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Vida Oculta

de Pedro Mexia
Editor: Relógio D'Água, abril de 2004 ‧
10,09€
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"Vida Oculta [...] está tão próximo de Eliot e Outras Observações que de certo modo o prolonga. Mas possui maior densidade e beleza, anuncia outros caminhos, e adianta por que se sofre, o que é tão, tão difícil. Porquê? Ouçamos este pungente, antológico poema, do último livro:

Os Meus Demónios

Os meus demónios
tratam-me pelo nome.
Os meus demónios
são legiões e não desertam.
Os meus demónios
obedecem a todas as ordens
e a nenhuma vontade.
Os meus demónios
começaram por ser meus
por afinidade e agora
são parentes de sangue.
Os meus demónios
é que escrevem os poemas

Todavia, em Vida Oculta não existem só estes 'demónios poéticos', vai com eles o antídoto, a teia libertadora:

A teia que Penélope
com astúcia
fazia e desfazia
era a esperança. (p.55)

Acima da deploração, existem, pois outros caminhos. Os dois últimos livros são fruto de um mal-estar evidente. Mas nem todo o real é comiserativo ou grotesco. Atente-se na desperta atenção que se concebe, no último livro, aos guindastes, um sóbrio poema que salta por cima da penúria urbana:

Eram manhãs, rompiam do nevoeiro,
atravessando o frio a caminho da faculdade,
quando no fundo, nas alturas das obras,
enormes guindastes abriam os braços. (p. 40) "

António Osório, JL

Vida Oculta

de Pedro Mexia

Propriedade Descrição
ISBN: 9789727088133
Editor: Relógio D'Água
Data de Lançamento: abril de 2004
Idioma: Português
Dimensões: 139 x 212 x 8 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 102
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Poesia
EAN: 9789727088133
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

Uma revelação na poesia portuguesa contemporânea

J. Ferreira M.

Este é um livro fundamental no percurso do grande poeta português

SOBRE O AUTOR

Pedro Mexia

Pedro Mexia nasceu em Lisboa, em 1972, crítico e cronista em vários jornais, nomeadamente Diário de Notícias (1998-2007), Público (2007-2011) e Expresso (desde 2011), subdiretor e diretor interino da Cinemateca Portuguesa (2008-2010) e vogal do conselho diretivo da Fundação Centro Cultural de Belém (2016-2023). Escreveu regularmente na revista LER. Participou em diversos projetos das Produções Fictícias, como, por exemplo, É a Cultura, Estúpido (Teatro São Luiz); O Eixo do Mal (SIC Notícias); O Inimigo Público (suplemento do Público); Os Culturistas e O Que Fica do Que Passa (Canal Q). Manteve rubricas de cinema na Rádio Renascença (meados dos anos 1990) e na Antena 3 (2015-2016). Foi coautor, com Inês Meneses, de PBX (2015-2023), um programa da Radar e um podcast do Expresso. Publicou oito coletâneas de poesia entre 1999 e 2021. Editou oito volumes de crónicas e o penúltimo, Lá Fora, venceu o Grande Prémio de Crónica e Dispersos Literários da Associação Portuguesa de Escritores – APE em 2018, editou cinco volumes de diários e a peça Suécia (2023), a convite do Teatro Nacional São João. A 10 de março de 2025, foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.

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