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Editor: Companhia das Letras, maio de 2026 ‧
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Lugar mítico da infância, mas também da loucura. Arquivo misterioso da nossa história, e da sua efabulação. Abrigo ingénuo, ou esconderijo de fantasmas e fantasias. Quantas vidas cabem num sótão?

Entre o pó e os ruídos da madeira, Madalena Sá Fernandes revisita episódios íntimos, memórias de violência e relações que deixaram marcas, balança entre a aprendizagem da autonomia e a ternura da maternidade, mostra como o corpo aprende a adaptar-se à solidão.

Espaço inclinado entre o chão e o céu, é no sótão que se acumulam objetos sem uso, histórias que ninguém conhece, fotografias por arrumar, medos que persistem. Mergulhando neste lugar de clausura e de criação, de vigilância e de liberdade, a autora interroga a própria ideia de casa: abrigo, prisão, promessa, ficção.

Madalena Sá Fernandes testa a resistência de soalhos e vigas como se fossem a engrenagem da memória, espreita da janela alta as copas das árvores para derrotar o medo, entrega-se ao silêncio para que se escute a sua escrita. Um sótão, afinal, nunca está vazio.

Arquitetado sobre a ideia de um movimento perpétuo entre passado e futuro - entre as casas que herdamos, as que tentamos construir e a possibilidade, sempre incerta, de encontrarmos um lugar onde por fim possamos ficar -, Sótão inscreve-se na tradição das narrativas que são uma chave para o presente que partilhamos.

Sótão

de Madalena Sá Fernandes

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895836246
Editor: Companhia das Letras
Data de Lançamento: maio de 2026
Idioma: Português
Dimensões: 147 x 233 x 14 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 208
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789895836246

Uma desilusão

João

Achei o Leme um livro interessante, ainda que literariamente modesto. Tinha uma história forte para contar e traçava um retrato muito marcante de uma infância marcada pela violência. Também gosto das crónicas da Madalena Sá Fernandes: leves, comoventes, por vezes duras ou divertidas, mas, em geral, impecavelmente escritas. Por isso, desiludi-me bastante com o Sótão. Parece-me um livro escrito em esforço, quase tirado a ferros, como se houvesse uma necessidade de publicar alguma coisa, mesmo sem existir matéria suficiente para sustentar um livro. A sua estrutura, ou a falta dela, também não resulta, na minha opinião. O sótão parece servir sobretudo para agregar textos algo desconexos. Nota-se, aliás, que algum material já tinha sido publicado anteriormente em crónicas e foi aqui reaproveitado. Há alguns capítulos, sobretudo os que giram em torno da ideia de casa, que me parecem mais coesos, o que me leva a perguntar se não seria esse o verdadeiro esboço inicial do livro. No entanto, o resultado soa a uma manta de retalhos. Isso, por si só, não seria necessariamente um problema, mas aqui sente-se demasiado o esforço de “rapar o tacho”. As reflexões fragmentadas raramente atingem verdadeira força poética e acabam por se tornar repetitivas. As melhores passagens são quase sempre aquelas em que a autora retrata pessoas, o vizinho, o pai, ex-namorado/marido? e as relações em geral, momentos em que recupera a observação aguda e a sensibilidade que lhe reconheço. No conjunto, achei este um livro muito falhado. Fica a pergunta: será mesmo necessário publicar a qualquer custo?

Básico

Carolina

"Sótão" foi o primeiro livro que li desta autora, e comecei a leitura com elevadas expectativas, sobretudo devido ao sucesso das suas obras anteriores. Contudo, confesso que fiquei, no mínimo, desiludida. Toda a escrita me pareceu básica, rasa e sem qualquer profundidade, densidade narrativa, ou fio condutor - o livro é apenas um conjunto de reflexões simples e de pensamentos dispersos que a autora quis, de alguma forma, coser e apresentar como um livro. Não gostei.

SOBRE O AUTOR

Madalena Sá Fernandes

Madalena Sá Fernandes nasceu em Lisboa, em 1993. Licenciou-se em Línguas, Literaturas e Culturas pela Universidade Nova de Lisboa. Escreve crónicas no jornal Público. Leme, o seu livro de estreia, saiu em 2023, na Companhia das Letras. Deriva, o seu segundo livro, é composto por uma seleção das crónicas do Público e por vários textos até então inéditos.

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