Maria Isaac de A a W

Por Vera Dantas
18 de março de 2025
De A a W é uma rubrica do Wookacontece, na qual desafiamos um convidado a percorrer as letras do abecedário dizendo para cada uma delas… o que bem entender. O resultado é sempre uma incógnita. Desta vez, a nosso convidada é Maria Isaac. Natural das Terras de Antuã, no norte de Portugal, divide os seus dias entre a escrita e a fotografia, além de ser a voz do podcast Palavra, dedicado às leituras e à escrita, entre conversas com escritores portugueses contemporâneos.
A sua carreira literária iniciou-se em 2017 com o romance Onde Cantam os Grilos, finalista do Prémio Fundação Eça de Queiroz. Com este livro, deu início à série Odisseia das Pequenas Coisas, que explora as particularidades da vida rural portuguesa. Seguiram-se, nesse contexto, os romances O Que Dizer das Flores (2021) e Quantos Ventos na Terra (2023) que, com o primeiro, confirmam o talento literário da autora para tecer habilmente personagens, enredo, e paisagens, com uma voz e uma cadência originais e envolventes.
Depois de, em 2024, ter participado na antologia O Sono Delas, Maria Isaac lança agora o seu quarto romance, As Histórias que Nos Matam, com o qual entra no catálogo da Porto Editora. Esta é uma história de perda, mas também de superação, um sopro da vida que resiste:

Miguel Godói, que viveu um casamento feliz, vê a sua vida desmoronar após ser vítima de um acidente. Sozinho e marcado por um corpo debilitado, sustenta-se com memórias imperfeitas de um passado doloroso. Numa manhã de inverno, uma criança misteriosa leva-o a uma casa na Madragoa em busca de respostas sobre um enigmático livro. Mas o que ele lá encontra é a possibilidade inesperada de um novo amor por uma mulher, despertando uma esperança que desconhecia.

«São as histórias que nos matam, quando não conseguimos abandoná-las, nem mudar quem somos nelas», diz Maria Isaac. Aqui, leva-nos a espreitar a sua nova história.
 
De A a W
Maria Isaac
A – AMOR. O sonho que ninguém esquece.

B – Beleza. Sempre encantadora. Sempre desejada. Sempre efémera.

C – Casamento. Até os casamentos felizes chegam ao fim.

D – Dor. O elemento comum, criador de empatia e alicerce de todas as histórias.

E – Esperança. A grande força que nos move até quando tudo parece perdido.

F – Felicidade. O instante fugaz que faz tudo o resto valer a pena.
G – Godói. Miguel Godói é o nosso protagonista.

H – Histórias. São as histórias que nos matam, quando não conseguimos esquecê-las, nem mudar quem somos nelas.

I – Imaginação. Quando a memória nos trai, a imaginação nunca nos falha.

J – Jazz. A banda sonora da vida de Miguel Godói e uma das suas paixões.

K – Kintsugi. uma técnica de restauração de cerâmicas e porcelanas que utiliza laca ou cola misturadas com pó de ouro, prata ou platina. Para os japoneses, é parte de uma filosofia de aceitação das falhas humanas e da fragilidade da vida. A celebração das imperfeições.

L – Livro. As Mil e Uma Noites. Um livro dentro deste novo livro.

M – Memória. As histórias que contamos a nós mesmos, sobre quem somos, o que fomos, o que desejamos, são as nossas narrativas pessoais às quais chamamos de memória.

N – Noite. Sempre a mais delicada, na sua forma natural de fazer homens sofrer quando ninguém vê.

O – Obsessão. O que é o amor senão uma maravilhosa obsessão?

P – Possibilidades. A possibilidade de sermos felizes de formas que nunca imaginámos.

Q – Queridos. Os nossos sonhos mais queridos, guardam os nossos medos mais temidos.

R – Reflexos. Vemo-nos refletidos no olhar dos outros, mas nunca esqueçamos que esses são apenas reflexos e estão sempre distorcidos.
S – Silêncio. O silêncio é o mais antigo companheiro da solidão.

T – Tempestades. No meio das nossas maiores tempestades é quando nos apercebemos que somos os protagonistas da nossa própria história.

U – Universal. O amor é o sonho universal que ninguém consegue esquecer.

V – Versailles. A Pastelaria Versailles, um lugar de tradição na Lisboa de Miguel Godói.

W – WOOK. Um sítio de histórias.

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