Hugo van der Ding de A a W
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17 de janeiro de 2020
Hugo van der Ding é escritor, tradutor, cartoonista, cronista, autor de teatro, ator e apresentador de rádio e televisão. Como se não bastasse, ainda faz tudo isto (e uma série de outras coisas) com um enorme sentido de humor.
Conhece as tiras da Criada Mal Criada? São dele. Como é dele também a rubrica Vamos Todos Morrer, da Antena 3, onde, todas as manhãs, através de notas necrológicas (agora reunidas neste livro) de figuras como Pablo Escobar, Maria Antonieta, Napoleão, Saramago, Jesus Cristo, Lady Di ou Bob Marley, nos mostra que nem a História tem de ser um relato aborrecido dos grandes acontecimentos, nem o entretenimento tem de ser um atentado aos nossos neurónios.
Este é o seu de A a W.
Conhece as tiras da Criada Mal Criada? São dele. Como é dele também a rubrica Vamos Todos Morrer, da Antena 3, onde, todas as manhãs, através de notas necrológicas (agora reunidas neste livro) de figuras como Pablo Escobar, Maria Antonieta, Napoleão, Saramago, Jesus Cristo, Lady Di ou Bob Marley, nos mostra que nem a História tem de ser um relato aborrecido dos grandes acontecimentos, nem o entretenimento tem de ser um atentado aos nossos neurónios.
Este é o seu de A a W.
Hugo van der Ding, autor do livro Vamos Todos Morrer
De A a W
A de Amesterdão, a cidade do meu coração, onde passei os meus vintes, a idade mais importante e formativa da nossa vida. E é a cidade onde consigo ir a todo o lado de bicicleta, sem esta coisa das colinas que vocês têm cá.
B de Bicicleta, lá está. Nunca tive um momento de angústia que uma hora a andar de bicicleta não fizesse passar.
C de Carta de condução ou de Chauffeur, duas coisas que não tenho e que mais falta me fazem.
D de Dançar. Aliás, D de Dançar Drogado. Que saudades.
E de Escrever. É isso que quero fazer quando for grande. Deixar os bonecos e escrever coisas a sério. Não perdem pela demora.
F de não posso escrever a palavra mas é a mais catártica da língua portuguesa e das mais polivalentes. Dita no tom certo, é boa para quando nos magoamos, para quando nos esquecemos de qualquer coisa ou para quando vemos alguém muito sexy na rua, por exemplo. Como é um verbo, também dá insultos ótimos, como «estimo que te».
G de Georges Simenon, com o seu inspetor Maigret. Leio compulsivamente desde pequeno e o Simenon, não sendo nem de perto nem de longe o meu escritor preferido, fica aqui em representação de muitos outros. Os dele são os livros que me fazem companhia quando estou de cama com gripe. Ah, Maigret! Do tempo em que os polícias eram xenófobos, misóginos e homofóbicos. Bons tempos.
H de Hugo. Não sei se é egocêntrico, mas acho que é o que toda a gente pensa quando vê a primeira letra do seu nome. Ou sou só eu?
I de Inteligência. Para além da beleza física, da graça e da humildade, é a coisa que mais gosto em mim.
J de Je t’aime moi non plus, um filme que adoro, pela música do Serge Gainsbourg, porque tem imensa gente nua, porque tem o Gerard Depardieu a lamber as orelhas a um cavalo, mas sobretudo pela Jane Birkin, que canta pessimamente mas é uma das minhas cantoras preferidas. Olha, podia ter escrito logo J de Jane Birkin. Bom, agora já está.
K de K, que era uma revista que havia quando eu era adolescente e que tinha imensa graça. Ainda hoje as tenho todas. Tenho referências muito variadas de quando era miúdo, e a K faz parte delas, junto com outras como o Tintin, o Astérix, a Mafalda do Quino, a Agustina, o Almada, o Eça, o Boris Vian, o Herman, os Monty Python e, claro, a Ana Maria Magalhães e a Isabel Alçada.
L L de Lisboa. Não ligo nada a nacionalidades. Ser português não me diz grande coisa, é pouco mais que uma circunstância. Sou do lugar onde me sinta em casa. E, nisso, sou lisboeta até aos ossos.
M de Mãe. O único amor verdadeiramente incondicional que conheço. Além disso, haverá coisa mais valiosa do que ter alguém a quem culpar de todos os nossos traumas de infância?
N de Nadar. Como já gastei o M com a minha Mãe e tive de saltar o Mar, fica em nadar. É onde sou mais feliz, dentro de água a levar com ondas no focinho.
O de Óscar. Desde que me lembro, sempre que tenho cinco minutos livres, ponho-me a imaginar o discurso que vou fazer quando ganhar um Óscar. Ainda não sei em que categoria mas espero que não seja numa daquelas que eles entregam antes e que nem sequer dá na televisão.
P de Passar dias sem fazer a ponta de um corno.
Q de Qualquer coisa, que é o que o meu apelido quer dizer.
R de Rir. Adoro rir.
S de Saudade. É uma palavra linda e tenho pena que se use tão levianamente. Tão depressa se diz «tenho saudades tuas» como se diz «tenho saudades de quando o Santini só havia em Cascais». Tira-lhe força. Reservo-os, a palavra e o sentimento, a pouquíssimas e especialíssimas pessoas.
