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Tese sobre Uma Domesticação

de Camila Sosa Villada
Livro eBook
Editor: Quetzal Editores, março de 2025 ‧
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A atriz travesti de grande notoriedade pela sua representação de A Voz Humana, de Jean Cocteau, tem um casamento aberto com um belo advogado homossexual. Juntos, adotaram uma criança seropositiva. Esta nova vida familiar aparentemente estável - com dinheiro e conforto - é uma cedência aos padrões burgueses e não podia estar mais nos antípodas da antiga existência dela: boémia, despreocupada e livre.

O erotismo, a violência e a imensa ternura habitam os vínculos que unem o casal. Mas ambos vivem acabrunhados pela culpa e por outros infernos secretos.

«Uma só travesti é suficiente para minar os alicerces de uma casa, desfazer os nós de um compromisso, romper uma promessa, renunciar a uma vida», pensa a atriz e protagonista deste romance.

Tese Sobre uma Domesticação é uma história de pactos invisíveis e paixões arrasadoras, em que uma família se agarra a breves momentos de felicidade, sem se aperceber de que foi derrotada no seu desígnio, desde o início.

Tal como o primeiro romance de Sosa Villada, As Malditas, já transformado numa série televisiva, também este Tese Sobre uma Domesticação foi recentemente adaptado ao cinema.

«O livro sobre sexualidade mais importante que li, desde Jean Genet. Versa a amizade, o desejo e a violência. Desafia todos os atuais enquadramentos da política e da literatura. É um fragmento do futuro.»
Édouard Louis

«Camila Sosa Villada constrói uma linguagem que parece saída dos sonhos. Uma sensação literária.»
Rolling Stone

«Este romance desafia as ideias contemporâneas de género, sexualidade e amor.»
The Wall Street Journal

«Um mundo fantástico com partes iguais de violência e ternura. Questiona as ideias contemporâneas de género, sexualidade e amor.»
Wall Street Journal

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Wook se escreve na Argentina – Novas Vozes

