Entrevista a Miguel-Manso
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20 de março de 2017
Escrever: dá energia ou tira energia?
Às vezes dá, outras vezes tira.
Escreveu: “o poema é antes de tudo um palco para gestos simples eu rego as flores de Junho”. Em que momento descobriu que tinha um poeta dentro de si?
É porventura congénito, e requer o mínimo de alarido.
Pense numa pessoa. Wook diria essa pessoa sobre o seu último livro?
Goethe. Pediria talvez: menos luz.
Às vezes dá, outras vezes tira.
Escreveu: “o poema é antes de tudo um palco para gestos simples eu rego as flores de Junho”. Em que momento descobriu que tinha um poeta dentro de si?
É porventura congénito, e requer o mínimo de alarido.
Pense numa pessoa. Wook diria essa pessoa sobre o seu último livro?
Goethe. Pediria talvez: menos luz.
O autor, Miguel-Manso
Considera que o seu último livro é o melhor que escreveu até hoje?
Interessam-me os livros quando ainda não são nem livros nem meus. Uma vez coisificados, o único que há a fazer é emendar e/ou perdoar-lhes.
Escolhe os temas dos livros ou os temas escolhem-no a si?
É um flirt mútuo, estou em crer.
Há algum tema sobre o qual não goste de ler ou escrever?
Com algumas (pouco honrosas) excepções: escrevo o que posso e leio o que quero.
Wook está na sua mesa de cabeceira?
O caos, e o Guimarães Rosa.
Há um provérbio sueco que diz: “Quando o livro é bom, o melhor está nas entrelinhas”. Concorda?
Concordo. E concordaria também com este, que acabo de inventar: “Quando o autor é bom, o melhor não vem nas entrevistas”.
Já alguma vez sentiu que não vai conseguir acabar de escrever um livro?
Geralmente acontece quando tenho de apanhar um avião.
Qual é o seu poema favorito?
Não tenho um. Nem poema, nem livro, nem autor. Tudo é demasiado impermanente para merecer o esforço da circunscrição.
Nomeie uma coisa que não gosta que lhe digam.
Tenho problemas com acusações de culpa, sobretudo se for realmente o culpado.
Qual a pior e a melhor parte de ser escritor?
Teremos de apontar, já se vê, o poucochinho dinheiro. Mas isso é ao mesmo tempo a pior e a melhor parte de ser um escritor (de poemas).
Se o dinheiro não fosse uma condicionante, onde optaria por fazer a pesquisa do seu próximo livro?
Gostaria muito de ser convidado a residir como poeta na NASA.
Se pudesse partilhar um jantar com qualquer autor (vivo ou morto), quem escolheria?
Matsuo Bashô, por exemplo, e sem falarmos muito.
Se tivesse um superpoder, qual seria?
Iluminação de interiores.
Wook gostaria de ler sobre si?
Sobre mim, nada. Dos livros, apenas o que fosse justo, por um lado; por outro, alguma coisa que mos clarificasse ou transformasse.
Que livros tiveram um profundo efeito em si?
Não posso dizer nada. Das perguntas comuns e anódinas esta é das que mais interfere com a intimidade.
Wook mal pode esperar para ler?
Não ter pressa, não perder tempo (já dizia o outro). O que tiver de ler lido será.
Wook tem vergonha de nunca ter lido?
É bom ter vazios, lacunas, preguiças, desencontros. É bom ter vergonha.
Projetos para o futuro?
O futuro tornou um estaleiro. Já só dá para fazer projectos para o passado.