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Um Lugar Luminoso para Gente Sombria

de Mariana Enriquez
Livro eBook
Editor: Quetzal Editores, junho de 2024 ‧
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RECOMENDADO PELO PLANO NACIONAL DE LEITURA
Depois do monumental e deslumbrante romance A Nossa Parte da Noite, Mariana Enriquez regressa ao terror - género que maneja com suprema mestria e reinventa a cada novo livro.

São doze magníficas histórias arrepiantes, em que o mal (ou o monstruoso), o macabro, o surreal e o sobrenatural irrompem de realidades quotidianas: entre elas, a da mulher que tenta manter na linha os fantasmas que vagueiam por um bairro periférico de Buenos Aires; a da margem de um rio povoado por pássaros que foram mulheres; ou a dos voluntários que distribuem alimentos num bairro carenciado e são perseguidos por crianças de olhos aterradores; ou ainda a da jornalista que investiga a célebre história da rapariga desaparecida num hotel da Baixa de Los Angeles, e que se depara com outra lenda da cidade.

Os temas exploram o feminino (e o lugar das mulheres na sociedade), a família, e o legado da repressão política que perdura.

«Enriquez é uma escritora fascinante que exige ser lida. Como a Bolaño, interessam-lhe as questões da vida e da morte.»
Dave Eggers

«A prosa de Enriquez é encantatória, devastadora e proporciona uma leitura absolutamente única.»
The New York Times

«Mariana Enriquez ilumina as zonas mais obscuras da literatura argentina.»
La Nación

