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Uma Casa na Escuridão

de José Luís Peixoto
Editor: Quetzal Editores, novembro de 2009 ‧
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«Então, fechei os olhos com força e fixei-me no que via. Esta era uma das coisas que fazia desde pequeno, que tinha descoberto por acaso e que imaginava ser eu a única pessoa a fazer no mundo. Fechava os olhos e via. Via o que se vê com os olhos fechados (...) Isto é o que se vê quando fechados os olhos e continuamos a ver: a cor negra e os pequenos seres de luz que a habitam. E não se consegue olhar fixamente nem para o negro nem para a luz. Os pontos ou as linhas ou as figuras de luz fogem da atenção. O negro é tão absoluto, tão profundo, tão infinito que o olhar avança por ele sem encontrar um lugar onde possa deter-se. Mas, naquela noite, comecei a distinguir algo dentro desse negro.»

«Este livro de José Luís Peixoto é uma experiência apaixonante e estranha. Tem tudo para vir a ser um livro-culto.»
Eduardo Prado Coelho, Público

«Uma Casa na Escuridão é uma delicadíssima história fantástica, uma metáfora sobre o fim da civilização.»
Pulp

«Uma Casa na Escuridão é uma onírica descida aos infernos, cadenciada por uma escrita descarnada, rasgada por relâmpagos líricos e rica em reiterações lexicais.»
Mimmo Stolfi, Class

«Nesta casa assistimos a um alinhamento quase paródico entre o absurdo e o apenas verosímil, onde a esperança ocupa o espaço irredutível do desespero, o sonho se confunde com as feições retorcidas do pesadelo, a perversão exibe o sorriso leve da inocência, a linha singular do quotidiano reúne os pontos dispersos da totalidade do tempo.»
Francisco Manuel Ferreira, Homeless Mona Lisa

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Filhos da Chuva: as referências de um primeiro romance

Para escrever, é preciso ler muito. Procurar a nossa voz nos livros, encontrar referências, contactar com diferentes estilos. Um fator decisivo para que a página em branco não seja um bloqueio. Depois, entre todos, há os livros que inspiram. Proponho-vos que conheçam alguns livros cuja leitura foi determinante no processo de criação de Filhos da Chuva.

  Filhos da Chuva «Um romance em que a culpa e a obsessão andam de mãos dadas com o acaso e a coragem.»
Antes, porém, falemos deste que é o meu primeiro romance. O primeiro que publiquei, pois há outros que estão na gaveta… e por lá devem permanecer. Para se chegar àquele momento em que consideramos ter uma obra merecedora de ser publicada, há que escrever muito antes. Bater muita tecla, passar muitas horas diante do computador. E depois, se assim o entendermos, deitar fora tudo isso. Escrevo desde os 12 anos e perdidos nas caixas da cave da casa da minha mãe estão o início de um conto sobre a mulher de D. Pedro I, um policial passado no Burundi, uma saga familiar com mais de mil páginas, um romance epistolar, uma novela dedicada a uma grande paixão e muitos poemas. Mas nada disto merece ver a luz do dia. Escrevi estes textos com todo o meu coração. Mas faltava-me vida e, sobretudo, faltava-me leitura. E isso refletia-se na escrita.
Filhos da Chuva é um romance que se passa num Território imaginado, em que existe uma terra, Domínio, onde não para de chover há muito tempo. Tanto que, por isso, e pelo facto de a luz rarear, o próprio tempo parou numa hora que todos acordaram, as cinco da tarde. É neste Território que se movem as personagens, identificadas pela sua função no enredo: Mãe, Filho, Mulher, Dono, Ministro, entre outros homens e mulheres que nos guiam através de uma trama e de uma terra que são, também, personagens principais. Procurei criar momentos de tensão, alguns até – diria – sufocantes, mas também de humor e de uma certa leveza possível. Vi as pessoas deste livro ganharem vida por si e tantas vezes me admirei com o facto de serem elas, a maior parte das vezes, a orientarem o seu rumo numa história onde temas fortes, como a maternidade ou a culpa, acabam por desempenhar papéis principais.
Mas nada disto seria possível sem ter lido livros que me inspiraram. Com este elenco de obras-mestras, não quero ter a veleidade da comparação. Pelo contrário, enumero alguns dos livros que me vêm construindo enquanto autor. QUERO LER! »









