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Sira

de María Dueñas
Editor: Porto Editora, outubro de 2021 ‧
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A Segunda Grande Guerra está a chegar ao fim, e o mundo avança para uma reconstrução tortuosa. Depois de cumprir as suas obrigações como colaboradora dos serviços secretos britânicos, Sira encara o futuro ambicionando alguma serenidade. Mas essa paz tarda em chegar. O destino reserva-lhe um infortúnio trágico que a obrigará a reinventar-se e a, mais uma vez, tomar as rédeas da sua vida sozinha e lutar com todas as forças para se adaptar ao futuro.
Entre factos históricos que marcarão uma época, Jerusalém, Londres, Madrid e Tânger serão os cenários para as novas aventuras de Sira, onde enfrentará desgostos e novos riscos, reencontros inesperados e a experiência da maternidade.
Sira Bonnard – antes de Arish Agoriuq, antes de Sira Quiroga – não é a inocente costureira que nos deslumbrou com figurinos e mensagens clandestinas, mas o seu encanto permanece intacto.
Sira está de volta, carismática e inesquecível.
O regresso da protagonista de O tempo entre costuras.

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«Tento ir resgatando momentos que ficaram encobertos pela pátina do tempo» – Entrevista a María Dueñas

María Dueñas, doutorada em Filologia Inglesa, trocou a vida académica de duas décadas pelo universo literário em 2009, quando surpreendeu leitores de todo o mundo com O Tempo Entre Costuras. O romance tornou-se um verdadeiro fenómeno editorial e a sua adaptação televisiva obteve um êxito extraordinário.

Seguiram-se Recomeçar, As vinhas de La Templanza, As Filhas do Capitão e Sira — obras que consolidaram a sua voz única e aplaudida tanto pelos leitores como pela crítica. Traduzida em mais de 35 línguas e com milhões de exemplares vendidos, María Dueñas é hoje uma das autoras mais reconhecidas e queridas da literatura em língua espanhola.

Estivemos à conversa com a escritora a propósito de Se Um dia Voltarmos, o seu sexto romance, que acaba de ser lançado em Portugal pela Porto Editora. María Dueñas, Foto © Alexandra Teófilo/Porto Editora Se Um dia Voltarmos passa-se na cidade argelina de Orán, que tem grande protagonismo ao longo do livro. Porquê Orán?
Eu tinha algum conhecimento da presença de espanhóis em Orán pelos meus vínculos com o sudeste Mediterrâneo e com o norte de África, e tinha consciência de que era muito desconhecido, dentro da tradição emigrante espanhola que me agrada recuperar. Comecei a investigar para ver se podia ter potencial narrativo, e vi que tinha imenso. E então lancei-me a resgatar esse mundo de forma muito forte: a violação de Cecilia que, além disso, mata o homem que a violou.

Por que escolheu começar com uma cena tão forte?
Muitas vezes não se tem um catálogo de opções para decidir. Eu queria que ela partisse sozinha e que, para começar a sua vida do zero em Orán, partisse de uma maneira precipitada, sem nenhum conhecimento do sítio para onde ia. Naqueles anos, infelizmente, estes abusos eram muito comuns. Agora continuam, mas pelo menos há outros canais para denunciar. Mas na altura a situação era de vulnerabilidade absoluta, e Cecilia tinha consciência de que, ao defender-se, tinha matado um homem, e tudo iria ficar contra ela depois. E por isso decidi que era como se tivesse os ingredientes necessários para a pôr em marcha de uma maneira absolutamente precipitada e sem voltar a olhar para trás.   «Nos meus romances (…), tento ir resgatando momentos, acontecimentos que ficaram um pouco encobertos pela pátina do tempo.» Cecilia enfrenta muitas dificuldades ao longo da história (assédio constante, gravidez inesperada, separar-se da filha, casamento forçado). O que terá sido mais difícil para ela? E qual foi a melhor parte das suas aventuras?
Suponho que o mais difícil é quando perde a filha e essa sensação que tem de culpa, que permanece tantos anos depois. Embora o bom senso lhe diga que foi um acidente, por outro lado, pensa sempre: “Se eu tivesse agido de outra maneira”. Dentro de todas as coisas ingratas que lhe acontecem, isso talvez seja o mais dilacerante.
O melhor das suas aventuras talvez seja o amor, haver uma pessoa que que entra na sua vida e que não sai de todo.

