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Trilogia

Vigília | Os Sonhos de Olav | Fadiga

de Jon Fosse
Livro eBook
Editor: Cavalo de Ferro, outubro de 2021 ‧
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RECOMENDADO PELO PLANO NACIONAL DE LEITURA
Asle e Alida vagueiam exaustos no frio, na chuva e na escuridão pelas ruas de Bjørgvin em busca de um tecto que os abrigue. Alida está grávida, mas todas as portas se fecham perante as súplicas do jovem casal. O que terá motivado a sua vinda para esta cidade hostil onde ninguém os conhece? De que passado parecem fugir eles?

Inseparáveis desde o dia em que se conheceram, quando Asle era tocador de violino e a sua música era como o canto do pai de Alida, sabem que só se têm um ao outro e que o seu amor vencerá o pecado e a morte.

Composta por três novelas — Vigília (2007), Os Sonhos de Olav (2012) e Fadiga (2014) —, escritas numa linguagem simples e inspiradora e que se fundem numa única história, Trilogia é uma parábola de inspiração bíblica sobre o amor, o crime, o castigo e a redenção, que valeu a Jon Fosse, um dos escritores mais celebrados da nossa contemporaneidade, o Prémio Literário do Conselho Nórdico.

Autor multipremiado, com destaque para o Prémio Internacional Ibsen, o Prémio Europeu de Literatura e o Prémio de Literatura do Conselho Nórdico.

Traduzido do norueguês por Liliete Martins.

«Jon Fosse é um escritor europeu fundamental.»
Karl Ove Knausgård

«Como poucos, Jon Fosse criou uma forma literária que é sua.»
Júri do Prémio de Literatura do Conselho Nórdico

«A escrita de Jon Fosse é poesia pura.»
The Paris Review

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Jon Fosse, Nobel da Literatura 2023

Aos 64 anos, e após 10 anos em que esteve entre os favoritos, a Academia Sueca atribuiu ontem a Jon Fosse o mais prestigiado Prémio Nobel da Literatura, pelas «suas peças e prosa inovadoras que dão voz ao indizível». Em reação, o poeta, romancista e dramaturgo norueguês disse estar «emocionado e grato», vendo esta distinção como «um prémio para a literatura que, em primeiro lugar e acima de tudo, pretende ser literatura, sem outras considerações». E isso diz muito sobre Fosse, autor independente, alheio a modas, e glória das letras da Noruega.
Na obra de Fosse, traduzida para mais de 50 línguas e adaptada para mais de 1000 peças de teatro em todo o mundo, o indizível manifesta-se nas muitas formas de explorar as questões do ser, da consciência e da prática artística: os seus protagonistas na primeira pessoa estão sempre a tentar dizer algo e a sua escrita procura o eterno. Conheça, connosco, este brilhante escritor, entre o minimalista e a prosa lenta. Jon Fosse, Foto: © Tom Kolstad DA INFÂNCIA NOS FIORDES DA NORUEGA AOS PALCOS DO MUNDO Jon Fosse nasceu em Haugesund, na Noruega, a 29 de setembro de 1959, e cresceu em Strandebarm, onde teve uma infância tranquila, rodeado pela natureza e passando longas horas a ler num barco em plenos fiordes. Mas, com apenas sete anos, teve um grave acidente, em que quase morreu. Foi uma experiência de tal modo marcante e formativa enquanto pessoa, tanto no bom como no mau sentido, que, segundo o autor, foi definidora para o criar enquanto artista e escritor.
Fosse começou a escrever muito jovem, quando tinha 12 anos – pequenos poemas, pequenas histórias. «Criei o meu próprio espaço no mundo, um sítio onde me sentia seguro. É uma espécie de fuga», disse em entrevista ao The Guardian em 2014. Era também um apaixonado por música. Em jovem, tocava violino, e grande parte da sua prática de escrita na adolescência envolvia a criação das suas próprias letras para peças musicais. O ritmo continua a ser uma das chaves da sua força enquanto escritor, e uma das explicações para o facto de não usar vírgulas. Diz que, para ele, «escrever é ouvir, é um ato musical mais do que intelectual».
Em 1979, com vinte anos, mudou-se para Bergen, em cuja universidade estudou sociologia, filosofia e literatura. Trabalhou também como jornalista freelancer. Não gostava de falar com as pessoas, mas adorava escrever e, desde então, tem-se dedicado à escrita.

