Martim Sousa Tavares De A a W

Vera Dantas
27 de outubro de 2025
De A a W é uma rubrica do Wookacontece, na qual desafiamos um convidado a percorrer as letras do abecedário dizendo para cada uma delas o que bem entender. O resultado é sempre uma incógnita.
Martim Sousa Tavares é natural de Lisboa, onde nasceu em 1991. Formado em Ciências Musicais e Direção de Orquestra, o seu percurso académico passou por Portugal, Itália e Estados Unidos. Fundou a Orquestra Sem Fronteiras, com a qual ganhou o Prémio Carlos Magno para a Juventude do Parlamento Europeu, é diretor artístico da Orquestra do Algarve e do Festival de Sintra. Tem sido uma voz ativa na divulgação da música clássica e no cruzamento das artes, sendo presença assídia nos media.
Depois de Falar Piano e Tocar Francês, um livro em que explora a forma como nos nos relacionamos com a arte nas suas múltiplas expressões, o conhecido maestro aventura-se agora na literatura infantojuvenil, com O Rei com Música na Cabeça.
O Rei da Áustria anda às voltas com uma música que não lhe sai da cabeça, de tal forma que nem consegue governar. Com o país virado do avesso, e todos os austríacos convocados a ajudar, dois jovens prodígios musicais entram em cena: os irmãos Mozart! Graças à sua grande sensibilidade e conhecimento musical, descobrem que a melodia que não larga os pensamentos do Rei tem um mistério que precisa de ser resolvido… O humor, a criatividade e a música que habitam esta história ganham ainda uma dimensão colorida e muito animada com as bonitas e ricas ilustrações de Raquel Costa.
De A a W, espreite com Martim Sousa Tavares o mundo vibrante d’O Rei com Música na Cabeça que, a brincar, nos leva a viajar à magia da Áustria musical.
 
De A a W
Martim Sousa Tavares
A – Áustria. O país dos irmãos Mozart, heróis de muitas histórias, incluindo a que eu escrevi.

B – Brincar. A melhor forma de aprender música e de começar a gostar de tocar qualquer instrumento.

C – Clássica. Sempre me perguntei porque é que se chama música clássica. Há muitas respostas possíveis, mas até hoje nunca fiquei inteiramente convencido com nenhuma.

D – Descoberta. Só posso imaginar a surpresa de Leopold Mozart ao descobrir que tinha em casa não um, mas dois génios da música.

E – Experiências. Tentou-se de tudo para impressionar o Rei da Áustria. Nem a visão dum homem a comer 20 ananases com casca o impactou o suficiente!

F – Finalmente. Até que enfim, alguém descobriu o mal de toda esta história!
G – Génios. Eram geniais os irmãos Mozart, mas à custa disso a sua infância foi-lhes negada.

H – Hotel. O melhor lugar para comer Sachertorte em Viena é no Hotel Sacher.

I – Ideias. Às vezes aparecem do nada, por vezes acompanham-nos durante anos. Foi o caso com a história do livro que escrevi.

J – Jogos. Para os irmãos Mozart, a música não era mais do que um jogo, que aperfeiçoaram ao mais ínfimo detalhe e os tornou famosos por toda a Europa.

K – Kinder. Crianças, em alemão, e que são os heróis da minha história e os leitores para quem a escrevi.

L – Língua. Há nomes que noutras línguas ficam muito curiosos! Wolfgang, por exemplo, em português significa “o caminho do lobo”.
M – Música. O fio condutor da minha vida e que está em tudo o que faço.

N – Nonsense. Nem tudo tem de fazer sentido, e a imaginação por vezes tem a resposta para aquilo que a razão não entende. Como as ovelhas que jogam xadrez com os seus pastores, que incluí na minha história.

O – Ópera. Um dos passatempos preferidos dos habitantes de Viena desde há muitos, muitos anos.

P – Piano. Um instrumento que estava a ser inventado precisamente no tempo em que Mozart viveu.

Q – Qualidade. Qualquer que seja a composição, reconhece-se a mão de Mozart ao fim de duas ou três notas. É inimitável e insuperável.

R – Rir. A capacidade fundamental de nos mantermos em jogo na vida, e que inclui rirmos de nós mesmos.

S – Salvação. E não é que uma simples nota musical tem mesmo o poder de salvar um país inteiro?

T – Tempo. O meu tempo está sempre contado, por isso aproveitei a licença paternal para escrever esta história em poucos dias.

U – União. Os irmãos Mozart foram os melhores amigos toda a vida, e deixaram-nos um volume de correspondência fascinante ao longo dos anos.

V – Virtuosismo. A capacidade de encantar através de um instrumento. Não apenas tocar rápido, mas tocar maravilhosamente.

W – Wien. O nome que os austríacos dão à cidade de Viena, a sua capital e palco para esta história.

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