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Editor: Letras Lavadas, Janeiro de 2026 ‧
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Ontem é um romance marcado pelo sal, pela memória e pelo silêncio.
Filha e neta de homens do mar e de mulheres que são a sua sombra, Madalena nasce nas Capelas, entre o bater das ondas e o vapor da baleação.
Na infância, conhece André, menino da cidade, menino do outro lado da vida. Entre eles nasce um amor feito de espera e distância, moldado pela terra e pelas marés.
Este livro é o retrato íntimo de uma mulher e da sua ilha. Um hino à terra, ao mar e à baleia.
E aos sonhos, porque os sonhos de Madalena são os sonhos da sua geração.
A baleação, cenário e metáfora, acompanha-nos: um modo de vida que desaparece, deixando para trás ossos, ruínas e memórias.
A história de Madalena acompanha esse fim: o abandono, o que se deixa morrer, mas também o que, teimosamente, resiste.
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Entrevista a Ana Oliveira Cardoso

Ana Oliveira Cardoso, autora açoriana que se estreou no romance com O Vento que me (E)Leva, acaba de lançar Ontem, um livro que nasce, segundo a autora, de «histórias contadas por familiares e amigos sobre o tempo em que se caçavam baleias, quando o mar era sustento e a paisagem da ilha (a neblina, o silêncio, a espera) moldava os dias».

Ontem, editado pela Letras Lavadas, é um romance que acompanha Madalena, nascida na freguesia das Capelas, na ilha de S. Miguel, e marcada pela vida das famílias ligadas ao mar e à baleação. A autora revisita um modo de vida que desapareceu, observando como esse fim atravessa uma mulher, a sua comunidade e a sua geração. Entre a infância da protagonista, partilhada com André, um menino da cidade, e a transformação da ilha, a narrativa segue o que se perde e o que resiste.
Um testemunho vivo da identidade açoriana. Ana Oliveira Cardoso Que memórias, histórias familiares ou imagens dos Açores mais influenciaram a criação de Ontem?
O Ontem nasceu de memórias que não são apenas minhas: são histórias contadas por familiares e amigos sobre o tempo em que se caçavam baleias, quando o mar era sustento e a paisagem da ilha (a neblina, o silêncio, a espera) moldava os dias. A baleação interessou-me como facto histórico, mas também pelo seu lado humano: a vida medida pela coragem, pela perda e pela intimidade com o oceano.

O mar é presença física e simbólica neste romance. O que significa o mar para si?
Para mim, o mar é isso mesmo: presença. É vida. Lembra-me constantemente da minha fragilidade, mas também da minha força. Neste romance, ele existe como existe na vida: como mar (água) e como símbolo, que separa e une, que afasta e devolve. Quase como um espelho interior, revelando uma força que as personagens, às vezes, não sabem que têm.

O que mais a surpreendeu ou emocionou ao investigar sobre a baleação nos Açores?
O respeito. Os baleeiros caçavam por necessidade, mas tinham um profundo respeito pela baleia. A consciência do risco. A dependência absoluta do mar. A dimensão: um pequeno bote, os homens e um monstro, no território do próprio monstro. E a espera: tanto dos homens que querem sair no bote como dos que ficam em terra, à espera do seu regresso. « Neste romance, o mar surge quase como um espelho interior, revelando uma força que as personagens, às vezes, não sabem que têm.»

De que forma é que a paisagem das Capelas e a memória da baleação moldaram a criação de Madalena e o tom do romance?
A paisagem campesina das Capelas e a sua proximidade do mar ajudaram-me a moldar a personalidade de Madalena, profundamente ligada à sua terra. Numa freguesia a alguns quilómetros da cidade, nos anos 60 e 70 do século passado, era normal nascer-se já com um destino “pré-estabelecido”. Foi a partir dessa inevitabilidade que criei os desafios: o confronto entre o que se esperava que ela fosse e o que ela realmente sonhava ser.

Madalena é filha e neta de homens do mar. Que aspetos dessa condição específica açoriana quis trazer à superfície através dela?
Através de Madalena, trago à superfície a herança de ser filha e neta de homens do mar: a ausência, o risco e a necessidade de amadurecer rapidamente. Ela carrega essa herança na forma como vive: sabe esperar, resistir e lutar. É nesse território, entre a força e a vulnerabilidade, que a sua personalidade se constrói.

A relação entre Madalena e André é feita de distância e marés. O que a interessava explorar neste amor que cresce entre dois mundos?
Interessava-me explorar a tensão entre o estar perto e o estar distante. O amor de Madalena e André cresce marcado pelo mar, que separa e aproxima; é um amor feito de pequenos gestos, de muitos silêncios e de sentimentos capazes de superar distâncias.

A ilha parece ter voz própria. Ontem é também um retrato da identidade açoriana contemporânea?
Embora se desenrole, na sua maior parte, em tempos passados, o Ontem é também um retrato da identidade açoriana contemporânea. Procurei dar a ver tradições, memórias e paisagens que ainda hoje vivem. Mas o mar transcende os Açores e o Ontem podia ser o retrato de muitas outras identidades. Sendo um livro sobre coragem e espera, fala de experiências universais de intimidade, de perda e de resistência.

Ontem

de Ana Oliveira Cardoso

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897356506
Editor: Letras Lavadas
Data de Lançamento: Janeiro de 2026
Idioma: Português
Dimensões: 150 x 236 x 16 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 176
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789897356506

Excelente

Paula

Uma delicia de leitura, dá-nos a conhecer a vida dos baleeiros nos Açores, um romance imperdível.

SOBRE O AUTOR

Ana Oliveira Cardoso

Nasceu em Ponta Delgada, São Miguel, Açores, em maio de 1982 e aí passou a infância e juventude, entre montes verdes, mar revolto e livros. Durante o ensino secundário começou a interessar-se pela escrita e decide trocar a ilha pela serra: frequentou o curso de Ciências da Comunicação na Universidade da Beira Interior, Covilhã. Volta aos Açores em 2005, onde faz o Mestrado em Gestão de Empresas (MBA) enquanto trabalha na área da Economia Solidária.

O desejo de voar e o amor levam-na de volta ao continente em 2011, desta vez ao norte. Adota e é adotada pelo Douro, que a inspira tanto como a sua ilha. Casada com o Luís e mãe da Lara e da Mariana, que são o seu mundo, é em 2023 que embarca na maior das viagens: escrever.

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