Patrick Modiano, um Nobel em busca do tempo perdido

Arqueólogo da memória e das palavras, Modiano centra a sua obra invariavelmente nos mesmos temas - passado histórico e o presente, Paris e a ocupação Nazi de França durante o III Reich. 

Escreve livros curtos e elegantes.
«Tenho sempre a impressão de escrever o mesmo livro. De cada vez que começo um, esqueço, como por amnésia, os anteriores, e as mesmas cenas retornam.»
17 de janeiro de 2020
Patrick Modiano é um dos mais importantes escritores da atualidade. Tem 75 anos
Nascido em 1945 nos arredores de Paris, a vida de Patrick Modiano é, desde a infância, moldada por um dos temas principais dos seus romances: a Ocupação alemã.
Os seus pais conheceram-se precisamente em Paris durante a Ocupação e a primeira infância do escritor foi passada ao cuidado dos avós maternos, de origem belga.
Por esse motivo, a primeira língua de um dos mais reconhecidos escritores franceses foi o flamengo. Outro acontecimento que marca de forma definitiva a infância do autor é a morte prematura do irmão.
A MEMÓRIA COMO MATÉRIA-PRIMA
É o próprio autor que admite que este período da sua vida «plantou uma semente» do que seriam mais tarde os seus livros. Esta infância está na génese dos temas recorrentes na obra de Modiano: a ausência, a memória, a Ocupação alemã, a procura de um passado que se perdeu, a cidade de Paris como centro – e como personagem.

Estes temas que, de uma forma ou outra, atravessam todos os enredos do autor são o motivo pelo qual, quando o escritor recebeu em 2014 o Prémio Nobel da Literatura, a Academia Sueca reconheceu na sua literatura uma «arte da memória». Uma memória que não tenta regressar ao passado, mas que resgata o possível e tenta reconstruir a partir dos escombros. E não é esse afinal, o exercício maior de toda a Literatura?
LIVROS ESSENCIAIS
AS AVENIDAS PERIFÉRICAS
Vencedor do Grande Prémio de Romance da Academia Francesa, As Avenidas Periféricas reconstitui a história de um jovem judeu à procura do seu pai – uma personagem obscura que tenta sobreviver durante a Ocupação alemã fazendo negócios no mercado negro e aliando-se a personagens inquietantes.
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DORA BRUDER
«Procura-se uma rapariga, Dora Bruder, de 15 anos…». É este o anúncio de jornal que dá origem a uma busca obsessiva do narrador por uma jovem judia desaparecida durante a ocupação nazi. Aclamado como um dos melhores romances de Modiano, Dora Bruder é uma narrativa que se constrói contra o esquecimento.
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LEMBRANÇAS ADORMECIDAS
No primeiro romance de Modiano após ter recebido o Prémio Nobel, um narrador regressa a Paris nos anos sessenta e recorda seis mulheres do seu passado. Seis vidas, seis memórias adormecidas que são convocadas através de pequenas histórias e vislumbres.
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«No entanto, deve ser vocação do romancista, perante a grande página em branco do esquecimento, voltar a tornar visíveis algumas palavras desvanecidas, como icebergs perdidos à deriva no oceano.» em Discurso de Aceitação do Prémio Nobel, 2014

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