Entrevista a António Carlos Cortez
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28 de setembro de 2017
Wook está na sua mesa de cabeceira?
Na minha mesa de cabeceira estão contas por pagar, dúvidas, perguntas, nenhuma ilusão e alguns ideais.
Pense numa pessoa. Wook diria essa pessoa sobre o seu livro Animais Feridos?
Dir-lhe-ia que este último livro precede o próximo. Que neste livro estão animais feridos...
Na minha mesa de cabeceira estão contas por pagar, dúvidas, perguntas, nenhuma ilusão e alguns ideais.
Pense numa pessoa. Wook diria essa pessoa sobre o seu livro Animais Feridos?
Dir-lhe-ia que este último livro precede o próximo. Que neste livro estão animais feridos...
António Carlos Cortez
Considera que o seu último livro é o melhor que escreveu até hoje?
Um livro, para mais de poesia, é uma lição de humildade. Não será o autor a responder, mas quem queira ler e depois queira dar o seu testemunho.
Escolhe os temas dos livros ou os temas escolhem-no a si?
Os meus livros nascem de situações de ruptura: comigo mesmo, com um outro, com o mundo. Os temas, sempre um pouco obsessivos (as palavras, o tempo, a violência, o corpo, a memória...) sobem à página, depois a linguagem assume um tom e eu procuro trabalhar a forma. Cito António Ramos Rosa: "não é o poeta que faz o poema. O poema é que faz o poeta".
Há algum tema sobre o qual não goste de ler ou escrever?
Não gosto de ler a enxurrada de livros de humor que têm aquela capa literata ou literária. Em tempo detergente convém não pactuar.
Há um provérbio sueco que diz: “Quando o livro é bom, o melhor está nas entrelinhas.” Concorda?
Se o provérbio for da academia do grande prémio que dizer? Sabem eles ler nas entrelinhas? Quando um livro é bom isso acontece porque na linguagem o leitor encontra o que, sem essa linguagem tensa, vibrante, criativa, jamais encontraria: emoção estética.
Já alguma vez sentiu que não vai acabar de escrever um livro?
Não escrevo romance. Nunca senti isso. Senti foi que, em diversas ocasiões, o livro não acrescentava nada... Na poesia, depois de um século XX tão marcante, não conseguir escrever um livro seria prova de consciência do passado literário. Como tenho essa consciência, a questão não é se se consegue acabar um livro, mas sim se esse livro dialoga e acrescenta nexos a um passado que devemos conhecer.
Qual é o seu poema favorito?
Se o poema favorito for um meu, talvez "napalm", ou "o nome negro"... Não sei dizer. Se for de outros autores, não chega uma página para fazer o elenco de poemas que me marcaram... Mas sei que o VIII poema de "O Guardador de Rebanhos", de Caeiro, "Ácidos e Óxidos de Ruy Belo, o soneto "rudes e breves as palavras pesam", de Carlos de Oliveira, ou os sonetos de Camões, as canções (as dez) ou Os Lusíadas (um longo poema de 8816 versos, 1102 estrofes!), a poesia de Cesário, Sena, sophia, a de Fiama e a de Gastao Cruz ou Luis Miguel Nava, a de Luis quintais... Bem... Não sei responder. E isto só se portugueses... Que dizer de Wallace Stevens, de alfonso costafreda e das letras do morrisey?... Leonard cohen e douglas dunn, poderei esquecer-me deles? E as letras de Renato russo, vocalista dos legião urbana?... Não dá pra responder.
Nomeie uma coisa que não gosta que lhe digam.
Não gosto que me digam coisas com diminutivos.
Qual é a pior e a melhor parte de ser escritor?
A pior parte: saber que na literatura "há um campo de manobras" (Cesário Verde). A melhor: "segundo o amor tiverdes tereis o entendimento dos meus versos" (Camões).
Se o dinheiro não fosse uma condicionante, onde optaria por fazer a pesquisa do seu próximo livro?
Na biblioteca de Jorge Luis Borges.
Se pudesse partilhar um jantar com qualquer autor (vivo ou morto), quem escolheria?
Para partilhar um jantar? Dos vivos: Chico Buarque ou Caetano Veloso. De certeza que haveria música e não falaríamos de literatura. Dos mortos? Camões: falar-se-ia da vida e da poesia. Aprenderia imenso, decerto.
Se tivesse um superpoder, qual seria?
O super-poder de Carlos Drummond de Andrade: o poder ultrajovem.
Wook gostaria de ler sobre si?
O que sobre mim tenho lido não está mal... Pra pior, antes assim.
Consegue nomear três autores que o inspiram?
