Rita da Nova e Guilherme Fonseca de A a W

A Rita da Nova gosta de livros, o Guilherme Fonseca gosta de gaming. A Rita gosta de escrever sobre comida, o Gui gosta de escrever comédia (que às vezes é sobre comida). Têm em comum o amor por gatos - e um pelo outro. São casados e de uma forma geral amam-se muito, mas há dias em que tudo o que lhes apetece é lançar uma bigorna à cabeça um do outro, na melhor tradição dos desenhos animados. E #quemnunca sentiu o mesmo?

Escreveram juntos Terapia de Casal que é tudo aquilo de que todos os casais NÃO precisam. E é por isso que é tão divertido - e absolutamente indispensável. Entre bocas, piadas e uma eterna rivalidade, neste livro Rita e Guilherme discutem temas fundamentais à harmonia matrimonial (e, consequentemente, à paz no mundo), como o drama de decidir o jantar ou o clássico "Podes só chegar aqui?".

Na nossa rubrica «De A a W» geralmente desafiamos uma personalidade a escolher uma palavra para cada letra do alfabeto. Como não podia deixar de ser, no caso deles, o desafio foi escolher uma palavra que definisse o outro.

O resultado foi este – tão divertido e imprevisível como ambos.
 
A blogger Rita da Nova e o humorista Guilherme Fonseca
 
WOOK DIZ A RITA:
A de Amorzinho, o nome carinhoso que chamamos um ao outro.
(Pronto, como acho que ele só vai ler o primeiro para ver com que tom é que estou a fazer isto, a partir daqui já posso cascar nele).

B de BB8, claramente a gata favorita dele cá em casa. Ele vai mentir e dizer que ama todos de igual forma, mas eu bem vejo a forma como olha para ela e a deixa fazer tudo.

C de Call of Duty, que é já quase um vício na vida do Guilherme e faz com que eu tenha de ir várias vezes à sala dizer-lhe que, se não sabe brincar sem gritar, então não brinca.

D de Doces, algo que eu adorava que partilhássemos, mas é impossível porque ele não gosta. Isto implica ter que comer sobremesas sozinha quando vamos jantar fora, como se fosse solteira. Lamentável.

E de «És a Coisa Boa», uma competição que temos há imenso tempo – consiste em afirmar que o outro é a Coisa Boa, até que ele finalmente admita. Ainda não chegámos a consenso, normalmente acaba sempre com a resposta «Não, tu é que és» repetida eternamente.

F de Fringe, um festival de comédia e artes performativas em Edimburgo que é uma espécie de Feira Popular para a criança que há dentro dele.

G de Guilhas, uma alcunha que uso a gozar com ele porque sei que detesta. Podem usar também, a partir de agora, para verem a cara de desconforto dele.

H de Hahaha, o que o Guilherme me responde sempre que peço para adotarmos mais um gato. Não sei onde está a graça, mas tudo bem.

I de Iogurte com fruta, o pequeno-almoço que o meu marido come todos os dias, independentemente do sítio onde esteja. Sim, até em hotéis com pequeno-almoço continental, vá-se lá entender.

J de Jogos de tabuleiro, que é um tema sensível entre nós, já que arranjamos forma de estar em competição constante um com o outro. Mesmo que façamos parte da mesma equipa, obviamente.

K de King, Stephen King. O autor que ele está sempre a querer que eu leia porque sabe que vou ficar cheia de medo.

L de Laranjas, que é praticamente a fruta preferida dele. E normalmente é ele que as descasca para mim, que eu não gosto de ficar com cheiro a citrinos nas mãos.

M de Máquina de lavar a loiça, em relação à qual o Guilherme era assumidamente contra, mas agora acha que é ele quem manda na arrumação da loiça lá dentro e nos ciclos de lavagem. Acham que se converteu?

N de Nova Iorque, a cidade onde acho que fomos mais felizes juntos. Vá, pronto, só mais uma querida para isto não ser tudo a cortar na casaca dele.