  Uma Casa na Escuridão Foi sobretudo na ideia de que o Mal, esse, com maiúscula, pode chegar a qualquer momento e desencadear mudanças absurdas nas vidas das pessoas, que encontrei referências que me interessavam para o meu romance. Peixoto escreveu um livro a que regresso muitas vezes para recentrar esse fino equilíbrio entre a tranquilidade e o horror. Um horror pleno que não encontramos em Domínio, mas que, em determinados momentos da narrativa, lhe serve de redoma. QUERO LER! » O Pecado de Porto Negro Não é fácil criarmos um mundo de raiz. Até onde temos de ir para que se torne coeso? Norberto Morais fá-lo com uma mestria irrepreensível, não apenas neste livro, como também em A Balada do Medo. É bem possível pensar que o Território de Filhos da Chuva poderia estar no mesmo mundo desta América Latina de Norberto Morais, ainda que, provavelmente, em tempos históricos diferentes. QUERO LER! » Para onde vão os guarda-chuvas A delicadeza das relações entre os filhos e os pais é um tema que sobressai nesta autêntica obra-prima. Aquele fino estalar de entendimento entre um filho e um pai, a confusão a que podem conduzir diferentes condutas perante uma criança e perante a memória de outras pessoas que, ainda assim, podem ou não ser reais. Talvez entre Amor e o seu suposto pai, de Filhos da Chuva, existam memórias imaginadas cuja origem tenha ido beber a um dos mais impactantes romances da literatura portuguesa. QUERO LER! » Ensaio sobre a Cegueira A questão do narrador, nesta e noutras obras de Saramago, é algo que me interessa muito. Encaro-o como um narrador presente, ainda que por vezes não tão diretamente, mas ao ler o autor tenho sempre a impressão de que é alguém que me conta uma história, que me conduz através de um enredo. Este narrador não nos conta tudo, mas há sempre a ideia de que pode ter com ele toda a informação e dosear a forma como a entrega ao leitor. QUERO LER! » A Casa dos Espíritos O realismo mágico nunca pode servir de remate de uma situação para a qual o autor não tem solução. Esse deus ex machina, na minha opinião, assassina qualquer livro. Allende, neste livro, entrega-nos elementos de realismo mágico postos numa história que retrata um país não nomeado, mas com factos históricos que nos aportam no Chile. Não usa nunca esses elementos como desenlace ou resolução e, penso, esse é um grande ensinamento a autores que se queiram mover dentro desse território da criatividade. QUERO LER! »

Uma Casa na Escuridão

de José Luís Peixoto

Propriedade Descrição
ISBN: 9789725648223
Editor: Quetzal Editores
Data de Lançamento: novembro de 2009
Idioma: Português
Dimensões: 148 x 220 x 17 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 256
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789725648223
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

Perturbador

Juliana

Este livro não é para meninos, nem para fracos. Pensava que ia ler a 295 páginas num ápice mas, enganei-me. O livro é tão "pesado" que a meio tive de o pôr de lado, ler outro livro mais "suave" e, só depois, acabei de ler o resto. É uma história extremamente perturbadora. Mas no meio de tanta escuridão consegue-se encontrar passagens absolutamente geniais e belas. Para mim, é um livro sobre obsessão e perda. É uma temática difícil de aguentar, porque todos nós já perdemos algo ou alguém que nos marcou. Para quem ainda não leu nada de Peixoto, desaconselho este livro para primeira abordagem ao autor. Não é uma história fácil.

Opinião

Orlando Vogado

Talvez por ter sido o último livro que li deste autor não fiquei de modo algum entusiasmado.Para mim "Nenhum olhar" e " Livro" forma sem dúvida as melhores obras deste magnifico escritor

diferente

Susana Gonçalves

Foi o primeiro livro que li deste autor. Achei diferente, de contornos sinuosos, mas ao mesmo tempo com uma escrita intrigante a absorvente. Agora quero conhecer as restantes obras.

forte é dizer pouco! ;)

Ana Filipa Sousa

sem dúvidas que este livro não é para "fracos"!!! Foi o primeiro livro de José Luis Peixoto que li e acho que não podia ter começado melhor.. a historia em si e a forma da escrita bastante fortes tornam este um livro macabro e viciante..

José Luís Peixoto

Bruno Alexandre Furtado da Silva Cardoso

É uma obra que foge à escrita habitual de José Luís Peixoto, contudo surpreendeu-me o encadeamento de toda a história. Um livro completamente viciante.

Estranho, mas bom.

Miguel António Pinheiro Ferreira

Primeiro estranha-se. Depois entranha-se. Surpreendeu-me por completo. A partir das invasões tornou-se viciante. Gostei.

SOBRE O AUTOR

José Luís Peixoto

José Luís Peixoto nasceu em Galveias, em 1974.
É um dos autores de maior destaque da literatura portuguesa contemporânea. A sua obra ficcional e poética figura em dezenas de antologias, traduzidas num vasto número de idiomas, e é estudada em diversas universidades nacionais e estrangeiras.
Em 2001, acompanhando um imenso reconhecimento da crítica e do público, foi atribuído o Prémio Literário José Saramago ao romance Nenhum Olhar. Em 2007, Cemitério de Pianos recebeu o Prémio Cálamo Otra Mirada, destinado ao melhor romance estrangeiro publicado em Espanha. Com Livro, venceu o prémio Libro d'Europa, atribuído em Itália ao melhor romance europeu publicado no ano anterior, e em 2016 recebeu, no Brasil, o Prémio Oeanos com Galveias. As suas obras foram ainda finalistas de prémios internacionais como o Femina (França), Impac Dublin (Irlanda) ou o Portugal Telecom (Brasil). Na poesia, o livro Gaveta de Papéis recebeu o Prémio Daniel Faria e A Criança em Ruínas recebeu o Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores. Em 2012, publicou Dentro do Segredo, Uma viagem na Coreia do Norte, a sua primeira incursão na literatura de viagens. Os seus romances estão traduzidos em mais de trinta idiomas. As suas mais recentes obras são Autobiografia (2019), na prosa, e Regresso a Casa (2020), na poesia.
Os seus romances estão traduzidos em mais de trinta idiomas.
Para saber mais sobre o autor: https://www.joseluispeixotoemviagem.com

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