«De Ramo em Ramo», como os pássaros

Publicado pela primeira vez em 1994, em Ofício de Paciência, Eugénio de Andrade tem o «trabalho de fazer os versos que absolutamente ninguém consegue mais, hoje, entre nós, exercer assim. É fluir, transitório, em alteração e medida firme».
DE RAMO EM RAMO

Não queiras transformar
em nostalgia
o que foi exaltação,
em lixo o que foi cristal.
A velhice,
o primeiro sinal
de doença da alma,
às vezes contamina o corpo.
Nenhum pássaro
permite à morte dominar
o azul do seu canto.
Faz como eles: dança de ramo
em ramo.

Eugénio de Andrade, Ofício de Paciência

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