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Viagem à Holanda

de Paul Verlaine

editor: Feitoria dos Livros, janeiro de 2016
Convidado por um livreiro francófilo da cidade de Haia, Paul Verlaine desloca-se à Holanda onde permanece de 2 a 14 de Novembro de 1892 e efectua várias conferências. O seu prestígio tinha ultrapassado fronteiras.
O seu olhar perscruta a paisagem que descreve com laivos impressionistas. É notório como o ambiente é pacificador para este magnífico "poeta maldito", de existência atribulada. Nascido na cidade de Metz a 30 de Março de 1844, filho de um capitão do exército, tal como Arthur Rimbaud, é em Paris que frequenta o Liceu Bonaparte sem grande brilho e isto apesar de aos 14 anos de idade ter composto e enviado um poema intitulado A Morte a Victor Hugo. A vida parisiense, as tertúlias literárias e a boémia inspiram a sua capacidade criativa - no desenho e na poesia. A grata recordação que lhe mereceu esta viagem foi inspiração durante o seu internamento no Hospital Broussai, em Paris.
Sensível à especificidade da Holanda, Paul Verlaine, assinala a epopeia deste povo sobre o mar. Durante a estadia e as deslocações para as várias conferências Paul Verlaine descreve-nos vários lugares - a estação balneária de Schreveningen com a sua lendária luz gris-bleu. Leida, cidade de Rembrandt onde prospera a indústria do livro e impera a Biblioteca de Thysiana, a mais antiga dos Países Baixos...
Harlem, nome que o holandês Peter Stuyvesant transportou em 1658 para os Estados Unidos, dando origem ao famoso bairro novaiorquino de Haarlem... E finalmente Amesterdão, porto de perseverança sobre o nível do mar, que data provavelmente do século X e cuja situação geográfica permite desenvolver comércio com Inglaterra e Alemanha e lhe granjeia o estatuto de Feitoria. É assim que regista na memória o sentimento apaziguador que o ambiente na casa de Zilcken lhe proporcionou, bem como o reconhecimento pela sua obra. Viagem à Holanda de Paul Verlaine é escrita em 1894, no ano em que lhe é atribuído o título de Príncipe dos Poetas.

Viagem à Holanda

de Paul Verlaine

Propriedade Descrição
ISBN: 9789898307484
Editor: Feitoria dos Livros
Data de Lançamento: janeiro de 2016
Idioma: Português
Dimensões: 143 x 210 x 6 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 90
Tipo de produto: Livro
Classificação temática: Livros em Português > Literatura > Literatura de Viagem
EAN: 9789898307484
Paul Verlaine

Paul-Marie Verlaine nasce na Lorena a 30 de março de 1844, filho de um militar. Em 1851 a sua família muda-se para Paris, onde Verlaine estudará até obter o bacharelato. No ano de 1862, inscreve-se na Faculdade de Direito, altura em que começa a frequentar os cafés e a beber regularmente. Em 1864 decide abandonar os estudos definitivamente, já depois da publicação do seu primeiro poema (1863), e torna-se funcionário da Câmara Municipal de Paris. O poeta troca correspondência e contacta com vários escritores e artistas da época, como por exemplo Victor Hugo, Charles Cros e Villiers.
Em 1870, casa com Mathilde Mauté de Fleurville, casamento que será perturbado quando, no ano seguinte, Verlaine conhece Rimbaud, com quem mantém estreita amizade com uma dimensão homossexual. Esta relação levará Mathilde a pedir a separação judicial em 1872, ano em que Verlaine embarca com Rimbaud para Londres. Este relacionamento acabará em 1875.
Entre 1875 e 1879 o poeta é alternadamente professor em Inglaterra e França, país para onde regressará definitivamente. Segue-se um período de escrita intensa, atribulado por dificuldades económicas e de saúde, numa sucessão de internamentos em vários hospitais. Morre a 8 de janeiro de 1896 de uma congestão pulmonar.
Fernando Pinto do Amaral, no prefácio a «Poemas Saturnianos e Outros», afirma: «Ao lermos hoje os poemas de Verlaine, resta sobretudo a beleza da sua música soberana e misteriosamente evocadora das vertigens por vezes discretas — mas nem por isso menos cativantes — de um espírito vibrátil e sensível aos mais ínfimos acordes do ser — acordes harmoniosamente dissonantes, como os de qualquer poesia que não hesite em interrogar o doloroso enigma que se abriga nos mil fragmentos do real e lhes dá, a cada um deles, uma alma própria e insubstituível.»

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