Ainda há histórias de jeito sobre o Natal?

Por Ana Bárbara Pedrosa
21 de dezembro de 2023
Ninguém me culpe. Também eu sou vítima do espírito natalício. Comigo, começa no início de setembro e só acaba lá para maio. Isto significa que só tiro o Verão de férias. Todos os anos, é o mesmo e, magia das magias, nunca se esgota. Vamos lá ver o que ler sobre o Natal.

 
O livro do Natal
Se é O livro do Natal, lê-se no Natal e pronto. Eu, pelo menos, cumpro a coisa à risca: luzes baixas, uma manta qualquer, um pinheiro enfeitado com luzes, bebidas quentes com canela ou açafrão ou eu sei lá. E, claro, um livro que me ajude ainda mais a imbuir-me da atmosfera. Para crianças e adultos, é um hábito que não cai. E, para o fazer, só começando do início. Em vez de a papel, este livro cheira a lareira, e é daqueles casos em que não faz mal aproximar do lume. No livro, a autora vai fazendo as histórias que importam, desde receitas de doces natalícios a uma entrevista ao Pai Natal. Já que escapa sempre pelo buraco da fechadura ou pela chaminé, talvez só assim se possa ouvi-lo em discurso direto...
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Os animais de Natal
Este livro é recomendado para apoio a projetos relacionados com o Natal entre o terceiro e o sexto ano de escolaridade. Mas, já agora, quem não andar por esses anos pode ler na mesma. Junta-se a leitura ao Natal e quem gostar de animais tem mais um bónus. Ainda por cima, são animais dos divertidos: há os camelos a calcorrearem vagarosamente o mundo, um burro que tem muito de esperto, uma vaca que ombreia com lobos à luta. As histórias são originais, dando um cunho novo e fresco a uma coisa antiga, e a familiaridade do Natal alia-se ao voo da descoberta. Os animais, em vez de peças decorativas do presépio, já são personagens em pleno que o leitor pode conhecer.
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À Descoberta do Natal
Este senhor Francisco não parece nada o senhor Scrooge. É que, ao contrário da personagem de Dickens, o homem é uma alegria dia e noite, e cada dia e cada noite também são uma alegria. As conversas com os clientes na mercearia são alegres, e o mesmo se pode dizer das brincadeiras com as crianças no parque. Quando chega a casa, também se diverte com os animais de estimação. Mas, e aqui já parece o senhor Scrooge, o senhor Francisco não gosta do Natal. Parece impossível, mas a noite mais feliz do ano é, para ele, a mais triste do ano.
Ora, sendo isto um mistério, há que resolvê-lo, que é o que o livro faz. Para o resolver também, o pequeno leitor só tem de se munir da lupa de detetive chamada olhos e descobrir o fim da história.
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Gloria in Excelsis – As Mais Belas Histórias Portuguesas de Natal
E agora chegamos a um público já com idade para recordar e viver em vez de só viver. Aqui, Vasco Graça Moura escolheu mais de quarenta histórias natalícias, vindas das mãos dos grandes clássicos portugueses dos dois séculos passados. Ao lê-lo, parece que a história literária nos entra em catadupa. Eis alguns exemplos dos escritores reunidos neste livro, todos de leite com especiarias na mão (até quem não gostava de leite e menos ainda do Natal): Ramalho Ortigão, Eça de Queirós, Fialho de Almeida, Raul Brandão, Aquilino Ribeiro, Ferreira de Castro, José Régio, Vitorino Nemésio, Gaspar Simões, Miguel Torga, Alves Redol, Sophia de Mello Breyner, Jorge de Sena, Saramago.
Ora, com tantas mãos a escrever, claro que também os olhares são muitos. Assim, quem mergulha no livro entra numa viagem, ou então numa visão caleidoscópica. De tantas cabeças, só pode vir muita coisa boa, e diferente: há o Natal como festa religiosa e como celebração secular, um paralelismo constante entre riqueza e pobreza, a evocação do passado e a perda, a ausência como presença constante, a alegria e a tragédia que existem ao mesmo tempo. Só nunca falta uma coisa: esta noite de Inverno.
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Auto-Retrato do Escritor Enquanto Corredor de Fundo
JaJamie Oliver tem a capacidade de transformar qualquer migalha num banquete. Aqui, já parece inclinado para o banquete a priori. Para quem, ao contrário de mim, não come sempre a mesma coisa, o livro funciona como sugestões para as papilas gustativas.
De pratos a molhos ou a sobremesas, tudo existe, incluindo opções vegetarianas e veganas. Ninguém fica de fora da mesa de Natal, incluindo quem se vira para as saladas. Numa viagem gastronómica, até ideias para bebidas lá estão. Em vez de se focar só na noite de 24 de dezembro, ou no almoço de 25 de dezembro, dependendo dos hábitos, Jamie Oliver aproveita e faz sugestões para as várias refeições da quadra. Tantos alimentos ao lume, convém dizer, cheiram sempre a lareira.
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