Poemas de Walt Whitman

17 de janeiro de 2020

Se à primeira não me encontrares
não desanimes,
Se não estiver num lugar
procura-me noutro,
Estarei algures à tua espera.







24.

Walt Whitman, um cosmos, o filho de Manhattan,
Turbulento, carnal, sensual, comendo, bebendo e procriando,
Não sentimental, não superior a homens e mulheres nem deles apartado,
Não mais modesto do que imodesto.

Retirai as fechaduras das portas!
Retirai as próprias portas dos seus umbrais!

Quem degrada outro a mim degrada,
E o que for feito ou dito acaba por a mim voltar.

A inspiração emana de mim cada vez mais, por mim passam a corrente e o índice.

Pronuncio o santo-e-senha primordial, dou o sinal da democracia,
Por Deus! nada aceitarei, nada que os outros não possam ter por igual.

(…)

Ao subir ao meu alpendre, pauso para pensar se será mesmo real,
A madressilva da minha janela satisfaz-me mais do que a metafísica dos livros.

Contemplar a aurora!
A luz débil desfaz as imensas e diáfanas sombras,
O ar agrada ao meu paladar.

Pesados objetos do mundo móvel sobem cabriolando inocente e silenciosamente, exalando frescura,
Precipitando-se obliquamente em cima e em baixo.

Algo que não vejo ergue hastes libidinosas,
Mares de sumo brilhante inundam o céu.

A terra aguarda o céu, a sua íntima junção quotidiana,
O cescente desafio do Leste que me foi lançado,
O escárnio sarcástico, Vejamos então se poderás ser dono e senhor!

Walt Whitman, Canto de Mim Mesmo

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