Há alguma coisa que trabalhar menos não resolva?

Em defesa do rendimento básico incondicional e de menos horas de trabalho: eis Utopia para Realistas o livro que vai revolucionar a sua forma de ver o mundo.
Utopia para Realistas
Capa do livro Utopia para Realistas, de Rutger Bregman
Uma premissa simples: é chegada a hora de voltarmos a pensar e a lutar pelas nossas utopias.
“No passado era tudo pior”, começa por afirmar Bregman no primeiro capítulo deste livro: “Ao longo de cerca de 99 por cento da História do Mundo, 99 por cento da Humanidade era pobre, faminta, suja, imbecil, doente e repugnante”.

Rutger Bregman é um dos pensadores mais populares da atualidade. Utopia para Realistas é o resultado de um trabalho sólido de investigação, recheado de histórias de sucesso, e indiferente às tradicionais clivagens entre esquerda e direita.
“Brilhante, exaustivo, verdadeiramente esclarecedor e facílimo de ler”, segundo Zygmunt Bauman, que o classificou também como “leitura obrigatória”.

Transcrevemos aqui alguns trechos:
"Porque devemos dar dinheiro a toda a gente"
Londres, maio de 2009. Está em curso uma experiência. Sujeitos: 13 homens sem-abrigo. São veteranos das ruas. Alguns dormem na calçada fria de Square Mile, o centro financeiro da Europa, há perto de 40 anos. Entre despesas de policiamento, tribunais e serviços sociais, estes 13 arruaceiros acumulam uma conta que se estima em 400 00 libras (450 000 euros) ou mais. Por ano. A sobrecarga nos serviços municipais e nas instituições de solidariedade social é demasiado grande para que as coisas continuem como estão. Por isso, a Broadway, uma instituição de caridade com sede em Londres, toma uma decisão radical: a partir de agora, os 13 vagabundos profissionais da cidade vão ter direito a tratamento de luxo. É o adeus a doses diárias de vales-refeição, sopas dos pobres e abrigos. Trata-se de um resgate drástico e instantâneo.
A partir de agora vão receber dinheiro de graça. Para sermos mais precisos vão receber 3000 libras (3400 euros) em dinheiro (…).
Um ano depois, tinham gastado em média apenas 800 libras (900 euros). (…) Ano e meio após o arranque da experiência, sete dos 13 vagabundos tinham um teto. Outros estavam prestes a mudar-se para o seu próprio apartamento. Todos os 13 tinham dado passos cruciais para a solvência e o crescimento pessoal.
(…)
Quanto custou? Cerca de 50 000 libras (56 500 euros) por ano, que incluem os salários dos assistentes sociais.

Um caso concreto.
Eis Bernard Omondi. Durante anos ganhou 2 dólares (1,5 euros) por dia numa pedreira, numa região pobre do Oeste do Quénia. Foi então que, certa manhã, recebeu no telemóvel uma mensagem bastante peculiar. (…) Acabara de ser depositado na sua conta bancária um total de 500 dólares (430 euros). Isso, para Bernard, representava quase um ano de salário. (…) Bernard investiu o seu dinheiro numa motorizada Bajaj Boxer da Índia novinha em folha e ganhava entre 6 a 8 dólares (entre 5 a 7 euros) por dia a transportar pessoas num táxi. O seu rendimento era mais do triplo.
Estudos de todo o mundo confirmam: dinheiro de graça resulta. (…) Há provas esmagadoras que levam a crer que uma enorme maioria das pessoas quereria mesmo trabalhar, precisassem ou não.
“Uma Semana de Trabalho de 15 horas”
No início do séc. XX, Henry Ford levou a cabo uma série de estudos que demonstraram que os operários das suas fábricas eram mais produtivos quando trabalhavam 40 horas por semana. Mais 20 horas de trabalho daria frutos durante quatro semanas, mas depois disso a produtividade decrescia.
Houve quem tivesse levado esta experiência mais longe. A 1 de dezembro de 1930, em plena Grande Depressão, o magnata dos cornflakes W. K. Kellogg deicidiu implementar o dia de trabalho de seis horas na sua fábrica de Battle Creek, no Michigan. Foi um êxito retumbante: Kellogg pôde contratar mais 300 trabalhadores e reduzir a taxas de acidentes em 41 por cento. Além do mais, os trabalhadores tornaram-se notoriamente mais produtivos. «Não se trata só de uma teoria nossa», afirmou Kellogg com orgulho a um jornal regional. «O custo de produção por unidade baixou tanto que podemos pagar por seis horas quanto pagávamos por oito». (…)

Pela primeira vez, noticiou um jornal da região, tinham «tempos livres a sério». Os pais tinham tempo para os filhos. Tinham mais tempo para dedicar à leitura, à jardinagem, ao desporto. (…)
O que Ford e Kellogg e Heath tinham descoberto é que a produtividade e longas jornadas de trabalho não andavam a par. Nos anos 80, os funcionários da Apple envergavam t-shirts que diziam: «Trabalho 90 horas por semana e adoro!» Peritos em produtividade estimaram posteriormente que, se tivessem trabalhado metade dessas horas, o mundo teria tido o revolucionário computador Macintosh um ano antes. (…)
Há pouco tempo um amigo perguntou-me: trabalhar menos resolve ao certo o quê?
Acho melhor inverter a pergunta: há alguma coisa que trabalhar menos não resolva? 




O trabalho é o refúgio de quem não tem nada melhor para fazer. Oscar Wilde (1854-1900)


Utopia para Realistas é uma reflexão profunda sobre temas atuais e fraturantes das sociedades modernas.
Bregman apresenta-nos perguntas e soluções, numa visita guiada ao rendimento e ao progresso.
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