O de «Olá!» com um tom demasiado simpático, que é assim que o Guilherme começa os episódios do nosso podcast.

P de Private Joke, o outro podcast que tem com o nosso padrinho de casamento, Pedro Silva. Digo só isto e deixo-vos tirar as vossas próprias conclusões: existe há cinco anos e ainda não foram convidados para escrever um livro..

Q de Canal Q, onde imensa gente me diz que «viu que ele tem agora um programa», sem saberem que, no fundo, são episódios de há anos repetidos vezes sem conta.

R de Rir, que é o que ele tenta que eu faça quando dá puns à minha frente, mas claramente só consegue o efeito oposto.

S de Sanita, um dos sítios favoritos do meu marido. Acho que a única coisa que ele não faz na sanita é comer (e ainda bem).

T de Terror, provavelmente o género de filmes, séries e livros de que ele mais gosta. Querem a prova de que não tem sentimentos? Ele consegue (e gosta de) ver filmes de terror antes de dormir.

U de Urinar. Sim, eu sei que ele também usou esta, mas é para perceberem que é um tema mesmo presente na nossa vida de casal. Conhecem alguém que, quando vai ao cinema, vá à casa de banho antes, durante e depois do filme? Eu conheço e sou casada com ele.

V de Velocidade. Experimentem ir um dia num carro que o Guilherme esteja a conduzir e vão perceber o que quero dizer.

W de Wook, claro, onde podem comprar o nosso livro e perceber qual dos dois tem mais piada. Spoiler alert: não é o comediante.

 
 
WOOK DIZ O GUILHERME:
A: «Adelaide», o nome que demos à nossa máquina da loiça para pararmos de discutir à frente dela.

B: «Boa sorte», o que a Rita me diz sempre que eu vou às compras sem ela.

C: «Chega só aqui», as três palavras que a Rita mais me diz.

D: «Decidir o jantar«, algo que demora sempre mais tempo do que demorou a escrever o nosso livro.

E: «Erros ortográficos«, o que a Rita não suporta e por isso eu faço para a xatear.

F: «Frete», o que a Rita faz sempre que eu a convido para me ir ver a fazer stand up comedy.

G: «Gatos», aquilo que temos quatro mas a Rita queria ter aos milhares.

H: «Hora de acordar», a maior cisão na nossa relação. A Rita, se a deixassem, às 7h da manhã já treinou, tomou banho e escreveu uma tese de mestrado.

I: «Irritar», aquilo que eu comecei a fazer à Rita quando estivemos uma pandemia fechados em casa sozinhos.

J: «Jogo do sério», a maneira como nos conhecemos e que ainda hoje não sabemos quem ganhou.

K: «Kit Kat», o que dou à Rita nos dias mais difíceis.

L: «Livros», que a Rita compra mais depressa do que lê.

M: «Murakami», com quem a Rita gostava de ter escrito o livro mas calhei-lhe eu, coitada.

N: «Novelos de cabelo», que a Rita deixa pela casa às dezenas.

O: «Ó ó», a atividade preferida da Rita, principalmente a meio de episódios de séries.

P: «Playstation», a maior causa de ciúmes no nosso casamento.

Q: «Queijo», se a Rita tivesse de escolher entre mim e queijo, eu já estaria a fazer as malas.

R: «Ralhete», como os que eu levo sempre que me esqueço de usar o balde do banho.

S: «Sofá», o sítio onde ela está sempre e em que, quando não está, quer estar.

T: «Trufa», se há um prato com trufa no menu, a Rita vai pedir. E não divide.

U: «Urinar», o que a Rita se queixa que eu vá fazer de 30 em 30 minutos.

V: «Viajar», o que a Rita está sempre a pensar em fazer, inclusivamente quando já está a viajar.

W: «Wook», onde vocês podem comprar o nosso livro e perceber porque é muito melhor ser #teamgui.

 

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