Três autores? Não será a santíssima trindade, mas quase: Camões, Rimbaud, Ruy Belo. Ou Gastão Cruz, Baudelaire e Cesário... Posso continuar: de três em três...
Wook mal pode esperar para ler?
O orçamento de estado.
Wook tem vergonha de nunca ter lido?
O orçamento de estado.
Projectos para o futuro?
Continuar contra o Acordo Ortográfico. Continuar a lutar por uma educação mais culta na escola e na universidade. Viver com verdade.
Um livro, para mais de poesia, é uma lição de humildade. Não será o autor a responder, mas quem queira ler e depois queira dar o seu testemunho.
Escolhe os temas dos livros ou os temas escolhem-no a si?
Os meus livros nascem de situações de ruptura: comigo mesmo, com um outro, com o mundo. Os temas, sempre um pouco obsessivos (as palavras, o tempo, a violência, o corpo, a memória...) sobem à página, depois a linguagem assume um tom e eu procuro trabalhar a forma. Cito António Ramos Rosa: "não é o poeta que faz o poema. O poema é que faz o poeta".
Há algum tema sobre o qual não goste de ler ou escrever?
Não gosto de ler a enxurrada de livros de humor que têm aquela capa literata ou literária. Em tempo detergente convém não pactuar.
Há um provérbio sueco que diz: “Quando o livro é bom, o melhor está nas entrelinhas.” Concorda?
Se o provérbio for da academia do grande prémio que dizer? Sabem eles ler nas entrelinhas? Quando um livro é bom isso acontece porque na linguagem o leitor encontra o que, sem essa linguagem tensa, vibrante, criativa, jamais encontraria: emoção estética.
Já alguma vez sentiu que não vai acabar de escrever um livro?
Não escrevo romance. Nunca senti isso. Senti foi que, em diversas ocasiões, o livro não acrescentava nada... Na poesia, depois de um século XX tão marcante, não conseguir escrever um livro seria prova de consciência do passado literário. Como tenho essa consciência, a questão não é se se consegue acabar um livro, mas sim se esse livro dialoga e acrescenta nexos a um passado que devemos conhecer.
Qual é o seu poema favorito?
Se o poema favorito for um meu, talvez "napalm", ou "o nome negro"... Não sei dizer. Se for de outros autores, não chega uma página para fazer o elenco de poemas que me marcaram... Mas sei que o VIII poema de "O Guardador de Rebanhos", de Caeiro, "Ácidos e Óxidos de Ruy Belo, o soneto "rudes e breves as palavras pesam", de Carlos de Oliveira, ou os sonetos de Camões, as canções (as dez) ou Os Lusíadas (um longo poema de 8816 versos, 1102 estrofes!), a poesia de Cesário, Sena, sophia, a de Fiama e a de Gastao Cruz ou Luis Miguel Nava, a de Luis quintais... Bem... Não sei responder. E isto só se portugueses... Que dizer de Wallace Stevens, de alfonso costafreda e das letras do morrisey?... Leonard cohen e douglas dunn, poderei esquecer-me deles? E as letras de Renato russo, vocalista dos legião urbana?... Não dá pra responder.
Nomeie uma coisa que não gosta que lhe digam.
Não gosto que me digam coisas com diminutivos.
Qual é a pior e a melhor parte de ser escritor?
A pior parte: saber que na literatura "há um campo de manobras" (Cesário Verde). A melhor: "segundo o amor tiverdes tereis o entendimento dos meus versos" (Camões).
Se o dinheiro não fosse uma condicionante, onde optaria por fazer a pesquisa do seu próximo livro?
Na biblioteca de Jorge Luis Borges.
Se pudesse partilhar um jantar com qualquer autor (vivo ou morto), quem escolheria?
Para partilhar um jantar? Dos vivos: Chico Buarque ou Caetano Veloso. De certeza que haveria música e não falaríamos de literatura. Dos mortos? Camões: falar-se-ia da vida e da poesia. Aprenderia imenso, decerto.
Se tivesse um superpoder, qual seria?
O super-poder de Carlos Drummond de Andrade: o poder ultrajovem.
Wook gostaria de ler sobre si?
O que sobre mim tenho lido não está mal... Pra pior, antes assim.
Consegue nomear três autores que o inspiram?
Três autores? Não será a santíssima trindade, mas quase: Camões, Rimbaud, Ruy Belo. Ou Gastão Cruz, Baudelaire e Cesário... Posso continuar: de três em três...
Wook mal pode esperar para ler?
O orçamento de estado.
Wook tem vergonha de nunca ter lido?
O orçamento de estado.
Projectos para o futuro?
Continuar contra o Acordo Ortográfico. Continuar a lutar por uma educação mais culta na escola e na universidade. Viver com verdade.