Dos clássicos aos contemporâneos, a literatura mexicana dá-nos uma visão caleidoscópia de um país que procura resistir à realidade violenta e difícil em que se vê mergulhado. Estes sete escritores, publicados por editoras portuguesas, impressionam pela sua capacidade de nos mostrarem, sem freios, este mundo tão distante do nosso. Depois de os lermos, não seremos certamente os mesmos.
Nesta primeira parte, exploramos as noves vozes literárias, cuja força suplanta a torridez do deserto.
Este artigo foi originalmente publicado na revista Wookacontede de julho de 2024. Fernanda Melchor (n. 1982) Os livros desta vibrante escritora, que explora o lado obscuro do ser humano, podem ser descritos como uma descida ao inferno, reflexo de uma sociedade fraturada entre raças e classes e marcada pela misoginia, em que a violência se banalizou. Em Temporada de Furacões, já adaptado a série de TV pela Netflix, Melchor traça um retrato fiel desta realidade sangrenta. Misto de romance policial e história de terror, a história começa quando um grupo de rapazes encontra o cadáver em decomposição de uma mulher, conhecida como “A Bruxa”, num canal de irrigação. Cada capítulo aproxima-se do crime central com uma escalada de horror moldada pela superstição, pelo abandono e pela desesperança, com um lirismo surpreendente.
Não menos duro, Paradaise arranca no rescaldo dos crimes hediondos cometidos por dois adolescentes: Polo, um jardineiro nascido numa realidade de pobreza e violência que trabalha num bairro de gente abastada, e o seu cúmplice Franco, um pária proveniente de uma família rica. Polo ensaia uma confissão perversa, quase negando a sua culpabilidade. A natureza exacta dos seus actos só será descoberta no final. Mas vemos, desde logo, um monstro dividido em dois, já que nenhum deles é capaz de uma violência tão horrenda sem o outro. Impressiona ver como Melchor consegue imbuir o "mal" de tal complexidade psicológica. Não surpreende, por isso, que ambos os livros tenham sido finalistas do International Booker Prize. COMPRO NA WOOK! » Guadalupe Nettel (n. 1973) O mais recente livro de Guadalupe Nettel, A Filha Única, revolve em torno de três mulheres e do conceito de maternidade, com os seus esfoços e fracassos, atos de fé ou renúncia. Alina e Laura, amigas, são duas mulheres independentes que não construiram o seu futuro com a perspetiva de uma família. Laura tomou a decisão drástica de ser esterilizada, mas Alina acaba por querer ser mãe. Quando está grávida de oito meses, é informada de que a filha que tanto desejou não irá sobrevive ao parto. A par do processo de luto de Alina e do seu marido, as duas mulheres lidam com a complexidade das suas emoções e a ambivalênvia da maternidade. A adensar a narrativa, há ainda Doris, a vizinha de Laura, mãe de um menino enternecedor, mas com problemas de comportamento. Nettel tece uma sinuosa e arrebatadora narrativa de amor, amizade e sobrevivênvia, lembrando que a língua ainda não foi capaz de inventar uma palavra para designar aquele que perde sua prole.
Inspirando na infância da escritora, O Corpo em que Nasci é um livro de memórias terno e duro. Nettel fala-nos sobre uma menina que cresce nos anos setenta com uns pais que vivem um casamento aberto, em comunas hippies; Devido ao seu problema de visão, a criança acaba por se identificar com os que vivem à margem de modas ou convenções sociais. Passado entre a América e a Europa, este romance de amadurecimento percorre um fascinante caminho em direção à auto-aceitação. COMPRO NA WOOK! » Silvia Moreno Garcia (n. 1981) Através de géneros tão diversos como a fantasia, o terror e o romance histórico, Silvia Moreno Garcia pretende dar uma visão mais ampla do México, caleidoscópia e distante das narrativas construídas pela indústria cinematográfica ou televisiva, que se centram nos cartéis ou nos migrantes. O maior sucesso editorial de Garcia é Gótico Mexicano, uma novela de terror passada numa fazenda mexicana, nos glamorosos anos 50. Quando recebe uma carta da sua prima contando-lhe que o marido desta tenta envenená-la, Noemí, uma jovem e ambiciosa socialite, parte para a isolada mansão de Lugar Alto, na província. Ao chegar, encontra a prima, outrora alegre, num estado sombrio, dizendo ouvir vozes vindas das paredes e ver pessoas mortas. Noemí não tarda muito a aperceber-se de que há algo muito estranho na mansão e nos que a habitam, e começa, ela própria a ter visões aterradoras que lhe vão revelando horrores que se arrastam há centenas de anos. Em paralelo, torna-se objeto de desejo dos homens da casa, cujos avanços denotam uma visão retorcida de racismo, num ambiente marcado pelo sentimento de domínio patriarcal. As cenas de suspense envolvem quem lê, à medida que Noemí se vê puxada pelas garras daquela casa, sem saída à vista.
O êxito desta novela permitiu à autora escrever o livro que ela «realmente queria» escrever: A Noite Era de Veludo, um romance noir histórico-político situado na sequência do massacre de El Halconazo de 1971, em que oito mil estudantes foram violentamente reprimidos pelos Halcones, um grupo paramilitar apoiado pelo governo, causando 120 mortos e centenas de feridos. Os protagonistas são Maite, uma secretária solitária que prefere viver alheada da realidade, lendo contos românticos e ouvindo as suas músicas, e Elvis, que anseia escapar à brutalidade dos Halcones, a que se juntou. Ambos partem em busca de uma bela estudante desaparecida, numa narrativa envolvente que só no fim os levará a encontrarem-se. As personagens são fascinantes, o tom é exuberante e romântico, e tudo está envolto num mistério com reviravoltas difíceis de adivinhar. Um retrato pungente da sociedade mexicana, vencedor do Goodreads Choice Awards em 2020. COMPRO NA WOOK! »

Tese sobre Uma Domesticação

de Camila Sosa Villada

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895820399
Editor: Quetzal Editores
Data de Lançamento: março de 2025
Idioma: Português
Dimensões: 151 x 235 x 15 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 232
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789895820399
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

Em três palavras: Incomodativo, disruptivo e inesquecível!

