Estes livros vão levá-lo a viver Barcelona
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11 de agosto de 2022
Em Barcelona o Sol nasce no mar e mergulha a cidade numa luz quente até se despedir atrás da montanha de Montjuic. As horas parecem ter mais tempo neste lugar feito de vida e movimento, como uma onda que vai subindo e descendo pelas ruas, bairros, montes e praias. Talvez por isso seja o ninho de tantas histórias vividas, tão doces que não lhes queremos pôr fim. Como a Catedral de Gaudí.
Em Barcelona os livros andam em todas as mãos e por todos os lugares. São parte da cidade, que é parte das suas pessoas. Os que lhe sugerimos aqui são uma janela para esse mundo e são esse mundo em si mesmos.
Em Barcelona os livros andam em todas as mãos e por todos os lugares. São parte da cidade, que é parte das suas pessoas. Os que lhe sugerimos aqui são uma janela para esse mundo e são esse mundo em si mesmos.
Simón
Este romance contemporâneo, mas que se desenrola ao longo de 40 anos, em mais de 400 páginas, conta a história de Simón desde que é menino, desde que se conhece ou tenta conhecer o seu lugar no mundo. Simón ama os livros. Através deles formou um laço visceral com Rico, o seu «primoirmão» mais velho, que lhe desvenda romances de espadachins e lhe oferece o desafio de descobrir os enigmas das personagens. Rico, que o adorava, brincava com Simón ao «Simão manda», porque assim o fazia sentir-se importante e no comando e não queria apenas que ele vivesse os livros, mas que também vivesse neles. É por isso tão duro para Simón enquadrar-se na continuação dos seus dias quando Rico desaparece, sem deixar rasto. Simón parte então à procura do primo, como quem procura uma parte de si que perdeu, servindo-se dos livros como estratégia de vida.
Neste romance pululam lugares, pessoas, desejos e memórias, numa jornada que vai da infância inocente à vida adulta crua e dura, mas sem nunca abandonar a ternura. Em pano de fundo, as mutações de Barcelona desde o deslumbre dos Jogos Olímpicos de 1992 até 2018, no rescaldo do sangrento ataque terrorista no coração da cidade. Simón procura, parte e regressa; sonha, desilude-se e recomeça.
Se Miqui Otero já era a voz juvenil de uma geração barcelonense, com os seus anteriores romances Raios e A Cápsula do Tempo, com Simón consolida-se como uma das figuras mais proeminentes e criativas da literatura espanhola. O escritor fecha o livro com um brinde ao impulso. E nós brindamos de volta, porque saímos desta história em modo consciente mas contemplativamente feliz.
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Neste romance pululam lugares, pessoas, desejos e memórias, numa jornada que vai da infância inocente à vida adulta crua e dura, mas sem nunca abandonar a ternura. Em pano de fundo, as mutações de Barcelona desde o deslumbre dos Jogos Olímpicos de 1992 até 2018, no rescaldo do sangrento ataque terrorista no coração da cidade. Simón procura, parte e regressa; sonha, desilude-se e recomeça.
Se Miqui Otero já era a voz juvenil de uma geração barcelonense, com os seus anteriores romances Raios e A Cápsula do Tempo, com Simón consolida-se como uma das figuras mais proeminentes e criativas da literatura espanhola. O escritor fecha o livro com um brinde ao impulso. E nós brindamos de volta, porque saímos desta história em modo consciente mas contemplativamente feliz.
A Sombra do Vento
Num cálida madrugada do verão de 1945, o pai de Daniel Sempere, na altura um menino de 10 anos, leva-o por uma ruela da cidade velha de Barcelona para lhe desvendar um segredo, que o jovem deverá guardar: o Cemitério dos Livros Esquecidos. Este lugar secreto e misterioso é «uma gigantesca biblioteca de geometria impossível», centenária, que guarda os livros abandonados pelo mundo, à espera de serem descobertos por alguém. Entre milhares de volumes, A Sombra do Vento, do barcelonense Julian Carax, desperta a curiosidade de Daniel. Fascinado por aquele autor desconhecido e pela sua obra, o menino decide procurar os outros livros de Carax e descobre que o exemplar que tem na sua posse pode ser o último que existe. Na sua busca, Daniel vê-se arrastado para uma teia de intrigas e segredos guardados numa camada obscura de Barcelona, e só a descoberta da verdade, com a ajuda de um leque de personagens singulares, pode salvá-lo a ele e aos que ama de um destino terrível.
