Entrevista a Jenny Lecoat

17 de janeiro de 2020
Baseado numa história verídica de coragem e esperança, A Guerra de Hedy é o primeiro romance de Jenny Lecoat, que conta com mais de trinta anos de experiência na escrita para televisão e cinema.
Quisemos saber porque é que a autora, uma antiga comediante de stand-up, decidiu escrever um romance neste momento da sua vida e porque escolheu ambientá-lo na Segunda Guerra Mundial, um dos períodos mais tristes da nossa História. Saiba tudo nesta entrevista.



Jenny Lecoat
Jenny Lecoat
A Guerra de Hedy é o seu primeiro romance, mas, antes de publicá-lo, escreveu durante trinta anos para diversos formatos, incluindo filmes e televisão. Por que é que decidiu escrever um romance agora?
Tinha medo de arriscar num formato tão longo e exigente como é o romance, mas queria tentar antes de ficar demasiado velha para isso!
O romance tem algumas vantagens relativamente à escrita para filmes e televisão: é menos colaborativo, por isso controlo melhor o processo. Mas também exige muito trabalho que não é necessário no caso dos guiões, como a descrição física e os pensamentos das personagens.


Também já trabalhou como comediante de stand-up. Como é que, de todos os cenários possíveis, alguém que costumava fazer comédia decide escrever um romance ambientado durante a Segunda Guerra Mundial?
Deixei o stand-up há quase trinta anos e, embora inicialmente escrevesse comédia, tenho vindo a dedicar-me cada vez mais ao drama.
O meu interesse pela Segunda Guerra está sobretudo relacionado com o meu fascínio pela Ocupação das Ilhas do Canal, em grande parte devido à minha própria história familiar.


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A Guerra de Hedy é o romance de estreia da autora.

No seu romance, apesar da Guerra, Hedy, que é uma jovem judia, apaixona-se por Kurt, um tenente alemão. A Guerra faz-nos perceber de forma mais urgente a importância do amor? Ou as relações proibidas são mais excitantes?
A relação entre a Hedy e o Kurt vai muito para além do que normalmente se entende por “amor proibido”. Se forem apanhados, morrem. Acho que em circunstâncias como esta, o amor e a confiança são provavelmente a única forma de nos agarrarmos à esperança de um futuro.

Qual é o seu filme preferido acerca da Segunda Guerra?
É um cliché, mas, provavelmente, será Casablanca.


Fale-nos de um livro que mudou o seu percurso de vida.
Fast Food Nation, de Eric Schlosser, reúne todos os elementos da indústria moderna de alimentos - ciência, impacto social e ética. Li-o há quase vinte anos e desde então nunca mais comi fast food.




Qual é o cenário ideal para escrever?
Uma divisão silenciosa, em que seja possível fechar a porta. E o ideal é que esteja a chover lá fora, para que não me sinta tão tentada a sair.


Se pudesse jantar com uma personagem de ficção, quem escolheria?
O Atticus Finch, do romance Mataram a Cotovia, de Harper Lee. Especialmente se ele se parecesse com o Gregory Peck [que encarnou esta personagem na adaptação do livro para cinema de 1962].


Ler no banho: sim ou não?
Sim, mas ultimamente tenho tomado mais duches.


Prefere chá ou café?
Chá, claro. Sou britânica!


Qual é a sua paixão ou hobby mais surpreendente?
Com base nos últimos anos, suponho que tenho de responder que é renovar casas. Atualmente estamos a renovar um edifício dos anos setenta, o que tem sido uma experiência completamente nova.


O que é para si um dia perfeito?
Uma caminhada em South Downs, nadar no mar e depois jantar com o meu marido e com um grupo de amigos.


Se pudesse ter um superpoder qual é que escolhia?
Impedir milhares de pessoas de votar em idiotas.

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