Pedro Vieira de A a W

Vera Dantas
25 de março de 2026
O De A a W é uma rubrica da Wook na qual desafiamos uma personalidade a percorrer as letras do abecedário dizendo para cada uma delas o que bem entender. O resultado é sempre uma incógnita.

Pedro Vieira é formado em Publicidade e Marketing, trabalhou como criativo no Canal Q, no programa Ah, a Literatura!, apresentou o programa Inferno e O Último Apaga a Luz, do qual foi também guionista. É ilustrador residente da revista LER. A sua estreia na ficção deu-se com Última Paragem: Massamá, vencedor do prémio P.E.N. Clube Português para Primeira Obra, em 2012. Nesse ano, publicou Éramos Felizes e Não Sabíamos, uma compilação de crónicas, tendo-se seguido vários romances.

Depois de O Grande Livro dos Ismos – obra que explica de forma clara, divertida e crítica os principais movimentos, ideologias e correntes de pensamento que moldaram a sociedade – Pedro Vieira lança agora Vénus em Chamas, um livro que nos volta a fazer olhar sob uma nova perspetiva para a História. Desta vez, as protagonistas são as mulheres. Com toda a sua argúcia, num registo que combina ficção histórica e investigação, Pedro Vieira revisita as vidas de sete mulheres cujas histórias foram moldadas, distorcidas e apropriadas por poderes masculinos, transformando-as em instrumentos de narrativas ardilosas. De Maria a Lúcia, o autor dá-lhes confere a estas figuras uma história expõe como essas narrativas têm limitado, silenciado e travado a emancipação das mulheres ao longo dos séculos.
No livro, como neste De A a W, Pedro Vieira monta uma narrativa no sentido inverso da oficial e, com isso, reveste estas figuras femininas de humanidade, dúvida, desejo, medo e contradição, devolvendo-lhe todas as suas dimensões.
 
De A a W
Pedro Vieira
A – Aleluia. Louvor ao Divino, embora as mulheres terrenas o mereçam mais.

B – Batalha. Pelo direito de contarmos a nossa própria vida.

C – Cristianismo. Uma fé à qual faltam cristãos.

D – D’Arc. Mulher e maldição.

E – Esperança. Cada história contada traz consigo uma centelha.

F – Fillide, mulher degenerada a quem coube alguma santidade.
G – Gratidão, pelas mulheres inspiradoras que nos rodeiam.

H – Homero, pois foi com ele que começaram todas as ficções.

I – Insolência, porque o mundo não se faz de narrativas mansas.

J – Jardim do Éden, onde tudo (des)começou.

K – Kryptonite precisa-se, contra as histórias sem contraditório.

L – Liberdade, claro.

M – Maria, mãe do Salvador, utensílio e mulher que merece ser recontada.

N – Niilismo, contra as verdades absolutas, mas com uma ponta de sol.

O – Ósana nas altur… ah, espera, era com H!

P – Paulo. Antes não se tivesse convertido na estrada para Damasco.
Q – Questionar sempre, refletir muito.

R – Revolução. Nos costumes e no resto.

S – S de sem. Sem memória não há futuro.

T – Tubman, mulher de armas, sem que isso seja metafórico.

U – Utopia, embora Thomas More não se sinta lá muito bem.

V – Verdade, pelo menos aquela a que temos direito.

W – What the fuck? A Madalena não era prostituta???

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