Amores Proibidos

Por Ana Bárbara Pedrosa
3 de junho de 2022
Da literatura de cordel à literatura universal, o que mais há são amores proibidos. Aqui seguem alguns casais que nos deixam sofrer com eles.

 
Heathcliff & Catherine Earnshaw
Pobres deles. Aqui vemos a vida a dar asneira. Heathcliff chega ao Monte dos Vendavais. Lá, conhece Catherine, a filha do dono. Assim dito, tudo parece fácil, mas estamos num romance britânico de 1847. Os dois começam uma relação às escondidas e a partir daí começa o drama. As personagens vão mudando, o amor também. Quando chega o ciúme, só se instala o sofrimento, e Heathcliff passa de herói romântico a anti-herói consumido por raiva. A personagem está construída em várias nuances, e não se percebe bem se há indícios de raiva desde tenra idade ou se foi o amor que se transformou em ciúme e o ciúme que transformou o amante.
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Anna Karénina & Conde Vronski
Anna Karénina é dos maiores romances de Tolstoi, e por isso também da história da literatura mundial. A personagem que dá nome ao livro é inesquecível e o mesmo se diz da forma detalhada como Tolstoi meteu nas mãos do leitor os detalhes da vida da aristocracia russa. No meio de tantas páginas, também temos o detalhe que pisca o olho ao leitor. Podemos andar entre salões faustosos, que o que interessa mesmo é saber o que se passa entre Anna Karénina e Vronski. No meio da alta sociedade, já há casamentos que funcionam como contratos que garantem muita coisa. Quebrá-los implica sempre ter muita vida em jogo. Ainda assim, a paixão entre os dois amantes vai nascendo como fogo imprudente mas que se vê obrigado a arder.
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Paul & Susan
Mais do que a proibição, é logo a premissa a agarrar. Paul, com 19 anos, apaixona-se por Susan, com 48. Se isto já tinha tudo para dar para o torto, que dizer do anel que ela tem no dedo? Conhecem-se e ali dentro tudo sabe a fresco, até a forma como ela apanha clichês e repetições. Se as décadas os separam, a família dela também, mas a atração de um pelo outro acaba por ser mais forte. Juntam-se e a partir daí vêm as consequências todas, tanto a rejeição da família dela como da dele, e mais ainda: passados uns tempos, a idade entre os dois interpõe-se e o alcoolismo dela também. Julian Barnes escreveu um livro calibrado em que uma página depois da outra significa chapada atrás de chapada.
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Madame Bovary & Rodolphe
É difícil não nos compadecermos de Emma Bovary. Parece bem casada, mas vemo-la mal casada. Charles é-lhe devoto, mas ela não lhe quer a devoção. E, por isso, seguimos a história de uma mulher aborrecida, amorosa e sexualmente frustrada, presa num casamento que lhe parece inútil e vazio. Pelo meio, vai tendo interesses aqui e ali, e um deles é por Rodolphe, que, como outros, a leva a cometer adultério. Ela está apanhada por ele. Ele, como vamos vendo, é um canalha com ela. No que lhe dá, tudo é dissimulação e cinismo. Ainda assim, Emma vê-o como a chance de escapar à lassidão da vida.
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Philippe & Thomas
Aqui, Philippe e Thomas têm a mesma idade e são os dois solteiros. O que os separa é afinal o que os une: sendo dois rapazes, o que se passa à volta é o que os lixa. Vão sofrendo a vida em silêncio, atraídos um para o outro como ímanes. Para além do sofrimento que deriva de se amarem no escuro, de não poderem admitir nada perante o outro, de até fingirem a sós, o leitor ainda vai sentindo a dor de uma relação que se percebe a priori que tem prazo de validade – ainda que a paixão ali vivida venha a fazer mossa a vida inteira. Sabemos, desde o início, que um deles sairá daquela aldeia, que o outro ficará a pensar nele. Mas é a partir do primeiro que vemos a história. Já adulto, Philippe encontra na estação um rapaz igual ao seu primeiro amor. A partir daí, há um mergulho no passado.
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