3 romances para ler no Outono
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@literacidades
17 de janeiro de 2020
Ainda que o sol continue a dar ares da sua graça e que o tempo esteja ameno, a verdade é que o outono está aí. E nem tudo é regresso ao trabalho e à escola. Há os domingos no sofá, as mantas quentinhas e os deliciosos aromas dos chás, que passam a povoar as casas. a pensar nisso, hoje trazemos-lhe três sugestões para um outono que há de chegar em breve e que, que como todos os verdadeiros apaixonados por livros sabem, é o tempo ideal para ler.
JUNTOS
Não há emojis suficientes para descrever o quanto este livro nos encantou. Na capa vemos um homem e o seu cão, que o olha com aquela expressão que tão bem conhecemos nos nossos amigos de quatro patas. E expressão é palavra que importa aqui. A expressão que Luke Adam Hawker imprime aos seus desenhos faz-nos querer demorar naquelas linhas, observar, voltar atrás, saborear cada imustração, porque há sempre mais algum pormenor para descobrir.
O tom das imagens e do texto de Marianne Laidlaw (traduzido para português por Valter Hugo Mãe) abraça as imagens na perfeição e é quase impossível não ficarmos cada vez mais aconchegados à medida que vamos avançando nas páginas. Logo no início, Juntos diz-nos que «a vida pode parecer uma máquina que não se detém. Não há tempo para parar. O relógio corre, e nós precisamos sempre de chegar a algum lugar.» E é precisamente de um tempo de pausa que nos fala esta história, que tem o avô e o cão do autor como personagens principais. Subitamente, uma tempestade assola o mundo em que vivem, forçando-os a permanecer em casa, longe de todos, mas mostrando que a casa de cada um pode ser um mundo de aventuras e descobertas. No entanto, não há nada que supere o abraço, o estar juntos, depois de um longo período de isolamento. Consegue encontrar alguma semelhança com a realidade do último um ano e meio? Garantimos que não é coincidência.
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O tom das imagens e do texto de Marianne Laidlaw (traduzido para português por Valter Hugo Mãe) abraça as imagens na perfeição e é quase impossível não ficarmos cada vez mais aconchegados à medida que vamos avançando nas páginas. Logo no início, Juntos diz-nos que «a vida pode parecer uma máquina que não se detém. Não há tempo para parar. O relógio corre, e nós precisamos sempre de chegar a algum lugar.» E é precisamente de um tempo de pausa que nos fala esta história, que tem o avô e o cão do autor como personagens principais. Subitamente, uma tempestade assola o mundo em que vivem, forçando-os a permanecer em casa, longe de todos, mas mostrando que a casa de cada um pode ser um mundo de aventuras e descobertas. No entanto, não há nada que supere o abraço, o estar juntos, depois de um longo período de isolamento. Consegue encontrar alguma semelhança com a realidade do último um ano e meio? Garantimos que não é coincidência.
NINGUÉM ESCREVE AO CORONEL
Ninguém Escreve ao Coronel é o segundo romance de García Márquez e lê-se num ápice. Mas nem por isso deixa de ser uma experiência que nos devolve todo o calor dos trópicos. E não é mesmo disso que vamos precisar quando o outono chegar? É um livro pequeno, mas que nos envolve no enredo e onde as personagens não deixam nunca que percamos a atenção. A ingenuidade do coronel mistura-se com uma esperança de uma doçura sem par. É impossível não sentirmos uma imensa compaixão por este homem que espera diariamente por uma carta que nunca chega e uma mistura de irritação e pena pela sua esposa. Mas também a ideia da renovação, tão ao gosto de Márquez, através do jovem médico, e de raiva pelo ricaço corrupto. Somos levados a sentir respeito por um tal galo, que ao longo do texto é sinal de esperança, saudade, desespero, e do qual ao coronel lhe custa livrar-se. Como se, ao fazê-lo, se livrasse também de uma réstia de dignidade própria e definitivamente perdesse o sentido daquela espera. Ficamos com vontade de conversar com este homem, decidido, duro, esperançoso, justo, mas também extremamente doce e vulnerável. A última palavra do livro é surpreendente e resulta de um estado de exasperação total, algo que o leitor não espera, pela sobriedade que a figura do coronel impõe, mas que ao mesmo tempo parece pedir, o leitor, que a todo o momento aconteça.
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AS PAIXÕES DE JULIA
Se anda com vontade de ler um romance divertido, com uma escrita leve mas cuidada, nada melhor do que conhecer Julia, esta excêntrica atriz inglesa tão dada a paixões. A escrita de Maugham, autor do célebre Servidão Humana, entre outros livros que fazem parte do melhor da literatura mundial, encontra aqui momentos de humor e descontração: as tiradas altivas de Julia, o seu descaso com o que dizem dela, a certeza de ser a melhor atriz de Inglaterra, os diálogos e as falas interiores, onde revela o que realmente queria dizer, tudo isto é uma delícia.
Numa Inglaterra conservadora, Julia destrói a ideia da infidelidade, nunca havendo a necessidade de uma reflexão sobre o tema em si. Esta atriz de ego inflado é sobretudo uma mulher que faz o que lhe apetece e que junta ardis para prender as restantes personagens na sua teia, não importando se se trata do seu filho, marido ou amante(s). Há, no entanto, algo de ingénuo nesta mulher furacão que é tão doce e que nos leva a gostar dela e a ficarmos felizes com a sua superação. O final é surpreendente e prova, por fim, que, se calhar como todos nós, a verdadeira Julia encontra-se quando conclui que ela própria é a sua melhor companhia. O tema da imagem que passamos, da idealização da ditadura da verdade e do «teatro» em que cada um de nós vive a sua vida são pontos essenciais do livro de Maugham.
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Numa Inglaterra conservadora, Julia destrói a ideia da infidelidade, nunca havendo a necessidade de uma reflexão sobre o tema em si. Esta atriz de ego inflado é sobretudo uma mulher que faz o que lhe apetece e que junta ardis para prender as restantes personagens na sua teia, não importando se se trata do seu filho, marido ou amante(s). Há, no entanto, algo de ingénuo nesta mulher furacão que é tão doce e que nos leva a gostar dela e a ficarmos felizes com a sua superação. O final é surpreendente e prova, por fim, que, se calhar como todos nós, a verdadeira Julia encontra-se quando conclui que ela própria é a sua melhor companhia. O tema da imagem que passamos, da idealização da ditadura da verdade e do «teatro» em que cada um de nós vive a sua vida são pontos essenciais do livro de Maugham.