Se perguntarem por mim, não estou seguido de haja harmonia

de Mário de Carvalho

editor: Editorial Caminho, abril de 1999
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"Os morcegos têm má visão e andam sempre a entrar onde não devem! Uma noite, um morcego entrou na cova duma doninha que era uma grande comedora de ratos. E vai a doninha e diz-lhe: «Que bom, olha um rato, vou comê-lo.» E o morcego respondeu: «Não vês que tenho asas? Onde é que tu viste um rato com asas? Eu não sou um rato, sou um pássaro!» E a doninha, que não gostava de pássaros, deixou-o ir embora. Mas o morcego, atarantado, foi ter a um buraco de árvore em que havia um gavião. O gavião adorava pássaros, e diz: «Olha que boa coisa, um passarinho que vem mesmo a calhar!» Mas o morcego respondeu: «Essa é boa! Passarinho, eu? Olha para este pêlo, tão liso e tão macio! Onde é que tu vês as penas?» O gavião disse: «É verdade, não tem penas... não é um pássaro.» «É evidente que não», respondeu o morcego, «eu sou um rato.» «Bah, detesto ratos», respondeu o gavião. E deixou o morcego ir-se embora... Eu sou assim... Numas circunstâncias... sou uma coisa; noutras, sou outra... Assim tenho evitado as chatices. Enfim... algumas..."

Se perguntarem por mim, não estou seguido de haja harmonia

de Mário de Carvalho

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722112604
Editor: Editorial Caminho
Data de Lançamento: abril de 1999
Idioma: Português
Dimensões: 135 x 208 x 13 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 304
Tipo de produto: Livro
Coleção: O Campo da Palavra
Classificação temática: Livros em Português > Arte > Artes de Palco Livros em Português > Literatura > Romance Livros em Português > Literatura > Teatro (Obra)
EAN: 9789722112604
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável
Mário de Carvalho

Mário de Carvalho nasceu em Lisboa em 1944. Licenciou-se em Direito e viu o serviço militar interrompido pela prisão. Desde muito cedo ligado aos meios da resistência contra o salazarismo, foi condenado a dois anos de cadeia, tendo de se exilar após cumprir a maior parte da pena. Depois da Revolução dos Cravos, em que se envolveu intensamente, exerceu advocacia em Lisboa. O seu primeiro livro, Contos da Sétima Esfera, causou surpresa pelo inesperado da abordagem ficcional e pela peculiar atmosfera, entre o maravilhoso e o fantástico.

Desde então, tem praticado diversos géneros literários – Romance, Novela, Conto, Ensaio, Crónica e Teatro –, percorrendo várias épocas e ambientes, sempre em edições sucessivas. Utiliza uma multiforme mudança de registos, que tanto pode moldar uma narrativa histórica como um romance de atualidade; um tema dolente e sombrio como uma sátira viva e certeira; uma escrita cadenciada e medida como a pulsão de uma prosa endiabrada e surpreendente.

Nas diversas modalidades de Romance, Conto, Crónica e Teatro, foram atribuídos a Mário de Carvalho os prémios literários mais prestigiados (designadamente os Grandes Prémios de Romance e Novela, Conto e Teatro da APE, o prémio do Pen Clube Português e o prémio internacional Pégaso de Literatura). Em 2020, foi distinguido com o Grande Prémio da Crónica e Dispersos Literários, da APE, pela obra O que Eu Ouvi na Barrica das Maçãs, e, em 2022, o seu De maneira que é claro... foi galardoado com o Grande Prémio de Literatura Biográfica Miguel Torga, da APE. Os seus livros encontram-se traduzidos em várias línguas.

Obras como Os Alferes, A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho, Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, O Varandim seguido de Ocaso em Carvangel, A Liberdade de Pátio ou Epítome de Pecados e Tentações são a comprovação dessa extrema versatilidade.

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