«Histórias sedutoras sobre o mal quotidiano.»
El País

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Voltar à leitura

Há alturas da vida em que nos afastamos dos livros. Não é uma decisão clara, nem um corte dramático. Os livros acumulam-se, ficam por abrir na mesa de cabeceira, à espera de um “quando tiver oportunidade” e, sem darmos por isso, a leitura passa a ser uma memória de quem já fomos. A vida acontece e enche os dias de tal forma que parar, por algum tempo, com um livro na mão e longe de tudo, começa a parecer descabido. Voltar à leitura exige um livro certo, uma história que não peça licença para entrar, que nos agarre pela gola e nos lembre, com alguma urgência, que ler continua a ser uma das formas mais intensas de estar vivo. Projeto Hail Mary, de Andy Weir Por vezes, voltar a ler não começa com disciplina. Começa com um livro que nos apanha desprevenidos e devolve o prazer da descoberta, aquele impulso de virar páginas sem dar pelo tempo a passar. É precisamente isso que acontece em Projeto Hail Mary, de Andy Weir. Ryland Grace, um professor de ciências, acorda sozinho numa nave espacial, sem saber quem é, onde está ou o que tem de fazer. Aos poucos, através de pequenos indícios e de uma memória que regressa em fragmentos, percebe que carrega uma missão decisiva para a sobrevivência da Terra. A estrutura do romance alterna entre o presente claustrofóbico na nave e o passado que explica como ali chegou, criando um efeito de revelação contínua. Weir conduz o ritmo com precisão, usando explicações científicas não como obstáculo, mas como motor narrativo. Cada problema técnico que surge na viagem transforma-se num desafio lúdico, resolvido com engenho e uma boa dose de humor. Há um prazer quase físico em acompanhar o raciocínio de Grace, em ver cada problema desmontado e reconstruído com lógica, tentativa e erro. O livro vive desse movimento contínuo e dessa sensação de que tudo está sempre à beira de falhar, mas nunca falha completamente.
Este bestseller deu origem ao filme de cinema – realizado pela dupla Phil Lord e Christopher Miller e protagonizado por Ryan Gosling – que estreou no mês passado e que está a ser um êxito de bilheteira. Segue assim o percurso de O Marciano, outro bestseller de Andy Weir que foi adaptado ao cinema. COMPRO NA WOOK! » Crónica dos Bons Malandros, de Mário Zambujal Nada como uma boa gargalhada para nos puxar de volta aos livros. Crónica dos Bons Malandros, de Mário Zambujal, acompanha um grupo improvável de pequenos criminosos que se juntam para levar a cabo um assalto que, à partida, parece simples, mas que rapidamente se complica por causa das próprias limitações, manias e desencontros entre eles. O resultado é uma história que vive do desvio e do falhanço, onde tudo se afasta do plano inicial. O humor não é imediato nem forçado, surge das situações, das personagens e de uma certa forma de olhar para o mundo. Mais do que o golpe em si, interessa a forma como tudo se desenrola, num encadeamento de diálogos afiados, situações absurdas e imprevistos que definem o tom da narrativa. O texto é também um retrato muito particular de um certo imaginário português, onde o desenrasque, a ingenuidade e a pequena ambição convivem lado a lado. É daqueles livros que se leem de um fôlego, pelo prazer de acompanhar estas figuras tragicómicas até ao desfecho inevitável. COMPRO NA WOOK! » Jesus Cristo Bebia Cerveja, de Afonso Cruz Jesus Cristo Bebia Cerveja, de Afonso Cruz, é perfeito para quem gosta de histórias onde o absurdo e