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Ubik

de Philip K. Dick
Editor: Relógio D'Água, novembro de 2017 ‧
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Glen Runciter está morto. Ou não? Alguém morreu na explosão orquestrada pelos seus rivais de negócios, mas mesmo depois do seu funeral ser marcado, os seus empregados continuaram a receber mensagens desconcertantes do patrão.
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Quando a realidade falha

A maioria dos romances desenrola-se num mundo estável, onde a realidade obedece a regras previsíveis. Há, porém, escritores que preferem imaginar o que acontece quando essas regras falham. A partir de pequenas fissuras na normalidade, algo que parecia impossível infiltra-se no quotidiano e altera a ordem estabelecida. É dessa anomalia inicial que nasce a história. A partir dela, os autores exploram as suas implicações no desenrolar da ação e, por arrasto, na forma como entendemos o que nos rodeia. A Polícia da Memória, de Yoko Ogawa A narradora de A Polícia da Memória é uma jovem escritora que vive numa ilha onde, sem explicação aparente, certas coisas começam a desaparecer. Num dia, deixam de existir chapéus. Noutro desaparecem os pássaros, as rosas ou os perfumes. Sempre que algo se apaga do mundo, os habitantes devem recolher todos os vestígios e destruí-los. Pouco depois, também as memórias associadas a essas coisas acabam por dissolver-se. A maioria das pessoas adapta-se sem resistência. Mas há quem continue a lembrar-se. São essas pessoas que a temida Polícia da Memória procura e persegue. A narradora decide esconder em casa o editor do seu primeiro livro, um dos poucos imunes a esse esquecimento coletivo. Enquanto o protege, assiste ao lento esvaziamento do mundo à sua volta. Aos poucos, não desaparecem apenas objetos, mas também gestos, lugares e fragmentos inteiros da experiência quotidiana. O romance sugere que a realidade se mantém de pé apenas enquanto houver memória para a sustentar. Sempre que nos esquecemos de algo, uma pequena parte do universo desaparece. COMPRO NA WOOK! » Refúgio no Tempo, de Gueorgui Gospodinov Refúgio no Tempo parte de uma ideia ao mesmo tempo absurda e plausível. Um psiquiatra cria clínicas especializadas em recriar décadas do passado para tratar doentes com Alzheimer. Cada piso do edifício corresponde a uma década específica, reconstruída com grande rigor. Móveis, músicas, jornais, cheiros e objetos são escolhidos para devolver aos pacientes o ambiente da sua juventude e ajudá-los a recuperar memórias. O projeto começa como uma experiência médica, mas depressa desperta o interesse de pessoas saudáveis. Muitos visitantes descobrem que preferem passar tempo nesses espaços recriados a enfrentar o presente. A nostalgia começa a espalhar-se pela sociedade e, em pouco tempo, o projeto transforma-se num fenómeno político inesperado. Vários países organizam referendos para decidir em que década preferem viver. As populações são convidadas a escolher o passado que querem recuperar. Vencedor do International Booker Prize em 2023, o romance desenvolve esta hipótese para construir uma reflexão irónica e melancólica sobre a memória, a identidade e a dificuldade de lidar com o presente. COMPRO NA WOOK! » O Livro da Forma e do Vazio, de Ruth Ozeki Benny Oh começa a ouvir vozes vindas das coisas depois da morte inesperada do pai. Livros, utensílios domésticos, embalagens e todo o tipo de objetos parecem falar com ele, cada um com uma voz e personalidade próprias. Ao mesmo tempo, a sua mãe enche a casa de coisas compradas compulsivamente, numa tentativa de lidar com a perda. Aos poucos, a casa transforma-se num espaço cada vez mais desordenado e afeta a forma como o rapaz se relaciona com os outros. Entre o luto, o isolamento e as vozes que não cessam, Benny encontra refúgio numa biblioteca. Ali, ao contrário do caos da casa, tudo está organizado e em silêncio, como se cada objeto soubesse exatamente o seu lugar. Nesse ambiente, as vozes deixam de ser uma invasão e tornam-se mais fáceis de escutar. Em O Livro da Forma e do Vazio, Ruth Ozeki mistura humor, espiritualidade e reflexão social. Ao dar voz às coisas, o romance questiona a forma como elas entram nas nossas vidas e se tornam extensões da nossa memória. O resultado é uma reflexão sobre o peso que o mundo material exerce sobre nós, moldando aquilo que somos. COMPRO NA WOOK! » Os Inconsolados, de Kazuo Ishiguro Se Kazio Ishiguro fosse um animal, seria um camaleão. Ao começarmos um livro seu, nunca sabemos exatamente para onde a história nos vai levar, já que o autor inglês não tem receio de atravessar géneros e desmontar as expectativas do leitor. Os Inconsolados não é exceção. O romance acompanha Ryder, um pianista famoso que chega a uma cidade europeia para participar num evento musical importante. Desde o início, algo parece estranho. Ryder encontra pessoas que o tratam como um velho conhecido e que esperam dele compromissos de que não se lembra. A realidade começa a comportar-se de forma cada vez mais desconcertante. As distâncias dentro da cidade mudam constantemente, encontros inesperados surgem sem explicação e pequenas tarefas transformam-se em longas sequências absurdas que parecem durar semanas. Ryder tenta cumprir as expectativas de todos, mas sente-se cada vez mais perdido. Nada de sobrenatural acontece de forma explícita. Ainda assim, a lógica do mundo parece obedecer a regras imprevisíveis. A realidade passa a assemelhar-se a um sonho longo em que o tempo estica e se comprime sem lógica aparente e as situações mais banais passam a dominar a história. O resultado é uma narrativa que arrasta o leitor para um território cada vez mais estranho. No fundo, um romance muito fiel ao universo de Ishiguro. COMPRO NA WOOK! » Ubik, de Philip K. Dick Ubik parte de uma realidade diferente da nossa. No universo criado por Philip K. Dick existem pessoas com capacidades psíquicas e empresas dedicadas a neutralizar esses poderes. É neste contexto que conhecemos Joe Chip, um funcionário de uma dessas organizações, responsável por lidar com indivíduos capazes de prever o futuro ou influenciar a mente dos outros. A história avança sem grandes sobressaltos até que, durante uma missão num complexo lunar, uma explosão obriga Joe Chip e os seus colegas a regressar à Terra. A partir desse momento, algo começa a correr mal. Objetos modernos transformam-se em versões antigas de si mesmos. Tecnologias deixam de funcionar. Enquanto tentam perceber o que aconteceu, começam a surgir mensagens misteriosas de uma entidade chamada Ubik, que aparece nos lugares mais inesperados. A explosão deixa de ser a questão principal. A verdadeira pergunta passa a ser outra: em que tipo de realidade vivem realmente? Com esta ideia vertiginosa, Philip K. Dick constrói um dos romances mais inquietantes da ficção científica, um livro que transforma a existência num enigma. COMPRO NA WOOK! »

