Alice Munro, uma vida a contar as nossas histórias
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Alice Munro, laureada com o Prémio Nobel em 2013 e considerada uma das maiores escritoras de contos em língua inglesa, morreu esta semana aos 92 anos, deixando um legado literário ímpar.
Ao longo de mais de 40 anos, Munro retratou tanto o desejo como o lado obscuro da vida quotidiana no Canadá rural, em particular a das mulheres – temas que estavam há muito fora de foco para a corrente dominante, e que acabram por lhe granjear o reconhecimento unânime mais tarde na vida da autora – entre os muitos prémios que distinguem a sua obra, destaca-se o Man Booker International Prize em 2009, além do Nobel.
Ao longo de mais de 40 anos, Munro retratou tanto o desejo como o lado obscuro da vida quotidiana no Canadá rural, em particular a das mulheres – temas que estavam há muito fora de foco para a corrente dominante, e que acabram por lhe granjear o reconhecimento unânime mais tarde na vida da autora – entre os muitos prémios que distinguem a sua obra, destaca-se o Man Booker International Prize em 2009, além do Nobel.
Nascida em Ontario, no Canadá, antes de se tornar escritora Munro tinha já trabalhado como bibliotecária e aberto, com o primeiro marido, uma livraria, em Victoria. Escrevia desde a adolescência, mas tinha receio de divulgar o que criava. Disse que começou a escrever contos porque «não tinha tempo para escrever mais nada – tinha três filhos». Munro escrevia entre as sestas e as tarefas domésticas, tendo publicado a sua primeira coleção de contos, Dance of the Happy Shades, em 1968, aos 37 anos.
Habituou-se a escrever histórias curtas e achava que nunca iria escrever um romance. Mas escreveu, um único, em 1971: Vidas de Raparigas e Mulheres, uma obra perspicaz e sincera, em parte autobiográfica, que retrata a vida de uma jovem na zona rural do Ontario nos anos 40, no que a autora considerou «uma coleção de histórias interligadas».
Habituou-se a escrever histórias curtas e achava que nunca iria escrever um romance. Mas escreveu, um único, em 1971: Vidas de Raparigas e Mulheres, uma obra perspicaz e sincera, em parte autobiográfica, que retrata a vida de uma jovem na zona rural do Ontario nos anos 40, no que a autora considerou «uma coleção de histórias interligadas».
Ter nascido numa pequena cidade canadiana deu a Munro a inspiração para usar o ambiente que, lhe era tão familiar, como cenário para tantas das suas histórias. Nos seus contos, género a que se dedicou-se quase exclusivamente, acomodando, «em poucas páginas», e de forma magistral, a «complexidade épica do romance», como referiu o comité Nobel.
Os problemas de relacionamentos e os conflitos morais atravessam as suas narrativas, em que explora como mesmo acontecimentos triviais podem ter grandes impactos na vidade de alguém, e a maneira imprevisível como homens e mulheres os transcendem. Delicadamente intrincadas, as suas histórias movem-se para trás e para a frente no tempo, e também entre a realidade e a memória. As vidas que retrata são, como todas as vidas, cheias de começos, paragens e reviravoltas.
Com o seu subtil entendimento das vidas normais, Alice Munro tornou-se uma contadora de histórias extraordinárias sobre pessoas comuns, adentrando os recantos mais íntimos das suas vidas. Porque estas escrevem, por nós, os nossos próprios romances.
Os problemas de relacionamentos e os conflitos morais atravessam as suas narrativas, em que explora como mesmo acontecimentos triviais podem ter grandes impactos na vidade de alguém, e a maneira imprevisível como homens e mulheres os transcendem. Delicadamente intrincadas, as suas histórias movem-se para trás e para a frente no tempo, e também entre a realidade e a memória. As vidas que retrata são, como todas as vidas, cheias de começos, paragens e reviravoltas.
Com o seu subtil entendimento das vidas normais, Alice Munro tornou-se uma contadora de histórias extraordinárias sobre pessoas comuns, adentrando os recantos mais íntimos das suas vidas. Porque estas escrevem, por nós, os nossos próprios romances.
Alice Munro, em declarações ao New York Times (1986):
«A auto-ilusão parece quase como algo que é um grande erro, que deveríamos aprender a não fazer. Mas não tenho a certeza se podemos. Toda a gente está a fazer o seu próprio romance da sua vida. O romance muda – no início temos um romance muito satisfatório que tem uma técnica bastante simples, e depois saímos disso e acabamos com um tipo de romance muito descontínuo, discordante e muito contemporâneo. Penso que o que acontece a muitos de nós na meia-idade é que já não conseguimos agarrar-nos à nossa ficção.»
«A auto-ilusão parece quase como algo que é um grande erro, que deveríamos aprender a não fazer. Mas não tenho a certeza se podemos. Toda a gente está a fazer o seu próprio romance da sua vida. O romance muda – no início temos um romance muito satisfatório que tem uma técnica bastante simples, e depois saímos disso e acabamos com um tipo de romance muito descontínuo, discordante e muito contemporâneo. Penso que o que acontece a muitos de nós na meia-idade é que já não conseguimos agarrar-nos à nossa ficção.»