Clarice Lispector. Um coração jamais posto em sossego

Clarice Lispector
Chaya Pinkhasovna Lispector nasceu na Ucrânia a 10 de dezembro de 1920. Foi a terceira filha de Pinkhas e Mania, um casal de judeus russos, e tinha dois anos quando emigrou para o Brasil com a família, fugindo do antissemitismo resultante da Guerra Civil Russa (1918-1920).
Encontrou em Pernambuco o refúgio que precisava e naturalizou-se, mais tarde, cidadã daquele país. É considerada uma das maiores escritoras brasileiras do séc. XX.
Esta semana, o Google dedicou-lhe um doodle. Se fosse viva, completaria 98 anos.
Conheça a sua vida e obra.
«O QUE NÃO ME FAZ BEM, NÃO ME FAZ FALTA»
Clarice estudou Direito na antiga Universidade do Brasil (hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro), mas o seu sonho sempre foi escrever. Foi tradutora e jornalista. Em 1940, publica o primeiro conto, O Triunfo, no semanário Pan.

Mais tarde, em 1943, casa-se com um colega de faculdade, Maury Gurgel Valente, e, no final desse ano, edita o seu primeiro romance Perto do Coração Selvagem, que lhe valeu o Prémio Graça Aranha para Melhor Romance. A crítica especializada comparava-a a Virginia Woolf ou James Joyce, o que a irritava.
«LIBERDADE É POUCO, O QUE EU DESEJO AINDA NÃO TEM NOME»


Num registo único tanto no estilo como na forma, dizia escrever para encontrar respostas, não para agradar.

Centra a sua atenção «no registo de labirintos da intimidade de suas personagens, atenta a detalhes patentes na vida quotidiana, como nos laços de família e em experiências mais complexas, como o amor, a paixão, o ódio, a amizade, a inveja», refere Nádia Gotlib, autora da biografia Clarice: uma vida que se conta.
A sua propensão a transtornos depressivos também se refletia nas suas obras em diferentes fases da vida.

Clarice teve dois filhos. Odiava entrevistas com jornalistas e era dona de uma personalidade peculiar e muito forte.

O seu último romance publicado em vida, A Hora da Estrela, marca a despedida da escritora dois meses antes da sua morte. Clarice não viveu para saber que este se tornou o mais conhecido dos seus livros.

Morreu muito jovem, em 1977, um dia antes de completar 57 anos, vítima de cancro do ovário, mas o seu legado permanece e trespassa, ainda hoje, por gerações de leitores em todo o mundo.
Autora de prosa e poesia, contos e literatura infantil é comum dizer-se que há um antes e um depois de se ler Clarice.

Selecionámos três livros para que o possa comprovar:
PERTO DO CORAÇÃO SELVAGEM
CLARICE LISPECTOR
Obra existencialista, introspetiva e premiada, este é o seu romance de estreia. Clarice dá-nos a conhecer Joana numa viagem crua pela sua realidade.
A HORA DA ESTRELA
CLARICE LISPECTOR
Macabéa é uma alagoana que migra para o Rio de Janeiro à procura de uma vida melhor. Profundamente hermético, filosófico e intimista, a autora conta as desventuras da protagonista através de um narrador, Rodrigo S. M.. Este é considerado o romance mais célebre da autora.
UM SOPRO DE VIDA
CLARICE LISPECTOR
Quando Clarice terminou Um Sopro de Vida sabia que este seria o seu último sopro também. Narrativa fragmentária e cheia de trechos memoráveis, entre os quais: "Na hora de minha morte - que é que eu faço? Me ensinem como é que se morre. Eu não sei". Foi editada postumamente, em 1978.

Wook está a dar

Subscreva!