a ternura andam de mãos dadas. Num Alentejo ao mesmo tempo reconhecível e inventado, entramos na vida de Rosa, uma jovem alentejana que vive com a avó, cujo maior desejo é visitar Jerusalém antes de morrer. Perante a impossibilidade de concretizar essa viagem, surge uma solução tão improvável quanto difícil de concretizar: transformar a pequena aldeia na Terra Santa. Pelo caminho, cruzamo-nos com um professor excêntrico, uma inglesa milionária e outras personagens que parecem deslocadas, mas que acabam por encontrar o seu lugar nessa construção coletiva, cada uma contribuindo à sua maneira para dar forma a esse milagre improvisado. A escrita de Afonso Cruz tem a leveza certa, nunca superficial, capaz de convocar o humor sem largar uma melancolia discreta. As histórias encadeiam-se com naturalidade, como se estivéssemos a ouvi-las à mesa, entre copos e silêncios. É um livro que não exige esforço nem pressa. Pede apenas disponibilidade para entrar no seu ritmo. COMPRO NA WOOK! » A Anomalia, de Hervé Le Tellier Há livros que não se entregam de uma vez. Vão-se montando peça a peça. A Anomalia, de Hervé Le Tellier, é um desses livros. Tudo começa num avião, durante um voo aparentemente banal que atravessa uma tempestade e aterra sem problemas. Meses depois, esse mesmo voo repete-se, com as mesmas pessoas a bordo. A partir desse momento, passam a existir duas versões de cada passageiro, com vidas que já seguiram caminhos diferentes. O livro acompanha as histórias de várias dessas pessoas — a de um escritor em crise, a de uma advogada, a de um assassino, entre outras —, todas obrigadas a lidarem com a presença inesperada de alguém que é, literalmente, uma versão de si mesmas. Há quem tente integrar essa duplicação, quem a rejeite e quem a veja como ameaça ou oportunidade. Vencedor do Prémio Goncourt em 2020, o romance consegue o feito de cruzar vários registos, da ficção especulativa ao policial, do romance contemporâneo à sátira social, mantendo sempre o leitor atento, sem se perder no conceito. COMPRO NA WOOK! » Um Lugar Luminoso para Gente Sombria, de Mariana Enriquez Um Lugar Luminoso para Gente Sombria, de Mariana Enriquez, é um conjunto de contos que funciona bem para quem quer voltar a ler sem começar por um romance longo. São histórias independentes, que se leem rapidamente, mas que deixam um rasto incómodo. Num deles, uma mulher tem a insólita tarefa de manter um bairro livre de fantasmas que não sabem que são fantasmas. Noutro, a autora parte de uma história verídica, o caso de uma rapariga que aparece morta no reservatório de água do Cecil Hotel, em Los Angeles, para construir uma narrativa em torno de um culto que se reúne no local da sua morte, tentando comunicar com ela. Há histórias sobre pássaros que já foram mulheres, casas habitadas por fantasmas de entes queridos ou grupos de pessoas que percorrem Buenos Aires à procura de lugares assombrados. A escritora argentina, hoje uma das vozes mais reconhecidas do terror contemporâneo graças a A Nossa Parte da Noite, recorre a estes géneros para abordar temas importantes como o luto, o lugar da mulher e a persistência de violências que raramente se mostram por inteiro. Nada começa de forma extraordinária, mas as coisas vão-se desviando até deixarem de ser reconhecíveis. Enriquez não constrói os contos em torno de grandes revelações. Trabalha antes a progressão, o acumular de sinais, até que já não seja possível voltar atrás. O impacto vem dessa deriva lenta, mais do que de um momento isolado. COMPRO NA WOOK! »

