Povos e identidades – somos (mesmo?) diferentes
Partilhar:
18 de outubro de 2022
Cada país procura, através dos seus intelectuais, elaborar uma descrição de si mesmo. Mas se, como alertou a antropóloga Ruth Benedict, não é possível «confiar inteiramente no que cada país descreve como sendo os seus hábitos de pensamento e de ação». Procuremos então conhecer e melhor compreender as identidades dos países e dos seus povos através de quem os consegue ver na sua imensidão. Comece com estes livros que lhe sugerimos. Ficaremos surpreendidos se, depois disso, não ganhar uma nova perspetiva do mundo.
O Crisântemo e a Espada
O Crisântemo e a Espada nasceu de uma necessidade estratégica dos EUA, em plena II Guerra Mundial, mas que ficou para a História como um testemunho intemporal da cultura japonesa. Em junho de 1944, a conceituada antropóloga Ruth Benedict foi designada para estudar o Japão – mais do que os objetivos de quem estava no poder, o pensamento e emoção, as regras e valores da cultura japonesa. A missão tinha a dificuldade acrescida de ambos os países estarem em guerra, o que impossibilitava Benedict de fazer trabalho de campo. A antropóloga socorreu-se de todos os recursos de que dispunha: os testemunhos dos muitos japoneses que viviam nos EUA e dos ocidentais que tinham vivido no Japão, a vasta literatura nipónica e todo o género de filmes, cinematográficos ou propagandísticos.
Ruth Benedict estava bem consciente do facto de, à época, ainda não se perceber o que faz com que o Japão seja um país japonês, ou o que faz com que os EUA sejam um país americano e a França um país francês, levando a que cada país interprete mal o outro. Dizia que «cada país procura (…) elaborar uma descrição de si mesmo», mas que «é difícil termos consciência dos olhos com que olhamos». Depois de percorrermos os capítulos deste livro, que aborda desde o comportamento dos japoneses na guerra à educação das suas crianças, sentiremos, como Ruth, que as ideias deste povo estavam repletas de emoção secular e que deram um grande passo em direção a uma mudança social ao identificar a violência da guerra como um erro e uma causa perdida. A sua surpreendente expansão pacífica desde o final da II GM demonstra isso mesmo.
COMPRAR NA WOOK »
Ruth Benedict estava bem consciente do facto de, à época, ainda não se perceber o que faz com que o Japão seja um país japonês, ou o que faz com que os EUA sejam um país americano e a França um país francês, levando a que cada país interprete mal o outro. Dizia que «cada país procura (…) elaborar uma descrição de si mesmo», mas que «é difícil termos consciência dos olhos com que olhamos». Depois de percorrermos os capítulos deste livro, que aborda desde o comportamento dos japoneses na guerra à educação das suas crianças, sentiremos, como Ruth, que as ideias deste povo estavam repletas de emoção secular e que deram um grande passo em direção a uma mudança social ao identificar a violência da guerra como um erro e uma causa perdida. A sua surpreendente expansão pacífica desde o final da II GM demonstra isso mesmo.
Os Portugueses
Como dizia Ruth Benedict, os países nem sempre são quem melhor se descreve. Por isso, o olhar de quem não é português, mas que viveu cá e que nos conhece, pode trazer-nos uma visão menos tingida por orgulho ou mágoas próprias do que a nossa. É o caso de Barry Hatton, jornalista inglês que há 3 décadas se mudou para Portugal, fazendo a cobertura da atualidade noticiosa para a Associated Press. Neste livro, Hatton percorre a História que é de Portugal e dos portugueses numa análise lúcida e abrangente, entretecendo as etapas mais recentes da nossa evolução identitária com episódios da sua experiência pessoal recheados de bom humor. Consegue traçar um retrato do que nos torna únicos, valorizando o que temos de positivo, como a nossa generosidade espontânea. Mais recentemente, o autor percorreu os 2.000 anos da vida de Lisboa em A Rainha do Mar, outro livro em que, exultando a sua paixão por Portugal, nos conta muito do que somos e fizemos.
COMPRAR NA WOOK »
A History Of The English-Speaking Peoples
Quando Winston Churchill, um dos maiores protagonistas da História do Reino Unido (e do mundo) se dedica a contá-la, na primeira pessoa, ler o que escreveu é um privilégio, sobretudo quando foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura «pelo seu domínio da descrição histórica e biográfica» e pela «brilhante oratória na defesa de valores humanos».
Entre 1956 e 1958, Churchill transpôs para o papel a sua «visão pessoal sobre os processos pelos quais os povos anglófonos em todo o mundo alcançaram a sua posição e carácter distintivos». Explicou que o usa o termo «anglófonos» por ser o único que se aplica «tanto aos habitantes das ilhas britânicas como às nações independentes que derivam o seu início, o seu discurso, e muitas das suas instituições de Inglaterra» e que, posteriormente, as preservaram, nutriram e desenvolveram à sua própria maneira. Esta é, por conseguinte, não apenas a História britânica, mas também a americana, canadiana, neozelandesa, australiana, indiana, sul-africana. Além de estadista e pintor, Churchill foi também um hábil contador de histórias e, nesta, evoca na sua voz única, lúcida e e sábia as lutas e contrariedades dos homens que levaram a bandeira para a frente e daqueles, egoístas, que a arrastaram para trás.
COMPRAR NA WOOK »
Entre 1956 e 1958, Churchill transpôs para o papel a sua «visão pessoal sobre os processos pelos quais os povos anglófonos em todo o mundo alcançaram a sua posição e carácter distintivos». Explicou que o usa o termo «anglófonos» por ser o único que se aplica «tanto aos habitantes das ilhas britânicas como às nações independentes que derivam o seu início, o seu discurso, e muitas das suas instituições de Inglaterra» e que, posteriormente, as preservaram, nutriram e desenvolveram à sua própria maneira. Esta é, por conseguinte, não apenas a História britânica, mas também a americana, canadiana, neozelandesa, australiana, indiana, sul-africana. Além de estadista e pintor, Churchill foi também um hábil contador de histórias e, nesta, evoca na sua voz única, lúcida e e sábia as lutas e contrariedades dos homens que levaram a bandeira para a frente e daqueles, egoístas, que a arrastaram para trás.