Andreia Machado

Esta protagonista é antagonista do que deveria ser a vida de uma travesti no mundo em que ainda vivemos, não aceitando ser vítima (apesar de o ser em vários momentos), uma contrariedade à norma que parece arrogância e frieza. Por outro lado, vemos como cede às limitações impostas pelo preconceito, pela sociedade e também por ela mesma, casando e aceitando uma família o mais heternormativa possível. Durante toda a narrativa observamos a sua resistência à domesticação e refletimos constantemente sobre a ideia da 'normalidade'. Domesticação essa, que é um símbolo de opressão. Sem dúvida que esta é uma personagem com muitas camadas e este livro é uma profunda reflexão sobre muitos temas sensíveis, desde questões de identidade de género, marginalização e laços familiares, fez-me questionar muitas vezes o que é certo ou errado, deixou-me desconfortável, inquieta, perturbada! Acho que por mais livres de preconceitos que sejamos, vamos sempre ficar incomodados em alguns momentos. Esta leitura foi um enorme exercício de empatia para mim porque me mostrou uma realidade totalmente diferente e distante da minha e porque a autora me apresentou uma personagem que numa fase inicial parece intragável, apenas para depois me fazer mergulhar na vida dela, no seu passado e em todas as merdas pelas quais passou, e me deixar em frangalhos. Camila escreve esta história na terceira pessoa, com vários saltos temporais e sem nunca atribuir nomes aos personagens, é crua, gráfica e provocadora, não nos poupa nas descrições explicitas e na linguagem dura, desafia normas e expectativas através da representação dos desejos sexuais dos personagens de todas as idades. A rebeldia dos corpos torna-se um elemento político e de crítica. Leva-nos numa viagem pela complexidade da experiência trans, mostrando-nos a realidade cruel da vida destas pessoas, mas também a sua autenticidade e solidariedade entre elas. «Não era novidade que as travestis se prostituíam para sustentar os irmãos mais novos, para enviar dinheiro pra casa delas, em lugares remotos da província ou para outros países. (...) Tias, mães postiças, madrastas, toda a gente sabia que há muitos, muitíssimos anos, as travestis desempenhavam o papel neste mundo que ninguém podia ou queria desempenhar, nem sequer o estado, o de dar afetos sem nome, sem estatuto, esses afetos inclassificáveis com os quais vivem as travestis. Mães de ninguém, filhas de ninguém, amores de ninguém, vizinhas de ninguém, tias de ninguém.» Para mim esta leitura foi um crescendo de emoções e envolvência, culminando num final intenso e marcante! Considero sem dúvida uma critica social poderosa que convida o leitor à reflexão sobre a pluralidade de existências, à aceitação, tolerância e empatia por todas as realidades. É impossível ficar indiferente, o que aprendi com esta leitura vai ficar comigo para sempre. Numa nota final, alerto para que tenham atenção as gatilhos. Pessoas sensíveis a determinados temas e termos podem não conseguir ler algumas passagens.

mais um título bem conseguido pela autora

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É uma obra interessante, visceral e relevante nos dias que correm. existem alguma gratuitidade e voracidade em alguns dos relatos que questiono se podiam estar contados de outra forma. Ainda assim, não deixa de ser mais um título bem conseguido pela autora.

SOBRE O AUTOR

Camila Sosa Villada

Camila Sosa Villada nasceu em 1982 em Córdoba, na Argentina. É escritora, atriz, cantora. Foi trabalhadora do sexo, vendedora de rua e empregada doméstica. Formou-se em Comunicação e Teatro pela Universidade Nacional de Córdoba. A sua peça Carnes tolendas, retrato escénico de un travesti foi selecionada para o Festival Nacional de Teatro de La Plata, em 2010. O seu livro de estreia, Las malas, ganhou o prémio Sor Juana Inés de la Cruz e o Grand Prix de l’Héroïne Madame Figaro. Foi um bestseller em todo o mundo hispânico e considerado o melhor livro do ano pela maioria dos suplementos literários.

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