No final do livro, nos “Agradecimentos”, damo-nos conta de que fez um trabalho exaustivo de pesquisa sobre a época: a emigração espanhola para a Argélia, a Guerra Civil, a Segunda Guerra, a Guerra da Independência… O que mais a fascinou ou surpreendeu em tudo o que descobriu acerca deste período?
Tudo. Era uma descoberta contínua de detalhes, de pequenas vivências pessoais, de grandes acontecimentos. Tentei que isso se refletisse no pano de fundo histórico: a Argélia francesa, e depois com os espanhóis; a Guerra Civil Espanhola, o exílio espanhol, a II Guerra Mundial, a Guerra da Independência… Tudo isso foi muito enriquecedor e fascinante.
Mas também coisas que as testemunhas me contaram, porque é tudo relativamente recente e ainda há muita gente que viveu aquele mundo em criança, ou os seus descendentes, que contam experiências dilacerantes. Num sentido ou noutro. Porque cada um — falei com muita gente — vem de uma origem, de uma posição e de uma circunstância distinta. O testemunho humano também foi muito importante. Por que escreve romances históricos e não outro género qualquer?
Eu não concebo os meus romances como históricos, acho que são mais romances clássicos sobre um pano de fundo histórico. Tento não abordar períodos históricos que já estão muito trabalhados na literatura, mas sim ir resgatando momentos, acontecimentos que ficaram um pouco encobertos pela pátina do tempo. O Tempo Entre Costuras passa-se em Tetuão e Tânger; As Filhas do Capitão, na Nova Iorque dos emigrantes espanhóis. São períodos muito interessantes, e muito desconhecidos para muitos leitores, e que vale a pena iluminarmos de novo, situando neles novas histórias.
  Como escritora de histórias ambientadas noutra época, sente que o mundo mudou muito ou que não mudou o suficiente?
Mudou imenso, mas ainda há coisas recorrentes, com outro formato e com outra circunstância: a emigração, os abusos…. Há coisas que ainda não mudaram de todo, não. Têm outra dimensão, movem-se de outra forma distinta, têm outras dinâmicas, mas há muitas coisas que vamos repetindo de geração em geração e provavelmente nunca acabarão. Infelizmente. Há algumas que, felizmente, se mantêm – e que transponho para a história de Cecilia –, como a solidariedade e a empatia, que não esperas de gente desconhecida. Mas outras, como a emigração, continuam a ser um drama em muitos sítios do mundo, pelo que, para o bem ou para o mal, é um pouco a História da Humanidade: é circular, ou pendular, mas voltamos a passar pelo mesmo. Tem um doutoramento em Filologia Inglesa e foi professora na Universidade de Múrcia durante duas décadas, até irromper no meio literário em 2009. O que a levou a publicar o seu primeiro romance aos 45 anos?
Escrevi o meu primeiro romance enquanto continuava a ser professora full-time, com as minhas aulas, os meus projetos de investigação, a minha vida. Mas estive algum tempo nos Estados Unidos como professora visitante numa universidade, e aí, pela primeira vez em muito tempo, tive um pouco de calma, de tempo mais livre, e apetecia-me. Ainda tinha energia e vontade de fazer algo diferente. Nunca comecei a escrever pensando: “Vou abandonar a minha carreira académica e vou começar outra nova via profissional”; mas depois o livro foi publicado e teve uma aceitação enorme, absolutamente inesperada. Chegou um momento em que percebi que não podia fazer as duas coisas ao mesmo tempo, e então fechei a porta da universidade e abri esta, e aqui estamos.

O que mudou para si entre o seu primeiro romance, O Tempo Entre Costuras, e Se Um Dia Voltarmos, que é já o sexto?
Em cada novo livro mudaram muitas coisas, sou 20 anos mais velha, mas o resto não tanto, porque para mim cada romance é mais do que o simples ato de escrever uma história; é como um projeto de vida que me ocupa uns 2 anos, que me leva a investigar, a aprender, a conhecer pessoas, a viajar, a conceber uma história, a dar-lhe forma e moldá-la, depois acompanhar o romance na promoção, e então nisso, sim, entrego-me em cada novo livro com o mesmo entusiasmo, a mesma vontade, a mesma capacidade de trabalho, tudo.