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Wook se escreve na Argentina – Novas Vozes

Dos clássicos aos contemporâneos, a literatura mexicana dá-nos uma visão caleidoscópia de um país que procura resistir à realidade violenta e difícil em que se vê mergulhado. Estes sete escritores, publicados por editoras portuguesas, impressionam pela sua capacidade de nos mostrarem, sem freios, este mundo tão distante do nosso. Depois de os lermos, não seremos certamente os mesmos.
Nesta primeira parte, exploramos as noves vozes literárias, cuja força suplanta a torridez do deserto.
Este artigo foi originalmente publicado na revista Wookacontede de julho de 2024. Fernanda Melchor (n. 1982) Os livros desta vibrante escritora, que explora o lado obscuro do ser humano, podem ser descritos como uma descida ao inferno, reflexo de uma sociedade fraturada entre raças e classes e marcada pela misoginia, em que a violência se banalizou. Em Temporada de Furacões, já adaptado a série de TV pela Netflix, Melchor traça um retrato fiel desta realidade sangrenta. Misto de romance policial e história de terror, a história começa quando um grupo de rapazes encontra o cadáver em decomposição de uma mulher, conhecida como “A Bruxa”, num canal de irrigação. Cada capítulo aproxima-se do crime central com uma escalada de horror moldada pela superstição, pelo abandono e pela desesperança, com um lirismo surpreendente.
Não menos duro, Paradaise arranca no rescaldo dos crimes hediondos cometidos por dois adolescentes: Polo, um jardineiro nascido numa realidade de pobreza e violência que trabalha num bairro de gente abastada, e o seu cúmplice Franco, um pária proveniente de uma família rica. Polo ensaia uma confissão perversa, quase negando a sua culpabilidade. A natureza exacta dos seus actos só será descoberta no final. Mas vemos, desde logo, um monstro dividido em dois, já que nenhum deles é capaz de uma violência tão horrenda sem o outro. Impressiona ver como Melchor consegue imbuir o "mal" de tal complexidade psicológica. Não surpreende, por isso, que ambos os livros tenham sido finalistas do International Booker Prize. COMPRO NA WOOK! » Guadalupe Nettel (n. 1973) O mais recente livro de Guadalupe Nettel, A Filha Única, revolve em torno de três mulheres e do conceito de maternidade, com os seus esfoços e fracassos, atos de fé ou renúncia. Alina e Laura, amigas, são duas mulheres independentes que não construiram o seu futuro com a perspetiva de uma família. Laura tomou a decisão drástica de ser esterilizada, mas Alina acaba por querer ser mãe. Quando está grávida de oito meses, é informada de que a filha que tanto desejou não irá sobrevive ao parto. A par do processo de luto de Alina e do seu marido, as duas mulheres lidam com a complexidade das suas emoções e a ambivalênvia da maternidade. A adensar a narrativa, há ainda Doris, a vizinha de Laura, mãe de um menino enternecedor, mas com problemas de comportamento. Nettel tece uma sinuosa e arrebatadora narrativa de amor, amizade e sobrevivênvia, lembrando que a língua ainda não foi capaz de inventar uma palavra para designar aquele que perde sua prole.
Inspirando na infância da escritora, O Corpo em que Nasci é um livro de memórias terno e duro. Nettel fala-nos sobre uma menina que cresce nos anos setenta com uns pais que vivem um casamento aberto, em comunas hippies; Devido ao seu problema de visão, a criança acaba por se identificar com os que vivem à margem de modas ou convenções sociais. Passado entre a América e a Europa, este romance de amadurecimento percorre um fascinante caminho em direção à auto-aceitação. COMPRO NA WOOK! » Silvia Moreno Garcia (n. 1981) Através de géneros tão diversos como a fantasia, o terror e o romance histórico, Silvia Moreno Garcia pretende dar uma visão mais ampla do México, caleidoscópia e distante das narrativas construídas pela indústria cinematográfica ou televisiva, que se centram nos cartéis ou nos migrantes. O maior sucesso editorial de Garcia é Gótico Mexicano, uma novela de terror passada numa fazenda mexicana, nos glamorosos anos 50. Quando recebe uma carta da sua prima contando-lhe que o marido desta tenta envenená-la, Noemí, uma jovem e ambiciosa socialite, parte para a isolada mansão de Lugar Alto, na província. Ao chegar, encontra a prima, outrora alegre, num estado sombrio, dizendo ouvir vozes vindas das paredes e ver pessoas mortas. Noemí não tarda muito a aperceber-se de que há algo muito estranho na mansão e nos que a habitam, e começa, ela própria a ter visões aterradoras que lhe vão revelando horrores que se arrastam há centenas de anos. Em paralelo, torna-se objeto de desejo dos homens da casa, cujos avanços denotam uma visão retorcida de racismo, num ambiente marcado pelo sentimento de domínio patriarcal. As cenas de suspense envolvem quem lê, à medida que Noemí se vê puxada pelas garras daquela casa, sem saída à vista.
O êxito desta novela permitiu à autora escrever o livro que ela «realmente queria» escrever: A Noite Era de Veludo, um romance noir histórico-político situado na sequência do massacre de El Halconazo de 1971, em que oito mil estudantes foram violentamente reprimidos pelos Halcones, um grupo paramilitar apoiado pelo governo, causando 120 mortos e centenas de feridos. Os protagonistas são Maite, uma secretária solitária que prefere viver alheada da realidade, lendo contos românticos e ouvindo as suas músicas, e Elvis, que anseia escapar à brutalidade dos Halcones, a que se juntou. Ambos partem em busca de uma bela estudante desaparecida, numa narrativa envolvente que só no fim os levará a encontrarem-se. As personagens são fascinantes, o tom é exuberante e romântico, e tudo está envolto num mistério com reviravoltas difíceis de adivinhar. Um retrato pungente da sociedade mexicana, vencedor do Goodreads Choice Awards em 2020. COMPRO NA WOOK! »

Um Lugar Luminoso para Gente Sombria

de Mariana Enriquez

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897229732
Editor: Quetzal Editores
Data de Lançamento: junho de 2024
Idioma: Português
Dimensões: 149 x 237 x 17 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 248
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Contos
EAN: 9789897229732
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

Um livro sombrio para pessoas luminosas

Cláudia Santos

Mariana Enriquez não desilude. Neste seu novo livro de crónicas somos levados novamente para um realismo mágico, muitas vezes próximos do terror. E quem gosta deste género de leitura fica deliciado com o que lê. A mim não me desiludiu.

SOBRE O AUTOR

Mariana Enriquez

Mariana Enriquez nasceu em 1973, em Buenos Aires. É jornalista, romancista, contista e colaboradora pontual das revistas The New Yorker, Granta, McSweeney’s, Eletric Literature. Além de professora, é subeditora do suplemento Radar do diário Página/12. O seu livro As Coisas que Perdemos no Fogo foi publicado em 25 países.

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