Peito Grande, Ancas Largas

de Mo Yan
Editor: Ulisseia, abril de 2007 ‧
O presente romance, publicado na China em 1995, causou grande controvérsia. Algum conteúdo de teor sexual e o facto de não retratar uma versão da luta de classes consentânea com os cânones do Partido Comunista Chinês, obrigaram Mo Yan a escrever uma autocrítica ao seu próprio livro, e, mais tarde, a retirá-lo de circulação. Ainda assim, inúmeros exemplares continuam a circular clandestinamente.Num país onde os homens dominam, este é um romance épico sobre as mulheres. Sugerido no próprio título, o corpo feminino serve como imagem e metáfora ao livro. A protagonista nasce em 1900 e casa-se com 17 anos. Mãe de 9 filhos, apenas o mais novo, é rapaz. Jintong é inseguro e fraco, contrastando com as 8 irmãs, fortes e corajosas. Cada um dos 6 capítulos representa um período, desde o fim da dinastia Qing, passando pela invasão japonesa, à guerra civil, à revolução cultural e aos anos pós Mao.Um romance que percorre e retrata a China do último século através da vida de uma família em que os seres verdadeiramente fortes e corajosos são as mulheres.

«Se quiserem, podem ignorar todos os meus outros livros, mas é obrigatório que leiam Peito Grande, Ancas Largas. É um romance sobre a história, a guerra, a fome, a política, a religião, o amor e o sexo!» Mo Yan.

Peito Grande, Ancas Largas

de Mo Yan

Propriedade Descrição
ISBN: 9789725685709
Editor: Ulisseia
Data de Lançamento: abril de 2007
Idioma: Português
Dimensões: 160 x 235 x 36 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 604
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789725685709

Ótimo exemplar da literatura chinesa

Catarina Duarte

A melhor obra deste prémio Nobel permite-nos conhecer a sociedade chinesa como se lá estivéssemos.

SEM PAUZINHOS

Jorge Gonzalez

Uma saga (se é que se pode chamar saga a qualquer coisa que não seja literatura antiga nórdica) da família Shangguan ao longo do quase todo o século XX. Por vezes foi mesmo como estar a ler chinês, outras vezes aterrar na China durante a guerra civil ou em plena Revolução Cultural, e sempre mas sempre com a metáfora à mistura. Fica-se com um sabor a sangue e sabre, um aroma a miséria e maus tratos sobre mulheres com pés enfaixados, úteros humanos e animais. Realismo visto e narrado a partir do epicanto. Hiper-realismo.

