Editor: Guimarães Editores, junho de 2009 ‧
«Werther» representa uma das obras mais embelemáticas, precursora do Romantismo, na referência de todo o enamoramento sem esperança. O jovem Werther sofre, desespera e descreve o seu amor impossível pela mulher que não consegue alcançar. Novela trágica e confessional por excelência, identifica o seu jovem autor, Johan Wolfgang von Goethe (1749-1832), logo aos 23 anos, como um dos grandes representantes da literatura do Romantismo.

“E tu, ó alma sensível que sofres dos mesmos pesares: que o teu coração dolorido encontre alívio na descrição das mágoas que ele sofreu e que este livro seja para ti um amigo, se, por impiedade da sorte, ou por tua própria culpa, te não for dado encontrar afeição mais real.”

Werther

de Johann Wolfgang Goethe

Propriedade Descrição
ISBN: 9789726655794
Editor: Guimarães Editores
Data de Lançamento: junho de 2009
Idioma: Português
Dimensões: 143 x 206 x 12 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 176
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789726655794

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Miguel Pestana - WWW.SILENCIOSQUEFALAM.BLOGSPOT.PT

Esta obra escrita em 1774 por Johann Wolfgang von Goethe - na época com 23 anos - veio a tornar-se pioneira da literatura do Romantismo. O autor formou-se em Direito, mas sempre manifestou interesse pelas artes, desenho e pintura, poesia, botânica e ciências naturais. De cariz autobiográfico, este é um romance escrito em forma de epístolas, endereçadas a Guilherme, um amigo do jovem Werther. São estas cartas confessionais de Werther que dão alento à sua paixão obsessiva por Carlota, uma mulher casada (na vida real, Goethe apaixona-se também por uma Carlota (Charlotte Buff), que era noiva de um seu colega advogado). Todavia, o seu amor não é correspondido e perante essa impossibilidade o seu descontentamento para com a vida flui melancolicamente e exasperadamente: «Carlota é sagrada para mim; todos os meus desejos se calam na sua presença. Junto dela perco toda a consciência de mim próprio…é como se a minha alma se espalhasse pelos nervos.» As personagens deste livro são escassas, e as que o autor dá a conhecer (as personagens secundárias são meramente referenciadas por uma letra maiúscula seguida de reticências) são Werther, Carlota, Alberto e Guilherme. Tal como é característico do Romantismo, a personagem Werther é dotada de um idealismo profundo; é um sonhador (mas é insone); o seu amor por Carlota é avassalador, absoluto, exagerado - e por isso ele sofre profundamente. Desde o início do romance, o leitor pressente um fim trágico (advertido pelo próprio autor – no frontispício – com uma nota ao leitor «(…) aos vossos olhos assomarão lágrimas de compaixão pelo seu triste destino.») e qual andarilho, para lá urgimos a chegar. A tragédia grega e suas características principais (Hybris, Anagnorisis, Pathos, Klímax, Cathársis, Katastrophé) estão todas presentes neste livro excepcional. A acrescentar e a sublinhar, o romance é acompanhado por uma introdução e notas de rodapé do próprio autor, e a poucas páginas finais, um editor troca de lugar com o jovem Werther… Werther é uma obra súmula de uma parte da vida de Goethe (se bem que não em total-parte baseada em factos reais) – a de jovem apaixonado -, e o leitor que toma conhecimento deste “pormenor”, lê e avalia o livro por um ângulo diferente. Livro obrigatório na biblioteca de qualquer bibliófilo. http://silenciosquefalam.blogspot.pt/2012/05/werther-de-goethe.html

