Tem a certeza que sabe o que anda a comer?

Como arruma o seu frigorífico? Prefere as batatas fritas mais tostadas e crocantes? E os congelados são alimentos seguros? Este livro promete esclarecer essas e outras questões.
Sabe o que anda a comer?
Capa do livro Sabe o que anda a comer?, de Susete Estrela

Falar sobre comida parece ser um assunto relativamente fácil. Mas o grau de dificuldade aumenta quando, no nosso íntimo, nos questionamos sobre a profundidade dos nossos conhecimentos quanto à qualidade e à segurança do que comemos ou do que devemos comer.
DESCONGELAR O FRANGO À PRESSA
Este é um dos erros que vejo com alguma frequência. Chegamos a casa e verificamos que nos esquecemos de deixar o frango a descongelar na noite anterior. Como estamos sem tempo, decidimos descongelar o frango com água morna ou colocá-lo uns minutos no micro-ondas. Nenhuma destas situações é considerada segura, pois estes métodos de descongelação podem levar a doenças transmitidas pelos alimentos. (…) É importante assegurar-se de que as aves congeladas e grandes porções de carne estão devidamente descongeladas antes de iniciar a sua confeção. Uma correta descongelação deve ser feita com tempo, dentro do frigorífico, e sempre num recipiente que permita manter os líquidos da descongelação afastados do próprio produto. Quanto menos água as bactérias tiverem, mais difícil é a sua multiplicação.
COMO AUDITAR EM SEGUNDOS O SEU RESTAURANTE PREFERIDO
Quando viajo ou não conheço os proprietários nem as instalações do restaurante, aplico uma lista de verificação mental. A organização e a limpeza à entrada revelam muito, mas experimente olhar para a higiene dos candeeiros, dos tetos, dos «cantos mortos» e das paredes em zonas de difícil acesso. Se a higiene e a conservação dos tetos da sala de jantar é pobre, imagine como será o teto e as paredes da cozinha. A higiene dos copos, com ou sem manchas, também revela o cuidado e o respeito que é dado ao cliente.
Quase todos os restaurantes têm uma vitrine de frio onde guardam os queijos e as sobremesas. Há que ter em conta que as gorduras animais funcionam como esponjas de odores. (…) As transferências de odores são uma questão de qualidade e não de segurança alimentar. Já colocar os queijos de pasta mole, conhecidos pela possibilidade de conterem Listeria, ao lado de um pudim de ovos, que já sofreu tratamento térmico, pode gerar uma contaminação cruzada. É um caso de alerta vermelho.


O PERIGO DE COMPRAR PEIXE FRESCO JÁ EMBALADO
Quando, por vezes, chegamos ao supermercado já sem tempo para ficar na fila do peixe, é natural que decidamos comprar o peixe fresco que já está embalado. Contudo, bastam algumas más práticas da nossa parte para que consigamos, sem intenção, transformar um alimento seguro num alimento capaz de provocar intoxicações alimentares por histamina.
A histamina é uma toxina que se forma quando certos peixes não são devidamente refrigerados após a sua captura. (…) Por isso é que ir às compras e começar pelos frescos nunca é uma boa ideia. O melhor será levar sempre sacos térmicos e chegar a casa o mais rápido possível. As bactérias adoram temperaturas superiores a 5º C.


UPS… DEIXEI QUEIMAR AS TORRADAS
Se anda a deixar queimar as torradas, significa que, muito provavelmente, começa o dia a comer acrilamida. A acrilamida é um produto químico que se forma naturalmente nos alimentos ricos em amido, durante o processo normal de confeção a altas temperaturas: fritar, assar, cozer. Dado que a acrilamida é considerada concerígena e genotóxica – pode potencialmente danificar o ADN -, os cientistas da EFSA concluíram que não podem estabelecer, para já, um teor máximo diário, pois, tratando-se de um produto genotóxico, qualquer nível mínimo de exposição já é altamente prejudicial.
Para se proteger, na sua própria casa, da próxima vez que for fazer uma torrada, fritar batatas, frescas ou ultracongeladas, lembre-se: quanto menos acastanhado for o aspeto da torrada ou das batatas fritas, melhor para a sua saúde.


MARKETING ALIMENTAR: O INGREDIENTE MAIS IRRESISTÍVEL
As grandes empresas multinacionais recorrem a técnicas extremamente criativas para gerar em nós um sentido de necessidade até então inexistente. (…)
Como na prateleira todos os produtos são mudos, vende mais o que conseguir «gritar em silêncio».
Imagine um simples ovo… Não tem nada de sexy, mas, se nos venderem um ovo com ómega-3, já deixa de ser um simples ovo. Pagamos mais porque este novo ovo é rico num tipo de gordura que também pode ser obtida através da ingestão de linhaça. Mas a linhaça não tem amigos no marketing.


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