T de Tudo. Falta-me o ar só de pensar que nunca serei capaz de fazer tudo, de experimentar tudo, de conhecer tudo, de saber tudo. Mas o que me faz sair da cama de manhã é pelo menos tentar. Pronto, T de Tentar.
U de Universo. Sou fascinado por astronomia (não confundir com astrologia, ainda que leia o horóscopo todos os dias). Devia fazer parte da experiência de cada ser humano ter consciência de que somos todos pequenas migalhas de pão na grande toalha de mesa que é o Universo. É ao mesmo tempo esmagador e libertador.
V de Viajar. É preciso dizer mais?
W de Duplo V, que era como chamavam a esta letra na Rua Sésamo. E, como é um duplo V, é viajar a dobrar. Até já.
B de Bicicleta, lá está. Nunca tive um momento de angústia que uma hora a andar de bicicleta não fizesse passar.
C de Carta de condução ou de Chauffeur, duas coisas que não tenho e que mais falta me fazem.
D de Dançar. Aliás, D de Dançar Drogado. Que saudades.
E de Escrever. É isso que quero fazer quando for grande. Deixar os bonecos e escrever coisas a sério. Não perdem pela demora.
F de não posso escrever a palavra mas é a mais catártica da língua portuguesa e das mais polivalentes. Dita no tom certo, é boa para quando nos magoamos, para quando nos esquecemos de qualquer coisa ou para quando vemos alguém muito sexy na rua, por exemplo. Como é um verbo, também dá insultos ótimos, como «estimo que te».
G de Georges Simenon, com o seu inspetor Maigret. Leio compulsivamente desde pequeno e o Simenon, não sendo nem de perto nem de longe o meu escritor preferido, fica aqui em representação de muitos outros. Os dele são os livros que me fazem companhia quando estou de cama com gripe. Ah, Maigret! Do tempo em que os polícias eram xenófobos, misóginos e homofóbicos. Bons tempos.
H de Hugo. Não sei se é egocêntrico, mas acho que é o que toda a gente pensa quando vê a primeira letra do seu nome. Ou sou só eu?
I de Inteligência. Para além da beleza física, da graça e da humildade, é a coisa que mais gosto em mim.
J de Je t’aime moi non plus, um filme que adoro, pela música do Serge Gainsbourg, porque tem imensa gente nua, porque tem o Gerard Depardieu a lamber as orelhas a um cavalo, mas sobretudo pela Jane Birkin, que canta pessimamente mas é uma das minhas cantoras preferidas. Olha, podia ter escrito logo J de Jane Birkin. Bom, agora já está.
K de K, que era uma revista que havia quando eu era adolescente e que tinha imensa graça. Ainda hoje as tenho todas. Tenho referências muito variadas de quando era miúdo, e a K faz parte delas, junto com outras como o Tintin, o Astérix, a Mafalda do Quino, a Agustina, o Almada, o Eça, o Boris Vian, o Herman, os Monty Python e, claro, a Ana Maria Magalhães e a Isabel Alçada.
L L de Lisboa. Não ligo nada a nacionalidades. Ser português não me diz grande coisa, é pouco mais que uma circunstância. Sou do lugar onde me sinta em casa. E, nisso, sou lisboeta até aos ossos.
M de Mãe. O único amor verdadeiramente incondicional que conheço. Além disso, haverá coisa mais valiosa do que ter alguém a quem culpar de todos os nossos traumas de infância?
N de Nadar. Como já gastei o M com a minha Mãe e tive de saltar o Mar, fica em nadar. É onde sou mais feliz, dentro de água a levar com ondas no focinho.
O de Óscar. Desde que me lembro, sempre que tenho cinco minutos livres, ponho-me a imaginar o discurso que vou fazer quando ganhar um Óscar. Ainda não sei em que categoria mas espero que não seja numa daquelas que eles entregam antes e que nem sequer dá na televisão.
P de Passar dias sem fazer a ponta de um corno.
Q de Qualquer coisa, que é o que o meu apelido quer dizer.
R de Rir. Adoro rir.
S de Saudade. É uma palavra linda e tenho pena que se use tão levianamente. Tão depressa se diz «tenho saudades tuas» como se diz «tenho saudades de quando o Santini só havia em Cascais». Tira-lhe força. Reservo-os, a palavra e o sentimento, a pouquíssimas e especialíssimas pessoas.
T de Tudo. Falta-me o ar só de pensar que nunca serei capaz de fazer tudo, de experimentar tudo, de conhecer tudo, de saber tudo. Mas o que me faz sair da cama de manhã é pelo menos tentar. Pronto, T de Tentar.
U de Universo. Sou fascinado por astronomia (não confundir com astrologia, ainda que leia o horóscopo todos os dias). Devia fazer parte da experiência de cada ser humano ter consciência de que somos todos pequenas migalhas de pão na grande toalha de mesa que é o Universo. É ao mesmo tempo esmagador e libertador.
V de Viajar. É preciso dizer mais?
W de Duplo V, que era como chamavam a esta letra na Rua Sésamo. E, como é um duplo V, é viajar a dobrar. Até já.