SOBRE O AUTOR

Johann Wolfgang Goethe

Nascido em 28 de agosto de 1749 em Frankfurt, de família abastada, frequentava o teatro já adolescente e, ao que consta, gostava de festejar os seus anos. O que o mundo inteiro agora faz, por ele.
Goethe é um dos grandes escritores da literatura Europeia, o maior, se é que se pode falar de tamanho quando à escrita nos referimos, da língua alemã. Joyce nomeava assim a "Santíssima Trindade" da escrita na Europa: Dante, Goethe e Shakespeare. Dos três, talvez seja o que tem obra menos divulgada, mas todos já ouviram falar do "Fausto" e de "Werther". Foi um dos mentores do movimento Sturm und Drang (mas, apesar de partilhar o interesse romântico pelo sofrimento, pela paixão e pela loucura, não os considerava como última e única solução na vida). Conseguiu um contrato que o fez viver da literatura, coisa rara para a época.
É "A Paixão do Jovem Werther", escrito e publicado em 1774 que lhe traz alguma notoriedade. Por isso, o príncipe Karl August, Duque de Sachsen-Weimar-Eisenach, um apaixonado do "Werther", convidou-o para a corte de Weimar. Goethe organizou vários eventos culturais e escreveu / dirigiu pequenas peças satíricas. No entanto, acabaria por cansar-se da vida na corte e viria a desaparecer numa viagem a Carlsbad, durante o Verão de 1786, dirigindo-se para o sul de Itália, numa carruagem de correio, sem deixar quaisquer explicações. A descrição desta viagem, dos Alpes a Roma, com passagem por Verona e Veneza, é um dos seus relatos mais interessantes e operou em Goethe uma transformação pessoal, ou, como o próprio disse, uma "mudança de pele". Em Roma, onde convive com a colónia artística alemã e suíça, a sua paixão por Faustina dará origem aos poemas "Elegias Romanas" (que no entanto só escreverá mais tarde, no seu regresso a Weimar). Goethe sente-se atraído pelo sexo e pelo classicismo. Em Itália escreveu as obras "Ifigénia", "Egmont", cenas do "Tasso" e do "Fausto", elaborou um diário das suas observações botânicas e pintou mais de mil desenhos e aguarelas.
De regresso a Weimar, em 1788, renegoceia o contrato com o duque Karl August e arranja uma amante, Christiane Volpius, com quem se casará em 1806, inculta e quase analfabeta, que lhe daria 6 filhos, dos quais apenas August sobreviveu, mas que nunca viria a conviver com a sociedade de Weimar. Nesse ano começa a escrita de "Os Anos de Peregrinação de Wilhelm Meister", que terminará em 1829.
Em 1794 torna-se amigo de Schiller, uma amizade conturbada, que se prolongará até à morte precoce deste em 1805.
"Fausto" é a sua grande obra, escrita e reescrita ao longo de vários anos, mesmo décadas, e que conhece entre nós uma tradução, da autoria de João Barrento, ensaísta e professor da Universidade Nova de Lisboa, numa belíssima edição, enriquecida com magníficos desenhos da pintora Ilda David'. O mito de Fausto é bem conhecido e remonta a muito antes de Goethe. A ambição de Fausto fá-lo vender a alma ao diabo, em troca de mais sabedoria, poder e prazer na terra. É uma história com a moral determinada pelo luteranismo: não devemos deixar-nos levar pelo que parece ser fácil de conseguir e de nada vale ganhar o mundo em troca da nossa alma. Mas a história do Fausto de Goethe não é bem assim, e torna-se muito mais complexa. Sabemos logo no prólogo que Fausto não irá para o Inferno. Deus permite que o Diabo (Mefistófeles) conceda poderes a Fausto, acreditando que este os poderá usar de forma criativa. Mas Fausto também pode fazer coisas terríveis, como seduzir a jovem Gretchen, engravidá-la e abandoná-la...
Num interessante artigo de John Armstrong, publicado na "Prospect" e traduzido na revista "Best Of" (outubro de 99), do jornal "O Independente", sobre o que a leitura de Goethe tem para oferecer a um leitor moderno, aquele conclui, referindo-se ao "Fausto":
«Seria uma loucura querer saber o significado de uma obra com esta complexidade, mas seria uma pena não tentar interpretá-la. A peça pode ser compreendida como uma tentativa de Goethe demonstrar como Fausto pode permanecer uma figura de esperança, apesar das peripécias de Gretchen. Goethe lida com a eterna questão do mal. Se acreditarmos que a existência é essencialmente benigna, como se conseguirá acomodar a existência do mal? O horrível comportamento para com Gretchen será o fardo eterno que terá de carregar, mas não o impede de aplicar os seus poderes de forma produtiva. Goethe está implicitamente a afirmar: Claro que coisas más acontecem, e nem sempre são no melhor sentido, mas nem o sofrimento, nem o desespero mostram que tudo é mau. Os humanos são seres complexos e resistentes e podemos sempre optar por outras coisas que valham a pena. Esta é a forma mais sã de otimismo.»
Também João Barrento, em entrevista ao suplemento "Leituras", do jornal "Público" referia: «Há aspetos particulares, micronarrativas, que podem dar ao "Fausto" uma certa atualidade: uma perspetiva muito arguta das relações entre a arte e a ciência; uma certa resistência à teoria a favor de uma permanente valorização da empiria, do concreto, os fenómenos em detrimento do conceito abstrato; a expressão de um certo subjetivismo narcisista, que é muito de Goethe, de um certo hedonismo em que nós hoje nos revemos.» Goethe terminou a última versão do seu "Fausto", meses antes de morrer, em 1832, com 83 anos.

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