesia que reflete as suas vivências em vários lugares do mundo. Do seu novo livro, A Luz que eu Buscava Intensa, escolhemos um poema que refresca estes dias de calor abrasador de verão. Diante de um quadro de Monet, todos nos detemos em pensamentos e sensações. Estas são as do poeta:
MAR DE MONET
o mar era um Monet
verde
de um verde bastante escuro
azeitonado
com mistura de preto e amarelo
continha uns toques de branco
brevíssimos
para as ondas
e barcos
barcos também
embora balanceando
dificultassem um pouco a sensação
de usar a realidade para a fuga que é entrar nela
pela porta giratória que a serve
quieto e sem dizer palavra
deixei-me ali ficar detidamente
a olhar para o mar pintado
que o mar é sério
trazia ao pensamento
Mar de Monet
que gostava de pintar vistas de rios
eu gosto imenso de rios
mas em podendo escolher
prefiro o mar
MAR DE MONET
o mar era um Monet
verde
de um verde bastante escuro
azeitonado
com mistura de preto e amarelo
continha uns toques de branco
brevíssimos
para as ondas
e barcos
barcos também
embora balanceando
dificultassem um pouco a sensação
de usar a realidade para a fuga que é entrar nela
pela porta giratória que a serve
quieto e sem dizer palavra
deixei-me ali ficar detidamente
a olhar para o mar pintado
que o mar é sério
trazia ao pensamento
Mar de Monet
que gostava de pintar vistas de rios
eu gosto imenso de rios
mas em podendo escolher
prefiro o mar
Luís Amorim de Sousa, A Luz que eu Buscava Intensa