Elsa Punset: «Boa parte do que está nas redes explora as nossas fraquezas humanas»

Estivemos à conversa com a especialista espanhola em inteligência emocional Elsa Punset.
A escritora ensina-nos, em mais de 400 páginas, pequenas revoluções para mudar de vida. Fique para ler.
Imagine uma pessoa. Quais seriam as três coisas positivas que essa pessoa diria sobre o «O Livro das Pequenas Revoluções»?
Uau! Que prático. Por que não li isto antes?

O que a inspira para escrever?
Eu gostaria que o quanto me custou aprender a conhecer-me e a administrar as minhas "tempestades" emocionais não caísse em ouvidos surdos... Quero que outras pessoas aproveitem e ganhem tempo, alegria e qualidade de vida!
Entrevista a Elsa Punset
Elsa Punset


O que mais a preocupa na sociedade atual?
Não me importo de batalhar, mas estou preocupada que ganhem - pelo menos temporariamente - o cinismo e a ganância.

Das 24 horas diárias, dormimos 8. Passamos 2 no trânsito ou em transportes. Mais 9 ou 10 no trabalho. O que nos resta, ao final do dia, são duas horas, se tanto, para fazer o jantar, estar com o/a nosso/a companheiro/a, com os nossos filhos. Somos absorvidos pela rotina, dia após dia. O que precisa de mudar?
Trate cada hora e espaço com o respeito que merece. Comemore-os! Não importa se está num autocarro, a jantar ou a trabalhar... preencha as suas horas com alegria e curiosidade. Se não gosta do seu trabalho, faça tudo o que puder para mudar. Decore o seu quarto para adorar chegar lá todas as noites e acordar de manhã. Expresse o seu amor à sua família com notas, uma chamada, uma carícia...

Mas depois olhamos para o lado, nas redes sociais, e as pessoas estão felizes e realizadas, como se vivessem numa bolha perfeita. Quais as consequências que esse mundo virtual idílico pode trazer? Porque a verdade é que há cada vez mais pessoas deprimidas...
A "realidade" das redes sociais manifesta-se mais a cada dia que passa: vidas adocicadas, notícias falsas, manipulação de dados... mas também a possibilidade de contatar e partilhar ideias e hobbies com milhões de pessoas em todo o mundo. Somos a primeira geração a viver vidas paralelas - online e offline - e estamos a aprender. Vamos aprender rapidamente! É importante equilibrar a nossa participação nas redes sociais com uma vida física ativa e real, e também é fundamental entender que boa parte do que está nas redes explora as nossas fraquezas humanas. Vamos aprender a não sermos vítimas disso!

Se o dinheiro não fosse uma limitação, onde escolheria fazer a pesquisa para o seu próximo livro?
Uff, eu adoro essa pergunta...! Se o dinheiro não fosse uma limitação... Vejamos… Sim: eu andaria à volta do mundo à procura de comunidades e projetos que pretendessem melhorar o bem-estar das pessoas. E, logo a seguir, partilharia esse conhecimento com o resto do mundo! Mas olhe, embora o dinheiro não fosse uma limitação, seria o momento, porque agora eu não poderia deixar a minha família sozinha por tanto tempo. [risos]

Mencione uma coisa que não gosta que lhe digam?
NÃO gosto de ouvir “não me importo” - natureza, animais, injustiças, desigualdades, mentiras, tristezas...

Que livros estão na sua mesa de cabeceira?
Há vários, gostaria de tirar uma foto! Mas agora estou a ler «O Messias das Plantas», de Carlos Magdalena, e um livro sobre gravuras japonesas (é uma das minhas paixões).

Imagine que poderia partilhar um jantar com um escritor, vivo ou morto. Quem escolheria?
Jane Austen. Agatha Christie. Elizabeth Gilbert.

Se tudo fosse tão simples como parece no seu livro (isto é um elogio!), por que é tão difícil alcançar a felicidade plena?
Boa pergunta! [risos] É verdade que, no Livro das Pequenas Revoluções, eu queria tornar o difícil muito acessível e simples. E isso é porque estou convencida de que, enquanto não entendermos o que está a acontecer dentro de nós, não podemos mudá-lo. Nós esforçamo-nos para gerir bem a nossa saúde física, certo? No que diz respeito à nossa saúde mental e emocional, basta começar a trabalhar, pouco a pouco, dia a dia. Espero que as 250 pequenas revoluções que proponho encorajem o leitor a fazê-lo!

Quais são as três palavras-chave para sermos pessoas melhores e mais satisfeitas?
Só três? [risos] Ok, eu escolho as do monge budista Thich Nhat Hanh: «Sorria, respire, vá devagar».

Se só pudesse escolher um único ritual dos 250 do livro, qual é absolutamente essencial para praticar todos os dias?
Nascemos com um cérebro programado para sobreviver, que procura, exagera e memoriza muito melhor o negativo do que o positivo. Então, eu tenho isto claro: o meu objetivo principal é treinar o meu cérebro para o positivo! O Livro das Pequenas Revoluções oferece muitas maneiras de fazê-lo - há rotinas para perder a vergonha, fazer face aos medos, desarmar a solidão, gerir a raiva e a tristeza, enfrentar o stress e a ansiedade, relaxar, descansar, celebrar, cuidar-me e mimar-me.

Quais são os livros que tem muita vontade de ler agora mesmo?
O último livro de Stephen Pinker. Mais uma vez, ele lembra-nos que temos uma sorte imensa em viver nesta era, porque praticamente todas as áreas das nossas vidas estão a melhorar: saúde, educação, igualdade, comunicação, etc, etc... E pela primeira vez, estamos todos convidados a participar para fazer um mundo melhor.

Que projetos tem para o futuro?
Não perder o meu centro, a minha paixão, o meu amor pelos outros, o meu desejo de ajudar. Encontrar novas formas de continuar a contribuir com um pouco de luz.
ELSA PUNSET DEIXA UMA MENSAGEM AOS LEITORES PORTUGUESES:
Elsa Punset: «Precisamos de nos cuidar ao longo de toda a vida.»

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