«Assistimos com orgulho (…) ao desenvolvimento de um autor que, depois de se ter afirmado como romancista, poeta e escritor infantil, se dedicou à dramaturgia e teve uma projeção internacional sem paralelo na literatura contemporânea.»
Det Norske Samlaget, editora de Jon Fosse

Jon Fosse divide o seu tempo entre uma aldeia perto da capital austríaca, que o atrai pelas suas tradições culturais profundas e vivas, uma casa num fiorde em Hainburg, e Oslo. Tem seis filhos, um deles ainda pequeno.
  A OBRA E O ESTILO LITERÁRIO DE JON FOSSE Ao olharmos para a escrita de Jon Fosse, poderemos concordar que esta se define mais pela forma do que pelo conteúdo: o que não é dito é muitas vezes mais revelador do que aquilo que é dito. Despojada de adornos, prefere a linguagem simples e enredos mínimos, privilegiando a musicalidade e as inerentes pausas, e criando personagens que tentam transcender as suas vidas mundanas.
Fosse publicou o seu primeiro romance, Raudt, Svart (Vermelho, Preto), em 1983, uma história que se move para trás e para a frente no tempo e entre perspetivas. Desde o início, optou por escrever em Nynorsk, ou Novo norueguês, uma das duas variedades escritas distintas do norueguês, utilizada sobretudo na Noruega ocidental.

«A sua ficção é encantatória, mística e enraizada na paisagem dos fiordes ocidentais onde cresceu. (…) É muito importante lembrar que [Fosse] escreve em nynorsk ou novo norueguês, uma língua minoritária na Noruega, um ato político em si mesmo».
Jacques Testard, editor de ficção de Jon Fosse

Ao longo dos 30 anos seguintes, Fosse escreveu romances, contos, poesia, livros infantis, ensaios e peças de teatro, destacando-se obras como Melancolia I e Melancolia II e A Shining. Depois de um período de grande sucesso durante o qual trabalhou quase exclusivamente como dramaturgo, Fosse converteu-se ao catolicismo em 2012, deixou de beber e voltou a casar. É nessa altura que começa a escrever Septologia, um romance de sete volumes escrito numa única frase e que exemplifica o que ele descreveu como a sua viragem para a “prosa lenta”. O narrador de Septologia é um pintor chamado Asle, convertido ao catolicismo, de luto pela morte da sua mulher, Ales. Na noite anterior à véspera de Natal, Asle encontra o seu amigo, também ele pintor, inconsciente num beco de Bergen, a morrer de intoxicação alcoólica. As suas memórias duplicam-se, repetem-se e gradualmente misturam-se numa única voz, uma consciência difusa capaz de existir em muitos tempos e lugares ao mesmo tempo – um monólogo que se desenrola de forma aparentemente interminável e sem uma única paragem completa ao longo de sete dias. A obra é composta por sete partes reunidas em três volumes: O Outro Nome, Eu Sou Outro e Um Novo Nome.
Em Portugal, foram recentemente publicados, pela Cavalo de Ferro, os livros O Outro Nome – Septologia I-II, Trilogia e Manhã e Noite
  JON FOSSE, O DRAMATURGO Para o jovem Jon Fosse, o teatro parecia ser mais uma questão de afetação do que de arte e ele não tinha qualquer interesse em entrar no mundo do teatro Mas acabaria por fazê-lo em 1993, porque estava falido. Surpreendentemente, tal acabou por ser, segundo o próprio, por ser «a maior revelação» da sua carreira de escritor. Três décadas depois, Fosse é o dramaturgo norueguês mais representado depois de Henrik Ibsen, tendo assinado 30 peças. Embora muitos consideram que as suas peças representam uma continuação moderna da tradição dramática estabelecida por Ibsen no século XIX, Fosse assume-se diferente deste escritor, o mais destrutivo que conhece, e sente que, pelo contrário, na sua escrita «há uma espécie de reconciliação, Ou, para usar a palavra católica ou cristã, paz.»
As peças de Fosse são intrinsecamente poéticas. Ao escrever teatro, o autor descobriu que podia usar o silêncio, as pausas, o que está entre as palavras. A sua primeira peça a ser representada, Og aldri skal vi skiljast (E nunca nos separaremos), foi encenada no Teatro Nacional de Bergen em 1994. Mas foi a primeira peça que escreveu, Nokon kjem til å komme (Alguém vai chegar), que viria a ser a sua grande revelação em 1999, quando o encenador francês Claude Régy a encenou em Nanterre. Era o seu quadragésimo aniversário e Fosse apercebeu-se de que a produção de Régy assinalava o início da sua carreira internacional como dramaturgo.
As peças de Jon Fosse, cujas personagens têm geralmente nomes genéricos como «o Homem», «a Mulher», «a Mãe» ou «a Criança», focam a intensidade das nossas relações primordiais e são, por vezes, sombrias e cómicas. Quando fez cinquenta anos, o escritor estava exausto. Não gostava das luzes da ribalta, e, após 30 peças teatrais e oito peças curtas, tomou a decisão de se afastar delas. Ele não queria viajar ou escrever peças, pelo menos por um tempo.
  UM AUTOR ACLAMADO NA NORUEGA E ALÉM DELA A atribuição do Nobel a Jon Fosse coincide com os seus 40 anos carreira literária, e Fosse não tenciona parar já que escrever, para ele, é um modo de vida. É reconhecido internacionalmente como um grande autor, mas a Noruega acarinha-o especialmente: em 2011, o rei Harald V atribuiu-lhe uma das maiores honras nacionais: o usufruto da Grotten, uma residência honorária nas instalações do palácio real, em Oslo, pelo seu contributo para a arte e a cultura do país; e, a cada dois anos, há um festival dedicado à sua obra. Além disso, foi criada a Fundação Fosse (em Strandebarm, onde o escritor nasceu), dedicada ao autor e às suas obras.

