«O vento zanga-se lá fora…»
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8 de abril de 2026
Carla Louro (Santarém, 1969) é arquiteta. Quis ser bailarina, mas nunca foi.
Gosta de linhas, mas nunca soube desenhar bem. Não gosta de escrever com uma caneta qualquer. Entra-se na Casa Pelo Pátio, a sua estreia literária, venceu, por unanimidade, o primeiro Prémio de Poesia Nuno Júdice (2025).
É um livro íntimo, feminino e muito emotivo, com uma poesia clara, de extraordinária contenção e grande profundidade.
É também um livro sobre a escrita em si mesma.
Deixamos-lhe aqui um dos seus poemas.
o vento zanga-se lá fora
e o relógio da coxinha conta o tempo
que o vento demora a zangar-se
que demora zangado
o vento zanga-se lá fora e eu lembro-me
da minha filha com dois anos
a saber que o vento ralhava com o mundo e
o mundo se zangava com o vento
mãe, as folhas das árvores estão zangadas
as folhas das árvores estão zangadas
e eu não sei quanto tempo demoram zangadas
o vento zanga-se lá fora
e a minha filha diz-me contei o tempo
que demoraste a chegar
duzentos e dois
a minha filha conta o tempo que eu demoro a chegar
e eu demoro duzentos e dois
Carla Louro, Entra-se na Casa Pelo Pátio, D. Quixote, março de 2026, p. 53.
É um livro íntimo, feminino e muito emotivo, com uma poesia clara, de extraordinária contenção e grande profundidade.
É também um livro sobre a escrita em si mesma.
Deixamos-lhe aqui um dos seus poemas.
o vento zanga-se lá fora
e o relógio da coxinha conta o tempo
que o vento demora a zangar-se
que demora zangado
o vento zanga-se lá fora e eu lembro-me
da minha filha com dois anos
a saber que o vento ralhava com o mundo e
o mundo se zangava com o vento
mãe, as folhas das árvores estão zangadas
as folhas das árvores estão zangadas
e eu não sei quanto tempo demoram zangadas
o vento zanga-se lá fora
e a minha filha diz-me contei o tempo
que demoraste a chegar
duzentos e dois
a minha filha conta o tempo que eu demoro a chegar
e eu demoro duzentos e dois
Carla Louro, Entra-se na Casa Pelo Pátio, D. Quixote, março de 2026, p. 53.