Portanto, como se fosse a primeira vez.
Sim, porque tento sempre escolher momentos, ideias, histórias que me estimulem. Para mim é também um processo de aprendizagem, cada romance é um desafio. E isso repete-se sempre.   «Eu participo nas adaptações televisivas e é um processo tortuoso porque (…), por mim, pelos meus leitores, tenho de velar para que não se perca a alma e a sua essência [dos livros]». Se comparar a carreira de escritora com a carreira de professora, o que é que gosta mais e menos na carreira de escritora?
Escrever é um processo muito solitário, mas depois, entram a promoção, o trabalho editorial e muitos agentes externos. Durante a escrita real do livro, que geralmente me leva cerca de um ano, é trabalho absoluto e és tu que tomas as decisões e toda a capacidade organizativa está em ti. Na universidade também se trabalha bastante em equipa, e com os alunos. Aquilo de que talvez tenha sentido mais falta na escrita é a possibilidade de interagir com pessoas, até aquele café a meio da manhã com os colegas. Mas tem também o lado bom, porque fazes o que queres; ninguém te dirige, te organiza, te estabelece prazos. És completamente independente e livre. Qual é a sua relação com as adaptações televisivas das suas obras? É difícil ver atores darem uma cara às suas personagens, que pode não ser a que tinha imaginado?
Eu participo e é a minha grande dor de cabeça: os guiões, a supervisão dos guiões. Fi-lo com O Tempo Entre Costuras, fi-lo com As Vinhas de La Templanza e agora estou a fazê-lo com Sira. É um processo longo, árduo e pode tornar-se muito duro porque tens de zelar pelo teu livro. Eu não exijo que esteja tudo igual ao que está no livro, mas tenho de estar muito atenta para que não se converta noutra coisa que não tenha nada a ver. Por mim, pelos meus leitores, tenho de velar para que não se perca a sua alma e a sua essência. E às vezes os guionistas e os produtores querem outra coisa, pelo que é um processo tortuoso. É uma luta enorme, mas no fim acho que tudo vai correr bem. Qual foi o último livro que a encantou, de outros escritores?
Leio coisas muito diferentes. Comecei a ler um livro de contos da Lídia Jorge, porque um amigo ma recomendou há uns meses, e estou a gostar imenso. Durante a fase final da escrita do último romance, estive muito fascinada com Albert Camus, Prémio Nobel da Literatura, de origem argelina, descendente de família espanhola também, e que vive esse mundo das classes trabalhadoras, de pessoas com pouca educação, com poucos recursos, que prosperam através da escola, do esforço; isso abre os olhos para um mundo novo, e também me fascinou.

Já sabe o que vai escrever a seguir?
Não, ainda não tenho ideia nenhuma, é quase sempre assim. Raramente há algo, porque para mim o processo deste romance ainda não terminou. É como uma cápsula de tempo na qual terminei a minha tarefa de escrever, mas não a minha tarefa de acompanhar o livro, agora que começam as traduções. Para português é a primeira, mas já estão a trabalhar com o francês, com o italiano, com o inglês, ou seja, virão mais, e eu vou acompanhando. Dentro de uns meses, quando terminar todo este período, então aí, sim, penso nisso a sério.

Sira

de María Dueñas

Propriedade Descrição
ISBN: 978-972-0-03485-4
Editor: Porto Editora
Data de Lançamento: outubro de 2021
Idioma: Português
Dimensões: 152 x 235 x 34 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 608
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 978972003485411
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

A continuação

Catarina

O tempo entre costuras, é sem dúvida dos meus livros preferidos, muito em parte pela protagonista, a Sira Quiroga. Por isso, está continuação foi muito desejada. E sem dúvida, que não defraudou as expectativas. Sira continua sendo Sira, uma mulher empoderada não só para o tempo em que a narrativa decorrer, mas também no presente. Aconselho e ara quem não leu o primeiro que o faça.