Estes são os principais prémios e distinções que recebeu:

1997 Prémio Aschehoug

1998 Prémio de Literatura Nynorsk

1999 Prémio Dobloug

2003 Prémio Norsk kulturråds ærespris

2003 Prémio Nynorsk de Literatura

2003 Cavaleiro da Ordem Nacional do Mérito de França (2003)

2005 Prémio Brage

2005 Comandante da Ordem Real Norueguesa de St. Olav

2007 Prémio Nórdico da Academia Sueca

2007 Prémio Alemão de Literatura para Jovens, do Ministério Federal da Família

2010 Prémio Internaciona Ibsen

2014 Prémio Europeu de Literatura

2015 Prémio de Literatura do Conselho Nórdico

2017 Prémio Europeu de Poesia da cidade de Münster, Alemanha

2022 Nomeação para o International Booker Prize, pelo seu romance Um Novo Nome: Septologia VI-VII

2023 Prémio Nobel da Literatura

Trilogia

Vigília | Os Sonhos de Olav | Fadiga

de Jon Fosse

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895647613
Editor: Cavalo de Ferro
Data de Lançamento: outubro de 2021
Idioma: Português
Dimensões: 150 x 223 x 13 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 208
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789895647613

A liturgia do repetir

Pedro Azeredo Alves

Jon Fosse fala de vida, da morte e do amor como quem descreve a chuva pela milésima vez; e, mesmo assim, apetece continuar a ler. A sua escrita é um transe de repetições, entre saltos e recuos, como se tivesse descoberto novas leis da gramática e decidido não contar a ninguém.

Original

Alexandrina Andrade

Confesso que adquiri este livro pelo facto do seu autor, Jon Fosse, ter ganhado o prémio Nobel da literatura em 2023. Estava a espera de uma escrita muito peculiar, muito original e interessante. Não me desiludi. As suas histórias são lindíssimas e a maneira como as dá a conhecer, são próprias dos grandes escritores. De um Nobel! Recomendo

Um amor contra a difícil corrente da vida

António M. Souto

Jon Fosse há muito constava na minha lista de "autores a ler", mas foi preciso o Nobel para finalmente me decidir. "Trilogia" apresenta três novelas que se interligam, narrando a história de um casal, Asle e Alida, personagens que bem merecem integrar a restrita lista dos pares de enamorados da história da literatura. A história é tocante e é muito fácil sentirmos empatia por estes dois, que juntos enfrentam o mundo cruel. Mas precisei de uma habituação ao estilo peculiar de Fosse, à sua torrente narrativa, muitas vezes com os ecos das obsessivas repetições, dos diálogos lapidares, ao jeito do texto dramático. Mas atingida essa sincronização entre o ritmo das palavras e o da leitura (a escassez de pontos finais acelera o ritmo desta última), chegamos ao porto desejado: o poder encantatório de uma prosa que é bela porque é simples. Depois de ler, as personagens profundamente humanas acompanham-nos na memória.

Um livro estranho e controverso

Ana Geração

Esta trilogia está toda interligada, e enquanto na primeira parte temos uma situação análoga ao nascimento de Jesus, com nuances, percebemos na segunda e terceira partes, a violência e o amor extremos que existem por parte dos protagonistas, e as consequências nos descendentes. Um livro com uma escrita muito simples mas simultaneamente muito "pesado".

SOBRE O AUTOR

Jon Fosse

PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 2023

Jon Fosse (Haugesund, 1959) é um dos mais importantes e celebrados autores da atualidade.
Escritor e dramaturgo prolífero, estreou-se em 1983 com o romance Raudt, svart [Vermelho, preto], tendo recebido vários prémios ao longo da sua carreira, entre os quais o Prémio Internacional Ibsen, o Prémio Europeu de Literatura e o Prémio de Literatura do Conselho Nórdico.
A sua extensa obra, traduzida em mais de cinquenta línguas, inclui romance, teatro, poesia, livros para crianças e ensaio. Recebeu o Prémio Nobel de Literatura 2023 «pelas suas peças de teatro e prosa inovadoras que dão voz ao indizível».

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