Luís Osório escreve, em Postal do Dia, retratos de vidas que nos tocam bem fundo

Por Vera Dantas
13 de novembro de 2024
Há cinco anos, Luís Osório começou a escrever o Postal do Dia para a Antena 1 – crónicas cuja pequena dimensão em nada diminui o impacto enorme que podem ter em quem as ouve ou, agora, lê. O que é dito em 2 minutos, fica connosco muito tempo.
Dos mais de mil textos que escreveu desde 2019, Osório compilou cerca de uma centena para este livro, com a harmonia do conjunto como critério orientador. São, diz ele, uma ferramente contra o populismo e a ditadura do ressentimento, e também um retrato das coisas boas e más que as pessoas têm.
O primeiro postal é sobre uma figura que quase todos os portugueses conhecerão: o “Emplastro”, aquele homem que aparece muitas vezes atrás de alguém nas reportagens da TV. Mas é mais do que isso, e era preciso que Luís Osório contasse a sua história. Em poucas linhas, apresenta-nos uma vida feita de retalhos de pobreza, o que, ao contrário da ousadia bem-disposta de Fernando Jorge – é esse o nome da pessoa que vemos – não dá vontade nenhuma de rir.
De uma primeira parte em que conta vidas de muita pobreza e dor, Luís Osório passa para uma segunda, que dedica a figuras conhecidas. Da pintora Armanda Passos, ficamos a saber como Goji, o seu jovem cão de olhos sábios, morreu de desgosto após a partida da sua «mãe».
E outras histórias de amor são contadas, como a de Jorge Silva Melo e Luís Miguel Cintra. Da terceira à décima parte, o rol de protagonistas dos postais desenrola-se com serenidade, cada um no seu tempo e espaço, cada qual com uma homenagem que, estamos certos, gostarão (ou gostariam, no caso dos que já não estão) de ler. Mesmo os filhos do autor, que «parecem nascer para testar os nossos limites. Os limites do quanto é possível amar» ou «temer».


UM POUCO MAIS SOBRE LUÍS OSÓRIO

Luís Osório (1971) tem onze livros publicados, o mais recente dos quais A Última Lição de Manuel Sobrinho Simões. É cronista na Antena 1, com o Postal do Dia. Foi diretor de jornais e de uma estação de rádio. É consultor político e empresarial. Fez ainda a adaptação para teatro de Ficheiros Secretos – Histórias Nunca Contadas da Política e da Sociedade Portuguesas.

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