Hugo Gonçalves de A a W
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17 de janeiro de 2020
«De A a W» é uma rubrica da Wook na qual desafiamos uma personalidade a percorrer as letras do abecedário dizendo para cada uma delas… o que bem entender. O resultado é sempre uma incógnita.
Esta semana o nosso convidado é o escritor Hugo Gonçalves, que tem um novo romance, Deus Pátria Família. Depois do sucesso de Filho da Mãe, o autor, finalista dos Prémios PEN Clube e Fernando Namora, traz-nos desta vez uma versão alternativa do nosso passado, com inquietantes ecos no presente. Se Salazar tivesse sido afastado do poder em 1940, que rumo teria seguido o nosso país?
Esta semana o nosso convidado é o escritor Hugo Gonçalves, que tem um novo romance, Deus Pátria Família. Depois do sucesso de Filho da Mãe, o autor, finalista dos Prémios PEN Clube e Fernando Namora, traz-nos desta vez uma versão alternativa do nosso passado, com inquietantes ecos no presente. Se Salazar tivesse sido afastado do poder em 1940, que rumo teria seguido o nosso país?
Hugo Gonçalves (C) Rui Cartaxo Rodrigues
De A a W
A – Al Berto, poesia toda.
B – Binarismo, a doença do momento, o tribalismo cego, a incapacidade de ver matizes, consensos, moderação.
C – Comédia, uma forma de inteligência, subversão e questionamento.
D – Democracia, não é um fito, mas uma viagem sem conclusão. Nunca poderemos ser totalmente livres, mas podemos perder a liberdade que temos.
E – Europa, chamam-lhe o Velho Continente, prefiro-a no poema de David Mourão-Ferreira: “Retrato de rapariga”.
F – Fanático, do latim fanaticus, aquele que se diz inspirado pelos deuses, um perigo para a ambiguidade da condição humana.
G – Grande, “Para ser grande sê inteiro: nada teu exagera ou exclui”, Ricardo Reis.
H – História, não se repete, mas rima, quem esquece o passado, falha o futuro.
I – Indignação, uma forma de entretenimento nas redes sociais, mas, como escreveu Saul Bellow: “A indignação é tão cansativa, que a devemos guardar para a maior das injustiças”.
J – Jornais, ainda e sempre, para afligir os acomodados e confortar os aflitos.
K – Knock out, já dizia Muhammad Ali, “Dentro e fora do ringue, o problema não é ir ao tapete, mas não nos levantarmos depois da queda.
L – Lisboa, meu amor.
M – Madrid, me mata, y me da la vida.
N – Nova Iorque, um ser vivo em ininterrupta mudança, o acelerador de talentos e desgraças, simultaneamente santuário e cemitério de ambições, lugar de refúgio e de recomeços.
O – Otranto, vila no Mar Adriático onde uma lâmina de luz numa parede de cal bastou para me fazer feliz.
P – Património, livro de Philip Roth, de um filho para um pai.
Q – Que estranha forma de vida, na voz de Amália, sempre.
R – Resistência, há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não.
S – Sea of love, na versão de Cat Power.
T – Tejo, desagua no mundo, a porta de saída, mas também, e sempre, o lugar da chegada.
U – Última vontade, o cheiro de uma figueira, à beira-mar do Algarve, com a luz fresca da manhã.
V – Viajar, dizem que o nacionalismo cego se cura viajando, confirmo que é verdade.
W – Walt Whitman, “Contenho multidões”
B – Binarismo, a doença do momento, o tribalismo cego, a incapacidade de ver matizes, consensos, moderação.
C – Comédia, uma forma de inteligência, subversão e questionamento.
D – Democracia, não é um fito, mas uma viagem sem conclusão. Nunca poderemos ser totalmente livres, mas podemos perder a liberdade que temos.
E – Europa, chamam-lhe o Velho Continente, prefiro-a no poema de David Mourão-Ferreira: “Retrato de rapariga”.
F – Fanático, do latim fanaticus, aquele que se diz inspirado pelos deuses, um perigo para a ambiguidade da condição humana.
G – Grande, “Para ser grande sê inteiro: nada teu exagera ou exclui”, Ricardo Reis.
H – História, não se repete, mas rima, quem esquece o passado, falha o futuro.
I – Indignação, uma forma de entretenimento nas redes sociais, mas, como escreveu Saul Bellow: “A indignação é tão cansativa, que a devemos guardar para a maior das injustiças”.
J – Jornais, ainda e sempre, para afligir os acomodados e confortar os aflitos.
K – Knock out, já dizia Muhammad Ali, “Dentro e fora do ringue, o problema não é ir ao tapete, mas não nos levantarmos depois da queda.
L – Lisboa, meu amor.
M – Madrid, me mata, y me da la vida.
N – Nova Iorque, um ser vivo em ininterrupta mudança, o acelerador de talentos e desgraças, simultaneamente santuário e cemitério de ambições, lugar de refúgio e de recomeços.
O – Otranto, vila no Mar Adriático onde uma lâmina de luz numa parede de cal bastou para me fazer feliz.
P – Património, livro de Philip Roth, de um filho para um pai.
Q – Que estranha forma de vida, na voz de Amália, sempre.
R – Resistência, há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não.
S – Sea of love, na versão de Cat Power.
T – Tejo, desagua no mundo, a porta de saída, mas também, e sempre, o lugar da chegada.
U – Última vontade, o cheiro de uma figueira, à beira-mar do Algarve, com a luz fresca da manhã.
V – Viajar, dizem que o nacionalismo cego se cura viajando, confirmo que é verdade.
W – Walt Whitman, “Contenho multidões”