E se a Guerra fosse aqui?

«Guerra», de Janne Teller
Tem o formato de um passaporte e apenas 64 páginas. Um tamanho mínimo que contrasta com o peso e a dureza das palavras nele escritas.
Nesta narrativa, Janne Teller, conceituada autora dinamarquesa, vira a história do avesso: e se a guerra fosse aqui? E se fôssemos nós os refugiados? Nós, os que, de um momento para o outro, vimos tudo desintegrar-se: a vida que era estável; os empregos fixos; as férias no estrangeiro; os amigos; um futuro promissor.

Que injustiça é esta onde não há água, nem eletricidade? E o pior: onde há fome. E não há comida. Pior ainda: onde há sede. E não se vislumbra gota de água. Vive-se com medo e só se pensa em fugir. Fugir para sobreviver. Mas fugir para aonde se não se é bem-vindo em nenhum lugar?

Impressionante e certeiro, este conto, adaptado num esforço inaudito a cada país onde é publicado, mostra-nos uma realidade tão palpável que chega a doer.
E se fôssemos nós?
E SE PORTUGAL ESTIVESSE EM GUERRA. PARA ONDE IAS TU?
«Se as bombas tivessem destruído a maior parte da cidade de Lisboa, a maior parte de Portugal, deixando o país em ruínas? Se o apartamento onde vives com a tua família tivesse buracos nas paredes, as janelas todas partidas, a varanda arrancada?
O verão aproxima-se. A eletricidade não funciona e não há água. Só podes estar na cozinha. A tua mãe tem bronquite e corre o risco de apanhar mais uma infeção nos rins. O teu irmão mais velho perdeu três dedos da mão esquerda num episódio com uma mina. É apoiante da Milícia contra a vontade dos teus pais. A tua irmã mais nova foi ferida por estilhaços de granada e está acamada num hospital sem equipamento. Os teus avós morreram quando uma bomba caiu no lar onde viviam.
Tu ainda estás são e salvo, mas tens medo. De manhã, ao meio-dia, à tarde, à noite. Estremeces sempre que os mísseis volteiam ao longe, sempre que vês um brilho de luz no horizonte, sem saber se desta vez o míssil se dirige para ti. Estremeces sempre que ouves a explosão. Quantos amigos teus foram atingidos desta vez? (…)»

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