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Retrato Huaco

de Gabriela Wiener; Ilustração: Mariana Malhão
Editor: Antígona, outubro de 2024 ‧
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Retrato Huaco (2021) é o nome dado a peças de cerâmica que representavam rostos indígenas e, dizia-se, capturavam as suas almas.

Quando, num museu parisiense, a autora depara com as estatuetas doadas no século XIX pelo explorador austríaco Charles Wiener e nas quais se reconhece, descobre um rasto de violência e pilhagem colonial, e um filho bastardo que deu origem à sua linhagem.

Esta perturbadora herança familiar fá-la questionar, com um humor corrosivo, as suas raízes e identidade — e a forma como elas influenciam as suas relações afectivas.

«Gabriela Wiener é pura rebeldia, humor e ternura.»
Sara Mesa

Retrato Huaco

de Gabriela Wiener; Ilustração: Mariana Malhão

Propriedade Descrição
ISBN: 9789726084686
Editor: Antígona
Data de Lançamento: outubro de 2024
Idioma: Português
Dimensões: 136 x 211 x 12 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 168
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789726084686

Imperdível

Isabel Duarte Pires

Gabriela Wiener, peruana a viver em Espanha, começa este livro por falar de um antepassado, Charles Wiener, um explorador do século XIX. Este deslocou-se à América do Sul e trouxe para a Europa, sem respeito pelo património local como era habitual nessa época, inúmeras peças culturais e artísticas, entre elas vários exemplares de huacos. "Naquele tempo, chamava-se arqueologia ao acto de remexer num pedaço de terra". É por este antepassado que inicia a narrativa, e este tema vai regressando ao longo do livro, onde a autora combina memórias pessoais com questões de identidade, história familiar e raça. Há muito a dizer sobre este livro, mas eu, talvez por deformação profissional, vou falar do que senti enquanto o lia. Foi um livro que ressoou muito em mim, não só pelos temas abordados (racismo, discriminação, sexualidade, feminismo), mas também, e principalmente, porque a autora fala sem filtros sobre dor, traumas e desigualdades, o que me trouxe uma leitura muito intensa e, por vezes, desconcertante. A honestidade que usa para falar dessas questões é o que "faz" o livro, a forma como ela mistura o pessoal com o coletivo fez-me reflectir sobre quem somos, qual é a nossa história, como a sentimos e como este sentir determina as nossas acções. Nesta obra de auto ficção, ao mesmo tempo que tenta libertar-se da intolerância do racismo e das expectativas da sociedade, a luta de Gabriela Wiener acaba por se tornar também num conflito interno. O (injusto) sentimento de não merecimento que muitas pessoas em contextos marginalizados experienciam, é um reflexo de preconceitos que interiorizaram, mas também de um sistema que, todos os dias, invade e mutila a sua individualidade e identidade. Esse conflito, embora doloroso, acaba por ser a motivação para uma forma de resistência, pois Gabriela não se submete passivamente às imposições externas, mesmo que precise de lidar com as suas próprias inseguranças. Gostei muito, muito mesmo, deste livro. "Nunca deixamos de procurar o que fomos para começar a ser o que sonhamos."

Vertigem

Ler, um prazer adquirido

Não sei o que me atraiu neste livro mas sabia que o tinha que o ler logo e estava impaciente por o receber. Regra geral quando a primeira página me agarra já não consigo parar e cada vez gosto mais de pequenos livros que de tão sintéticos vão diretos ao que interessa e desenrolam rapidamente. Este livro é pessoal para a autora que não hesita em expor a sua história familiar a começar pelo seu antepassado viajante e explorador que não glorifica e prossegue no luto pelo pai que traia. Este livro é uma vertigem enquanto reflecte sobre tanto a partir do seu álbum de memórias e a sua intimidade. Racismo, identidade e integração. Afetos e sexualidade. “Sei perfeitamente que estou a tentar construir algo a partir de fragmentos roubados de uma história incompleta.” “A relação que certos espanhóis têm ao longo da história com a migração das suas ex-colónias americanas e, em especial com as mulheres é tão perversa, que dói saber que as trabalhadoras… têm de suportar o peso desses olhares plenos de condescendência e desprezo pelas suas vidas.” “ O meu rosto é muito parecido com o de um retrato huaco.”

SOBRE O AUTOR

Gabriela Wiener

Gabriela Wiener (Lima, 1975) é uma jornalista e escritora peruana residente em Madrid. Ativista irreverente e provocadora, escreve regularmente para a imprensa espanhola, e distingue-se pela sua «abordagem kamikaze à escrita», derrubando fronteiras, quebrando tabus e falando abertamente sobre a sua intimidade. Ganhou um prémio nacional de jornalismo no Peru pelo seu trabalho de investigação sobre a violência contra as mulheres. Em Espanha, faz parte da Sudakasa, uma comunidade de artistas migrantes da América Latina. Escreveu Nueve lunas (2009), Retrato Huaco (2021), finalista do Booker Prize e publicado na Antígona, e o romance Atusparia (2024), vencedor do Prémio Ciutat de Barcelona.

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