A prisão do vício

Por Ana Bárbara Pedrosa
17 de janeiro de 2020
São difíceis de esquecer, as histórias de quem se vicia sem hipótese de retorno. Em alguns livros, temos histórias inventadas ou testemunhos de quem passou pela circunstância de servidão a uma substância. Podem valer como texto, como capacidade de transmitir o real, mas, mais do que isso, servem de alerta.



A LUA DE JOANA
Li-o várias vezes em criança e, para além do engajamento com as personagens, o mais forte era mesmo o medo que tinha de me viciar nalguma coisa para lá da hipótese de recuperação. Joana perdera a melhor amiga e via o irmão desta, também no luto, a meter-se pelo mesmo caminho. O leitor vê a sua dor e a sua aflição, vendo-a ainda seguir-lhe os passos. Mas, como tudo sabe a erro, o livro sabe a alerta. Em A Lua de Joana, a forca é a prisão do vício. Começa-se pela curiosidade e depois já não dá para se sair de lá, o vício dita o caminho, os amigos, a vida – a morte. Escrito para crianças, creio que esta livro de Maia Gonzalez assustou uma geração inteira. O susto que me deu ainda dura.
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OS FILHOS DA DROGA
Quando nasci, já este livro era obrigatório, marcando ainda hoje tantos jovens – e tantos adultos também. Aqui, assistimos à vida de uma adolescente que vê a vida descambar. Começou por um charro, escalou, acabou a prostituir-se para pagar a heroína. Ao vermos a vida de Christine pelos olhos da mãe, levamos com o impacto da deterioração e da degenerescência de alguém, e vemos como é fácil romper os alicerces através da cedência e do experimentalismo. Por muito estruturada que a vida seja, uma substância que nos rompa pelo vício pode romper tudo a seguir.
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Beautiful boy
Foi publicado em 2008 e é um sufoco. O testemunho do vício de um rapaz pelos olhos do pai é aflitivo, opressivo. Nic perdeu-se na droga, e para o pai é difícil voltar a trás e traçar o caminho, perceber o que aconteceu à sua criança e à família, cogitar sequer o que poderia ter feito de outra forma. O filho ficou viciado e as várias tentativas de recuperação só adensavam o desespero. O pai, ao vê-lo, ainda via a criança inteira: o bom aluno, o filho alegre, o praticante de desporto. Quando o vício chegou, tudo mudou. Vieram as mentiras, as fugas, os roubos, a vida na rua. Ao pai, coube uma preocupação excessiva, ficando também ele preso no vício, recusando-se a desistir de um filho que estava na boca do abismo.
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