Poesia Completa de Miguel Torga - Pack (Volume I + Volume II)

de Miguel Torga
Editor: Dom Quixote, julho de 2007 ‧
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Cumpre-se o primeiro centenário do nascimento Miguel Torga a 12 de Agosto de 2007.

Esta edição especial, cartonada, da sua obra poética completa, inclui também os poemas publicados nos Diários.

Poesia Completa de Miguel Torga - Pack (Volume I + Volume II)

de Miguel Torga

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722033800
Editor: Dom Quixote
Data de Lançamento: julho de 2007
Idioma: Português
Dimensões: 145 x 225 x 69 mm
Encadernação: Capa dura
Páginas: 960
Tipo de produto: Livro
Coleção: Autores de Língua Portuguesa
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Poesia
EAN: 9789722033800

Revisitação a Miguel Torga – poeta da Natureza e do Homem

jaime manuel basso pequito crespo

(ouvindo: Miles Davies "whispering" e "walkin'"; Glenys Lynos / Zeger Venderstenne; Orquestra da Rádio Sinfónica de Ljubliana, maestro Anton Nanut – " A Canção da Terra", de Gustav Malher; a mesma obra mas interpretada por Jessie Norman / Siegfried Jerusalém, Berliner Philharmoniker, Maestro James Levine) Tese: uma condição atávica de forte ligação à terra, a revolta visceral à religião propagada pela igreja, a encarnação de uma poesia (escrita) de carácter fortemente telúrico, a revolta da condição humana perante as contingências da vida buscando em cada acção a liberdade, a acepção de um paganismo pragmático como filosofia de vida, são os constituintes activos da estética torguena. Ambiente: Homem em comunhão e identificado com a Natureza, verificando-se essa comunhão em todas as horas, casos e acasos, bafejada quase sempre pela desgraça e mais raramente pela graça (do natural). Cenário: as paisagens inóspitas e desoladoras (quase sempre) de Trás-os-Montes e Alentejo; mas também potenciadoras de uma vontade férrea de rasgar fragas em busca da luz e da vida, renovando-se e regenerando-se em luta contínua no desenrolar acidentado do ciclo da vida. Atrevimento: mostrar Torga como poeta de viagens. Após o post, gentil e simpático aqui deixado por Joaquim Castanho (6 de Setembro pretérito) me ter suscitado mais algumas reflexões em torno de Miguel Torga e também me ter reaberto o apetite voraz pela releitura de alguma da sua poesia (a prosa deixemo-la para mais tarde) era inevitável, perante uma irresistível força de vontade interior, voltar a discorrer sobre o assunto. Comecemos pelo mais peculiar e que aqui deixo em jeito de curiosidade jeitosa para os mais distraídos para com a obra de Torga e que de tão distraídos porventura percam um breve momento de seus importantes afazeres numa breve paragem aqui no fongsoi. Não raro se diz que Portugal tem poucos, e com pouca qualidade, escritores de viagens, o que é ainda mais estranho sendo o português um natural viajante (tema para futura dissertação), no rol e com qualidade quase que só se aponta o ancestralíssimo Fernão Mendes, esquecemo-nos de Torga, homem do século XX português e talvez por isso ainda anda desarrumado pelos cânones, mas que foi um enorme escritor de viagens, cultivando o género ao longo dos seus XVI diários não só na forma narrativa mas levando ao género os travos e aromas da poesia. Atrevo-me pois a considerar Torga como um poeta de viagens, género que bastamente cultivou ao longo dos seus diários e com que belos frutos dessa colheita nos podemos deliciar… Nesses cantares de andarilho alguns poemas foram escritos no nosso Alentejo (des) encantado. Concretamente no distrito de Portalegre, sem desprimor de outros locais, encontramos poemas com registo em Monforte, Sousel e este que aqui vos deixo apresentando como certidão de nascimento Alpalhão, a 1 de Novembro de 1952. "Insónia alentejana Pátria pequena, deixa-me dormir, Um momento que seja, No teu leito maior, térrea planura Onde cabe o meu corpo e o meu tormento. Nesta larga brancura De restolhos, de cal e solidão, E ao lado do sereno sofrimento Dum sobreiro a sangrar, Pode, talvez, um pobre coração Bater e ao mesmo tempo descansar… In, Diário VI (fotos retiradas da página da EB1 de Alpalhão) Recordo com nostalgia, o brilhozinho nos olhos, o sorriso sardónico por detrás do bigode grisalho mas bem cuidado, o pigarro aclarando a goela livrando-a de uns gramas de nicotina, o ilustre Dr. Barrocas, lídimo professor de português, orgulhoso de si mesmo, vaidoso, do alto do estrado magistral mostrava-nos ufano, a estes que a terra há-de comer, os seus livros com dedicatória e autografados por um tal de Adolfo Rocha para os amigos, Miguel Torga para os leitores. Jaime Crespo

SOBRE O AUTOR

Miguel Torga

Pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha, autor de uma vasta produção literária, largamente reconhecida e traduzida em várias línguas. Nasceu em S. Martinho de Anta em 1907. Depois de uma experiência de emigração no Brasil durante a adolescência, cursou Medicina em Coimbra, onde passou a viver e onde veio a falecer em 1995. Foi poeta presencista numa primeira fase; a sua obra abordou temas sociais como a justiça e a liberdade, o amor, a angústia da morte, e deixou transparecer uma aliança íntima e permanente entre o homem e a terra. Estreou-se com Ansiedade, destacando-se no domínio da poesia com Orfeu Rebelde, Cântico do Homem, bem como através de muitos poemas dispersos pelos dezasseis volumes do seu Diário; na obra de ficção distinguimos A Criação do Mundo, Bichos, Novos Contos da Montanha, entre outros. O Diário ocupa um lugar de grande relevo na sua obra. Também como escritor dramático, publicou três obras intituladas Terra Firme, Mar e O Paraíso. Recebeu, entre outros, o Prémio Montaigne em 1981, o Prémio Camões em 1989 e o Prémio Vida Literária (atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores) em 1992.

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