Envolvente

Sara Marques

Depois de nos dar a conhecer a enigmática modista Sira Quiroga em ´´O Tempo Entre Costuras´´, María Duenas transporta-nos desta vez para Jerusalém, onde a cada dia que passa, a tensão entre a população cresce e ganha proporções assustadoras. Sira vê-se num ambiente diferente ao qual tem de se adaptar. Mas algo imprevisto vira a sua vida do avesso, mais uma vez. É obrigada a mudar-se para a austera Londres, onde ainda se sente o rescaldo da 2 Guerra Mundial. As carências são muitas e o ânimo é escasso. Achei incrível o crescimento de Sira. Para trás ficou a jovem e inocente costureira. Nesta narrativa, vemos uma Sira casada e a preparar-se para ser mãe, muito dona de si, perspicaz e proactiva. Mesmo sendo uma mãe carinhosa, não perdeu a sua essência, continuou à procura da sua independência. Duenas é uma incrível narradora de histórias. Não só lemos sobre a vida de Sira, mas também lemos sobre a história dos anos 40, e aprendemos detalhes exatos e interessantes. A sua escrita é muito descritiva e detalhada, ainda assim é cativante. E visto que os capítulos são curtos (geralmente têm menos de 10 páginas), a leitura flui muito naturalmente. Sinceramente, gostei mais do primeiro. Teve muito mais ação, enquanto este segundo se desenrolou vagarosamente e com pouco entusiasmo. Mas não deixa de ser uma história muito rica, e gostei imenso de ler mais sobre a vida da versátil Sira Quiroga.

Sira de volta

Tita

Voltamos a reencontrar Sira, após o fim da 2ª guerra, e que espera ter um futuro mais calmo. No entanto, o destino troca-lhe as voltas e uma tragédia vai obrigar Sira a lutar sozinha pelo seu futuro e com responsabilidades acrescidas. A acção decorre entre Jerusalém, Londres, Madrid e Tânger e onde a autora interliga a vida de Sira com factos históricos, como o início da guerra em Jerusalém e a visita de Eva Peron a Espanha e que, devo confessar, foi a minha parte preferida. Temos também algo do passado de Sira que vem tentar perturbar a nossa protagonista e que, apesar de me ter apanhado desprevenida, acabei por gostar muito como a autora abordou a situação. Mais uma grande leitura!

Romance histórico apaixonante

Rita

A continuação de O Tempo Entre Costuras. Poderia ser lido em separado, mas a experiência fica mais completa se for sequencial. Podia ser uma sequela sem sentido, mas não! resultou num livro que não conseguimos parar de ler.

Viagem inesquecível!

As Leituras da Fernanda

Maria Dueñas, a autora, é uma verdadeira contadora de histórias. Encanta-nos, quase que nos hipnotiza, e leva-nos de mão dada até lugares e situações longínquas no tempo. As 608 páginas voam num ápice, e Sira é novamente aquela personagem carismática, atrativa e inesquecível, com mais força e determinação que no primeiro livro. Adorei e recomendo sem hesitações.

Um romance fantástico!

AC

Maria Duenas volta a surpreender com este novo romance. Quando se pensava que a história da espiã já estava concluída (Tempo entre costuras), nesta nova trama Sira volta a ganhar vida e a cativar em cada página. Neste romance a ficção e os factos históricos combinam-se na perfeição, sendo um ótimo livro para quem se aprecia romances históricos! Recomendo muitíssimo!

Vidas conturbadas

Ana Mª Martins

Ao longo de 600 páginas, continuamos a conhecer a vida aventureira de Sira. Maria Dueñas prende-nos através dos encontros e desencontros, aventuras e desventuras da sua personagem. De salientar a vasta pesquisa realizada pela autora para relatar imensos factos históricos. Deparamo-nos com bastantes descrições que nada têm de maçadoras, antes pelo contrário, devido à riqueza da adjectivação. Recorre a flasbacks para recordar ao leitor factos e personagens de “O tempo entre costuras”. Recomendo!!!

Sira

Dália

Depois de o tempo entre costuras, reencontramos a (personagem) Sira, e uma vez através de cada página acompanhamos as suas aventuras... recomendo principalmente para quem leu o anterior

Recomendo!

Marina

Este livro é a continuação da história da protagonista do livro "O tempo entre costuras". Numa continuação, há sempre o receio de que fique aquém do primeiro livro, mas não é o caso. Este "Sira" é tão interessante como o primeiro. Recomendo!

SOBRE O AUTOR

María Dueñas

María Dueñas é doutorada em Filologia Inglesa. Depois de duas décadas dedicadas à vida académica, irrompeu pelo mundo literário em 2009, com O tempo entre costuras, o romance que se tornou um fenómeno editorial e cuja adaptação televisiva alcançou um sucesso assinalável. Os seus romances posteriores, Recomeçar, As vinhas de La Templanza, As filhas do Capitão e Sira continuaram a cativar os leitores e a crítica.
Traduzida em mais de 35 línguas e com milhões de exemplares vendidos, a autora é uma das escritoras de língua espanhola mais estimadas no mundo.
Se um dia voltarmos é o seu sexto romance.

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