As «Palavras Sérias» de António Botto
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8 de fevereiro de 2018
PALAVRAS SÉRIAS
Espera-me ao fundo da rua
Que eu não demoro um segundo:
Habituei-me a ter medo
Das bocas más que há no mundo!
Falam de tudo e aproveitam
As aparências ligeiras
De coisas que são às vezes,
Palermices, brincadeiras,
Razões de pássaro tonto,
Ou bilha que se partiu
Quando se enchia na fonte
Talvez a pensar no rio
De água triste e abandonada
Pelas cachopas da aldeia
Que vão mais longe lavar?
Não dou ouvidos a nada:
Quem quiser pode falar:
Tu és sempre o meu amor;
És a minha maré-cheia
E eu este escravo do mar!
António Botto, Poesia
Espera-me ao fundo da rua
Que eu não demoro um segundo:
Habituei-me a ter medo
Das bocas más que há no mundo!
Falam de tudo e aproveitam
As aparências ligeiras
De coisas que são às vezes,
Palermices, brincadeiras,
Razões de pássaro tonto,
Ou bilha que se partiu
Quando se enchia na fonte
Talvez a pensar no rio
De água triste e abandonada
Pelas cachopas da aldeia
Que vão mais longe lavar?
Não dou ouvidos a nada:
Quem quiser pode falar:
Tu és sempre o meu amor;
És a minha maré-cheia
E eu este escravo do mar!
António Botto, Poesia