Crónicas e memórias
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As crónicas são a narrativa dos tempos. A dos tempos de um país, de uma sociedade, de uma pessoa. Partem da memória do escritor, ou da análise que faz do que o rodeia. São textos curtos, mas nem por isso menos impactantes.
Deriva
Após o sucesso do seu primeiro romance, Leme, uma autêntica mordida de tubarão, pela forma crua com que relata um momento da sua vida, Madalena Sá Fernandes entrega-nos estas breves pinceladas de genialidade. Em Deriva, encontramos um conjunto de crónicas que foram sendo publicadas em órgãos de imprensa nacional, mas também alguns inéditos da autora. Viajamos entre um humor que brinca com as convenções, passamos por parágrafos que nos emocionam, outros que provocam e, outros ainda, de um lirismo muito particular. Estamos no território do detalhe, da observação precisa, de uma ironia que não passa despercebida e que confirmam Madalena Sá Fernandes como uma das mais importantes vozes literárias portuguesas da atualidade.
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As 100 melhores crónicas
Um trabalho hercúleo, este o de escolher apenas cem crónicas entre os provavelmente milhares de textos geniais escritos pelo MEC, como é conhecido o autor deste livro. São crónicas que tinham o condão de pôr Portugal a falar delas no dia em que eram publicadas, mexendo num país que precisava de ser picado, que temia o humor cáustico e que se fechava numa roupagem de conformidade a que Miguel Esteves Cardoso nunca prestou vénia. É curiosa, no entanto, a sua inegável atualidade e como ainda faz falta esta voz que desinquieta, própria dos melhores entre os melhores. Neste livro encontramos um leque de emoções amplo, expostas em textos que são a voz de muitos os que questionam o mundo e para os quais não existem temas intocáveis.
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Autobiografia não autorizada 2
A ideia de escrevermos sobre nós mesmos sem para isso termos a nossa própria autorização não é tão confusa quanto parece. A crónica não tem de obedecer à verdade dos factos, como outros géneros jornalísticos. Não existe um dever para com a imparcialidade. Pede-se ao cronista precisamente o contrário: que leia para lá do óbvio, que apresente pontos de vista, que celebre a opinião. Dulce Maria Cardoso fá-lo com a perícia de quem domina as palavras ao ponto de as pôr a dizer exatamente o que elas querem dizer, sem descurar um mundo de interpretações e riqueza estilística. Nestas crónicas, a escritora vai sobretudo às suas memórias, misturando o normal com o excecional, revisitando uma ironia e uma acutilância muito próprias, com as quais nos tínhamos já deliciado no primeiro volume desta sua autobiografia.
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Todas as crónicas
Quem gosta de ler o que escreveu Clarice Lispector é geralmente um advogado de defesa da autora, empenhado em seduzir outros leitores para a profundidade da sua escrita. Mas Lispector pode não ser fácil à primeira vista. Entramos num mundo denso, os sentimentos esdrúxulos, o torpor dos tempos nas suas palavras. Uma escrita onde a complexidade anda de mãos dadas com uma sensação de que pouca coisa está bem no mundo e na vida, há que mudar tudo, mesmo tendo aquele burburinho de desistência a soprar no ouvido. Este livro pode ser uma boa entrada para o mundo de Clarice Lispector. A estas crónicas não falta o seu jeito, está lá tudo. Mas, pelas características do próprio género, acreditamos que será um primeiro encontro bem-sucedido com a autora. E, depois, não há como não querer um segundo.
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