Albert Camus, existir como um ato de rebeldia

Albert Camus
A literatura pode não ter todas as respostas, mas, quando um livro é bom, formula as grandes questões de forma exemplar.
Sessenta anos após a sua morte, Albert Camus continua a interpelar leitores por todo mundo. Todos os dias novos leitores se arrepiam quando Meursault prime o gatilho ou quando Clamence confessa a um estranho num bar que poderia (talvez?) ter salvo uma vida. Camus confronta-nos uma e outra vez com o absurdo da existência e, contudo, resiste ao niilismo defendendo que «os homens são mais bons do que maus.»
Nascido em 1917, na Argélia, filho de pais pobres, Camus formou-se em filosofia e trabalhou depois como repórter até se mudar para Paris onde se divide entre o jornalismo, o teatro e a escrita. Aí vai juntar-se à Resistência Francesa e travar a amizade com Sartre, o nome maior do existencialismo francês. Em 1942, Camus publica duas das suas obras mais importantes: O Mito de Sísifo , um ensaio sobre o absurdo, e O Estrangeiro, um romance sobre um jovem alienado do mundo que o rodeia. A partir daqui sucedem-se obras tão relevantes como A Peste , A Queda ou O Homem Revoltado, ensaio que viria a pôr fim à sua relação de amizade com Sartre.
«Os grandes romancistas são romancistas filósofos.» O Mito de Sísifo (1942)
Em 1957, Camus torna-se um dos mais jovens escritores a receber o prémio Nobel da Literatura por uma obra que, nas palavras da Academia, «ilumina os problemas da consciência humana no nosso tempo», mas viria a morrer apenas três anos depois num trágico acidente. Camus seguia de carro com o seu editor Michel Gallimard ao volante quando chocaram contra uma árvore. No bolso de Camus, encontrou-se um bilhete de comboio por utilizar.

A obra, contudo, permaneceu. Em 1967, o famoso realizador italiano Luchino Visconti adapta O Estrangeiro ao cinema e ao longo dos anos são publicadas obras póstumas como A Morte Feliz ou O Primeiro Homem. A influência prolonga-se até aos dias de hoje como prova Fernando Aramburu confessando que convidaria Camus para jantar. Já Isabel Rio-Novo admite que «tem mais efeito sobre mim uma página de Camus do que um livro inteiro de Sartre». e escolhe O Estrangeiro como um dos livros da sua vida, enquanto Bruno Vieira Amaral elege A Peste fazendo notar:
«Às vezes duvido que haja nos homens mais coisas a admirar do que a desprezar, mas depois volto a ler A Peste e, uma vez mais, tenho de concordar com Camus. Se não pudermos ser heróis, que sejamos médicos, eis a sábia lição contida nestas páginas.»

No confronto do humano com o absurdo de um universo silencioso e sem significado, Camus recusa o suicídio. Perante a impossibilidade de alcançar um sentido, Camus desafia o leitor a aceitar o absurdo e a ainda assim admitir que a vida vale a pena. Rejeitando o desespero e considerando a liberdade como bem maior, o autor de O Estrangeiro defende a rebelião contra todas as formas de injustiça e a paixão pela vida.
LIVROS ESSENCIAIS
MITO DE SÍSIFO «Só há um problema filosófico verdadeiramente sério: é o suicídio. Julgar se a vida merece ou não ser vivida, é responder a uma questão fundamental da filosofia.» Publicado em 1942, O Mito de Sísifo – com o subtítulo «Ensaio sobre o Absurdo» – é uma obra indispensável para compreender as bases do pensamento filosófico do autor. A PESTE Um rato morto é o primeiro sinal de uma peste que se abate sobre a cidade de Orão na Argélia. Através de um mosaico de várias personagens, com destaque para o médico Bernard Rieux, Camus cria uma parábola sobre a condição humana e a morte. O PRIMEIRO HOMEM Inédito durante mais de trinta anos, a última obra de Camus, deixada inacabada, conta a história de Jacques Cormery, um rapaz cuja infância é marcada pela pobreza e pela morte do pai. Com fortes traços autobiográficos, este é o romance a que Camus chamou o seu Guerra e Paz.

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