Sugestão de leitura

Manuel Pereira Gonçalves

Com um pouco de tempo, uma dose relativa de perseverança, este é uma excelente título para ler em férias, num ambiente sem horas marcadas, deixando-se envolver pelo desenrolar da história. Guan Moye, natural da China, de um meio rural, escolheu como pseudónimo Mo Yan que significa "Não fales mais", foi Prémio Nobel da Literatura, no ano de 2012 (11 de outubro), portanto, o mais recente. Disse então a Academia Sueca que o autor "funde os contos tradicionais, a história e a contemporaneidade com um realismo alucinatório". Esta sua obra retrata, mais direta ou indiretamente, a China com as suas matizes culturais, políticas, religiosas, sociais. O regime de Pequim tem vindo a censurar algumas dessas obras, publicando apenas as que ganham projeção internacional. A atribuição do Prémio Nobel leva em conta não apenas a qualidade e originalidade da escrita e das histórias ou reflexões, mas também o contributo para a evolução dos povos. Em alguns casos é a forma de promover autores que vivem mais ou menos em estado de perseguição, ou sob censura. Com o Prémio, ganha relevo mundial o autor e os seus escritos. Diga-se, a este propósito, que este livro que ora recomendamos, quando foi conhecido o Prémio Nobel custava € 10,00 e podia ser encomendado por metade do preço, ou a preço de chuva, a € 5,00. Nas encomendas pela Internet não foi possível adquirir porque logo ficou indisponível. Dias seguintes, o preço do livro ultrapassou os € 20,00 (€ 22,00 a € 25,00). Com uma saída muito maior. O livro em si, segundo os editores, é um resumo de outro resumo publicado pelo autor, primeiro em fascículos de revista. Conforme referiu o autor, em tamanho é um bloco/tijolo. O mesmo refere que se tivesse que aconselhar a leitura de um dos seus livros, seria este. "Se quiserem, podem ignorar todos os meus outros livros, mas é obrigatório que leiam Peito grande, Ancas Largas. É um romance sobre a história, a guerra, a política, a fome, a religião, o amor..." A história insere-se na grande China imperial e feudalista, tendencialmente machista, que se destrutura com a segunda Guerra Mundial, deixando-se depois absorver pelo comunismo, que nem por isso traz melhorarias significativas para as pessoas, as famílias ou a própria nação. O livro contém praticamente todo o século XX, assistindo a diversos regimes, todos eles com acentuações destrutivas e escravizantes. O sistema imperial é também feudal. Há senhores que são donos de grandes mansões, grandes quintas, com muita riqueza, com muitas pessoas a prestarem vassalagem pelas necessidades básicas e essenciais à sobrevivência. A 2ª Guerra Mundial, com a invasão dos japoneses traz novos senhores, novas guerras, novas disputas, de um e outro lado da barricada, famílias vão-se colocando num ou noutro lado da balança. Conforme o pêndulo, assim as pessoas, assim os que mandam, assim os que são espezinhados, julgados, mortos. Depois da guerra e da retirada dos japoneses, outros grupos se impõem, a salvação nacional, os direitistas, esmagados pelo regime comunista. Em todas as famílias há elementos de uma fação ou de outra. Os mais pobres acabam por ser os mesmos. E tanto se está na mó de alto como na mó debaixo. Como diz uma das personagens, com grande realismo, ou quem sabe com muito pessimismo, desencanto, desilusão, do já visto, é necessário estar atento e acompanhar o vento, para se colocar do lado certo. Passam esses momentos de conflito, mas as quezílias entre famílias repetem-se, as perseguições continuam, o silenciamento faz-se discricionariamente, a justiça popular, a instrumentalização do poder a favor de uns poucos beneficiados. A história de uma família, com um crescendo de conflitos, disputas, separações, entrelaça-se com a história da nação. O machismo por demais evidente, em que se deseja e impõe o filho varão. O Peito Grande e as Ancas Largas é de família. Todas as mulheres seguem com esta característica, que tem o seu quê de simbólico, alguém, diríamos nós, que alimenta muitos filhos, com as costas largas para aceitar o bem e o mal, os sacrifícios, o sofrimento, por vezes quase em silêncio, para levar com uns e outros, porrada, violência de palavras e de gestos. O rapaz (personagem central, o narrador) é o 8.º filho. A Mãe, com peito grande e ancas largas, teve que se deitar com vários homens, já que o seu não lhe dava descendência, com o risco de ser entregue à proveniência, pois a culpada é sempre a mulher, lá arranja forma de procriar. Uma e outra filha, uma desgraça nunca vem só. Depois de muitos insultos e desgaste lá vem um filho e com ele uma irmã gémea, cega de nascença. A sogra é um traste, e a mãe tornar-se-á outro traste. A vida, a fome, a guerra, as divisões dentro da família, a miséria, o frio, moldaram um coração de pedra. As filhas vão casando, com líderes de diversas fações e por momentos a família vão gozando ora dos favores de um dos lados, ora do outro, conforme a mudança de vento. O filhos é que dão o nome e continuam a linhagem. Porém, o romance é uma crítica muito clara a esta sociedade tendencialmente machista. As mulheres é que mandam. O Peito grande e as ancas largas é que governam a casa, a cidade, a sociedade... É um belíssimo texto que traz até nós a ambiência chinesa, com diversos momentos que não eliminam a fome, a pobreza extrema, o machismo, a violência, a justiça popular, com elementos supersticiosos, próprios daquela civilização, mas também a influência ocidental, europeia e cristã. Dentro da trama, muitas pequenas estórias...

real, seco e duro

Nuno Benjamim Pinto

trata-se de um relato de vida tal como ela é, sem floreados, onde as pessoas são providas de demonstrações sentimentais... Uma leitura super enriquecedora.

Uma leitura dura e doce

Marta Ribeiro de Carvalho

É uma história narrada de forma doce e com muito amor mas que retrata uma realidade muito dura e realista.

A Alma Humana

maria laura costa claudino

verdadeiro desafio de ir ao fundo da alma humano

SOBRE O AUTOR

Mo Yan

PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 2012

Guan Moye (Mo Yan) nasceu em 1955 na China (província de Shandong). Foi então que começou a escrever, escolhendo desde logo o seu pseudónimo, Mo Yan, que significa "não fale". Numa entrevista recente, explicou que o nome se refere ao período revolucionário da década de 1950, quando os pais o aconselharam a não exprimir as suas opiniões em público.
Em 1981, publicou o primeiro romance, escrito quando era soldado.
Em 1987, publicou Red Sorghum (Sorgo Vermelho), que viria a tornar-se um bestseller. Foi adaptado ao cinema por Zhang Yimou e ganhou o Urso de Ouro do Festival Internacional de Berlim em 1988.
Em 1996, lançou Peito Grande, Ancas Largas, a única obra deste autor publicada em Portugal, pela editora Ulisseia. Este romance, que foi proibido na China, relata, de uma perspectiva feminina, quase um século da História do país. Devido ao teor sexual do texto, Mo Yan foi obrigado a escrever uma autocrítica ao seu próprio livro, tendo mais tarde sido obrigado a retirá-lo de circulação.
Em 2011, ganhou o prémio Mao Dun, o mais importante galardão literário do país, sendo depois eleito vice-presidente da Associação dos Escritores da China.
O seu estilo é comparado ao realismo mágico de Gabriel García Márquez.
Em 2012, recebeu o Prémio Nobel de Literatura.

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