O estranho caso dos livros que se tornaram virais - Parte II

Por Matilde Vieira 
9 de abril de 2024
Esta semana, descubra mais 6 livros que se repetem nos tops e que parecem estar a ser lidos por toda a gente. Tornaram-se virais do dia para a noite através das redes sociais, onde se multiplicam hashtags como o #bookstragram, o #booktok ou o #booktube, e somam milhões de visualizações.
Não deixe de ler a primeira parte deste artigo, originalmente publicado na revista wookacontece n.º 9. Estes livros são um lembrete sempre saudável de que os leitores e os livros não vivem num mundo à parte, mas prosperam com a partilha.
Eis alguns dos livros mais populares do momento e wook ler a seguir.
Persuasão, de Jane Austen
O que faz um romance publicado originalmente em 1817 tornar-se viral? Ser escolhido como o primeiro livro oficial do TikTok Book Club. O último romance de Jane Austen é, em muitos aspetos, uma antítese da plataforma que o elegeu, mas prova a intemporalidade da obra da autora. Não existe aqui, ao contrário do que certas adaptações cinematográficas dão a entender, material para comédias românticas. Esta é antes uma história contida, subtil, de ritmo lento, protagonizada por uma mui discreta Anne Elliot que, aos vinte anos, como o título indica, foi persuadida a romper o noivado com o Capitão Wentworth. O romance debate-se com as consequências dessa decisão na vida de ambos quando se reencontram sete anos depois, e oferece-nos uma das mais belas declarações de amor de sempre.

Wook ler a seguir: O Monte dos Vendavais, de Emily Brontë; A Idade da Inocência, de Edith Wharton.
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O Príncipe Cruel, de Holly Black
Autora das famosas Crónicas de Spiderwick, Holly Black conseguiu com a saga iniciada em O Príncipe Cruel conquistar não só o público jovem adulto, mas todos os outros leitores de literatura fantástica. O segredo é a forma como a autora cria personagens complexas e as insere num mundo pensado ao pormenor. Jude e Cardan, os dois protagonistas, são anti-heróis repletos de defeitos, traumas, e com uma moralidade duvidosa, e a tensão entre ambos é palpável. Jude, em particular, é uma personagem feminina forte e ambiciosa que, apesar de ser humana e mortal num mundo de fadas, se põe constantemente à prova, juntando-se a conspirações e intrigas e planeando vingança. O livro doseia sabiamente fantasia, romance e intriga, criando uma mistura irresistível e viciante.

Wook ler a seguir: Corte de Espinhos e Rosas, de Sarah J. Maas; Caraval, de Stephanie Garber.
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Romance de Verão, de Emily Henry
Dois escritores com um bloqueio criativo: ela, January, uma autora de histórias de amor; ele, Augustus, um escritor literário que ambiciona escrever o próximo grande romance americano. Eles são o completo oposto um do outro (caso os nomes não o tenham dado a entender) e por isso fazem uma aposta para trocar de género literário e ver quem é publicado primeiro. A partir daqui não é difícil adivinhar o que acontece…a rivalidade dá lugar ao romance. A magia dos livros de Emily Henry é precisamente essa: há aqui uma certa nostalgia pelas comédias românticas de Nora Efron, um claro assumir dos clichés do género, protagonistas irresistivelmente neuróticos e, ao mesmo tempo, uma contemporaneidade bem visível na forma como a autora aborda temáticas como luto ou a saúde mental.

Wook ler a seguir: O Amor não Morreu, de Ashley Poston; Apartamento Partilha-se, de Beth O'Leary.
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A Mandíbula de Caim, de Torquemada
Um quebra-cabeças com quase noventa anos, A Mandíbula de Caim foi escrita por Edward Powys Mathers, utilizando o pseudónimo Torquemada, e originalmente publicado em 1934. São seis assassinatos, 100 páginas e milhões de combinações possíveis que nas redes sociais enchem paredes com post-its coloridos, fios, e muitas teorias e propostas de resolução. Apenas quatro pessoas foram, até hoje, capazes de resolver este puzzle literário. Num mundo cada vez mais digital onde todas as respostas parecem estar à distância de um clique, talvez o apelo de A Mandíbula de Caim e a origem da sua popularidade seja, precisamente, o facto de manter o seu mistério, já que a solução nunca foi tornada pública.

Wook ler a seguir: O Assassinato de RogerAckroyd, de Agatha Christie; Arsène Lupin, Cavalheiro Ladrão, de Maurice Leblanc.
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A Hipótese do Amor, de Ali Hazelwood,
Olive, uma aluna do primeiro ano de doutoramento, beija o primeiro estranho que lhe aparece à frente na tentativa de convencer a melhor amiga de que já ultrapassou o ex-namorado. Só que o estranho é afinal Adam Carlsen, um jovem e temido professor de outro departamento que, para surpresa de Olive, se oferece para continuar a fingir uma relação amorosa. A Hipótese do Amor abraça, com amor e humor, a sua premissa improvável, polvilhando o romance de situações hilariantes, tensão entre os protagonistas e cenas explícitas q.b.. Ao mesmo tempo, levanta questões sobre o papel das mulheres na ciência e num mundo académico dominado por homens. Uma realidade que a autora, doutorada em neurociências, conhece bem.

Wook ler a seguir: Acorda para a Vida, Chloe Brown, de Talia Hibbert; A Fórmula do Amor, de Helen Hoang.
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Pessoas Normais, de Sally Rooney
Aclamada como a voz literária da geração millennial, ao segundo romance, a irlandesa Sally Ronney conquistou em definitivo a crítica e o público em geral. Em 2020, a adaptação do livro a uma série televisiva ajudou a ampliar ainda mais a popularidade da obra, mas é na prosa de Ronney, sempre límpida e certeira, mesmo naquilo que deixa por dizer, que a história ganha realmente corpo. Pessoas Normais, que se debruça sobre a relação de Connell e Marianne, é um romance sobre a chegada à idade adulta, sobre amizade e amor, mas também sobre dinâmicas de poder e diferenças sociais. Um retrato da dificuldade de nos relacionarmos connosco e com os outros, mais atual do que nunca.

Wook ler a seguir: O Meu Ano de Repouso e de Relaxamento, de Ottessa Moshfegh; Deixa-te de Mentiras, de Philippe Besson.
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