Nazis que triunfaram e como o mundo os ajudou

15 de julho de 2022
O Terceiro Reich e a II Guerra Mundial marcaram uma era tão atroz e desumana que pode parecer irreal, mas cujas ramificações chegam aos nossos dias e continuarão a marcar o mundo enquanto houver humanidade. Não podemos esquecer. Os livros ajudam a preservar a memória e estes que lhe sugerimos mantêm-nos alerta, porque a História ameaça repetir-se.

 
Nazis que triunfaram
Adolf Hitler nunca teria chegado tão longe sem o apoio de poderosos cúmplices. Podemos imaginar os seus currículos, preenchidos com morte e desolação, assinadas a sangue frio. Por muito que custe a acreditar, nazis de altas patentes não só ficaram impunes dos crimes atrozes que cometeram, como conseguiram triunfar em carreiras prestigiantes, quer na sua pátria germânica – como Kurt Georg Kiesinger, que foi chanceler alemão na década de 1960, quer nos países Aliados que enfrentaram a Alemanha na II Guerra Mundial, como os EUA – como Adolf Heusinger, que chegaria ao comando da NATO ou Otto Skorzeny, o «James Bond nazi», espiou para a CIA.
Em Nazis que triunfaram, o autor francês Éric Branca revela, numa narrativa sem amarras com uma cadência que agarra o leitor, as carreiras fulgurantes de «onze estupores e meio», como chama aos cúmplices do führer. Partindo de uma investigação extensa e profunda, este historiador e jornalista desvenda o mistério da ascensão ao poder destes líderes do Terceiro Reich que, apesar dos seus atos tenebrosos, se tornaram altos responsáveis em organizações como a CIA ou a NATO.
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Os cavalos de Hitler
Arthur Brand é um detetive de arte holandês que, neste livro, escreve sobre a maior história em que já esteve envolvido na sua inusual carreira. O alvo da sua investigação foi descobrir o que tinha acontecido às enormes esculturas favoritas de Adolf Hitler, os Cavalos Shreitende, concebidas pelo escultor Josef Thorak para o führer e que, durante o Terceiro Reich, estavam em frente ao edifício da chancelaria. Durante 75 anos, acreditava-se que Os Cavalos de Hitler tinham sido destruídos durante os bombardeamentos de Berlim.
Até que um dia Arthur recebeu uma pista sobre o que foi, na realidade, um dos roubos mais extraordinários de que há memória. Foi o suficiente para se lançar numa aventura perigosa, pelos meandros do submundo da ideologia nazi e neonazi, que não só continua viva, como se financia com os lucros da venda de relíquias do regime de Hitler. Nesta missão, Arthur lidou com ex-espiões do KGB e contou com o apoio fulcral de um comissário da polícia alemã, que o ajudou a montar uma armadilha para apanhar os criminosos e evitar que consigam vender as estátuas no mercado negro,
Se isto lhe soa a filme, não está enganado. A MGM já adquiriu os direitos cinematográficos da obra. Entretanto, leia já este relato extraordinário, na primeira pessoa, de uma investigação em que, como muitas coisas na vida, a realidade suplanta a ficção.
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Lisboa Nazi
Não obstante Salazar ter mantido uma política de neutralidade colaboracionista face à II Guerra Mundial, Lisboa, pela sua vantajosa posição estratégica, foi destino de redes complexas de espionagem, de propaganda e de grupos de interesse do regime nazi e dos Aliados. Para a nossa capital confluíam também muitos refugiados em fuga aos nazis e à espera do tão desejado bilhete para a América. Assim, Lisboa vai-se tornando um palco internacional cosmopolita, em contraste com o provincianismo enclausurante imposto pelo Estado Novo.
O que surpreende, e que o historiador Sérgio Luís de Carvalho nos revela em Lisboa Nazi, é que houve inúmeros portugueses que se empenharam em ações a favor do Terceiro Reich. Fiéis às ideias nazis, espiaram em prol de Hitler, defenderam a Nova Alemanha e chegaram mesmo a escrever e a vender jornais e revistas em que expunham, com clamor e paixão, os argumentos da ideologia nazi. Frequentaram locais que ainda existem hoje em dia e que o autor, que se debruçou com igual dedicação à Lisboa Árabe e à Lisboa Judaica, nos convida a descobrir, legando-nos este guia de viagem a um passado não tão longínquo como se possa crer.
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