Ubik

de Philip K. Dick

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896417895
Editor: Relógio D'Água
Data de Lançamento: novembro de 2017
Idioma: Português
Dimensões: 154 x 238 x 17 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 256
Tipo de produto: Livro
Coleção: Ficção Científica
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Ficção Científica
EAN: 9789896417895

Intenso

Rui Antunes

Um thriller em forma de ficção científica, em que as pistas que o autor deixa tanto parecem contribuir para a resolução do mistério como depois nos fazem ficar tão perdidos quanto as personagens. Uma realidade dentro de realidades. É Philip K. Dick no seu melhor.

Um daqueles livros magníficos que deixam uma marca em quem os lê

Nuno Magalhães Ribeiro

Gostei muito deste livro. O estilo de PKD é único e inconfundível, e este livro transmite-o na perfeição. A história é misteriosa e a trama vai-se adensando até um ponto em que se torna difícil distinguir o que é real e o que é fabricado pela imaginação. PKD traz para a narrativa conceitos das viagens no tempo, tecnologias disruptoras, colonização planetária para construir um mundo em que personagens manipulam a realidade de várias formas. Esta história rapidamente nos absorve e depois instala-se no nosso subconsciente à medida que vamos lendo e tentando compreender para onde o autor nos pretende levar ou que ideia quis transmitir com cada situação insólita em que os personagens se veem inseridos. Por isso, o livro lê-se com muito interesse e as consequências do desenlace permanecem muito para lá do fim da leitura. É daqueles livros magníficos que deixam uma marca em quem os lê. Apesar de já ter lido bastantes obras excecionais, considero que este livro explorou estes temas de uma forma muito original, motivo pelo qual atribuo 5 estrelas, o que quer dizer que o recomendo sem reservas, e considero até que é uma excelente introdução a quem ainda não leu e quer conhecer a escrita de PKD.

Reflecção sobre o futuro (escrito no passado)

Pedro Carvalho

Embora esteja classificado como romance, este livro é mais ficção cientifica. O livro já não é novo para mim, já o tinha lido à uns 20 anos atrás, mas queria o reler pois faz-nos reflectir sobre alguma evoluções que temos, o que é real e o que não é (a perspectiva que o nosso cérebro tem pode ser enganadora). Para mim dos melhores livros do género.

SOBRE O AUTOR

Philip K. Dick

Philip K. Dick nasceu em Chicago, em 1928, e viveu grande parte da sua vida na Califórnia. Após frequentar a Universidade da Califórnia, da qual desistiu, deu início à sua carreira profissional como escritor de numerosos romances, ensaios e coletâneas de contos, todos no género da ficção científica. Em 1963, venceu o prémio Hugo por O Homem do Castelo Alto, ao que se seguiram outras obras, prémios e adaptações cinematográficas. É atualmente considerado um dos mais influentes escritores da segunda metade do século XX, tendo as suas ideias visionárias causado grande impacto na cultura contemporânea. Morreu em 1982, em Santa Ana, Califórnia.

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