Como em Simón, também aqui acompanhamos a passagem do protagonista de criança a adulto e, caso o tenhamos perdido, renovamos o nosso fascínio pelos livros e pelas suas histórias. Mas, neste livro, é na primeira metade do século que a ação se desenvolve, partindo do deslumbre da era modernista para a dor dos anos cruéis da Guerra Civil Espanhola e a sombra e o medo da ditadura de Franco. Encontramos portanto características de romance histórico em A Sombra do Vento, mas este é na sua essência um testemunho do amor aos livros do barcelonense Carlos Ruiz Zafón, o autor espanhol mais lido no mundo, depois de Cervantes e, incontestavelmente, um dos melhores romancistas contemporâneos, traduzido em mais de 40 línguas. A Sombra do Vento é o primeiro livro da tetralogia «O Cemitério dos Livros Esquecidos», a que se seguiriam O Jogo do Anjo, O Labirinto dos Espíritos e O Prisioneiro do Céu. Nas suas obras, Zafón lutou contra «a destruição da memória e toda uma indústria da falsificação da história para justificar o presente». E deixou-nos um legado que é uma declaração de amor à literatura.
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Como em Simón, também aqui acompanhamos a passagem do protagonista de criança a adulto e, caso o tenhamos perdido, renovamos o nosso fascínio pelos livros e pelas suas histórias. Mas, neste livro, é na primeira metade do século que a ação se desenvolve, partindo do deslumbre da era modernista para a dor dos anos cruéis da Guerra Civil Espanhola e a sombra e o medo da ditadura de Franco. Encontramos portanto características de romance histórico em A Sombra do Vento, mas este é na sua essência um testemunho do amor aos livros do barcelonense Carlos Ruiz Zafón, o autor espanhol mais lido no mundo, depois de Cervantes e, incontestavelmente, um dos melhores romancistas contemporâneos, traduzido em mais de 40 línguas. A Sombra do Vento é o primeiro livro da tetralogia «O Cemitério dos Livros Esquecidos», a que se seguiriam O Jogo do Anjo, O Labirinto dos Espíritos e O Prisioneiro do Céu. Nas suas obras, Zafón lutou contra «a destruição da memória e toda uma indústria da falsificação da história para justificar o presente». E deixou-nos um legado que é uma declaração de amor à literatura.
A cidade dos prodígios
Aqui o protagonista não é barcelonense de nascença, mas a sua vida é de tal modo uma sucessão de feitos de apego e entrega a esta cidade que todos achariam o contrário. Onofre Bouvila é um rapaz muito pobre que, ao chegar a Barcelona, arranja trabalho como distribuidor de propaganda anarquista aos operários da construção da Exposição Universal de 1888. Onofre trabalha também como vendedor de crescimento de cabelo para sobreviver nesta cidade em tumulto, agitada e ao mesmo tempo florescente, que vive dias de crescimento e transformação. O protagonista consegue, gradualmente, tornar-se num dos homens mais ricos de Espanha. Mas essa ascensão ao topo não é feita sem tropeços, o seu poder financeiro anda de mão dada com o seu poder criminal.
Nesta Cidade dos Prodígios, Mendoza criou um novo e muito original género de romance picaresco. Mergulhou nos mitos e nas pompas da capital catalã modernista para criar personagens e um enredo cativante. Apesar de fictícia, satírica e até lúdica, a história ajuda o leitor a compreender melhor a histórica e enraizada rivalidade entre castelhanos e catalães. O romance resgata a memória coletiva dos que viveram o tempo em que Barcelona se transformou numa grande cidade e é considerado um dos grandes romances espanhóis do século XX, tendo sido adaptado com mestria ao cinema.
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Nesta Cidade dos Prodígios, Mendoza criou um novo e muito original género de romance picaresco. Mergulhou nos mitos e nas pompas da capital catalã modernista para criar personagens e um enredo cativante. Apesar de fictícia, satírica e até lúdica, a história ajuda o leitor a compreender melhor a histórica e enraizada rivalidade entre castelhanos e catalães. O romance resgata a memória coletiva dos que viveram o tempo em que Barcelona se transformou numa grande cidade e é considerado um dos grandes romances espanhóis do século XX, tendo sido adaptado com mestria ao cinema.