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Olho de Lince

A incrível história da família Malapata

de Álvaro Magalhães; Ilustração: David Pintor
Livro eBook
Editor: Porto Editora, junho de 2023 ‧
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Os Malapata são perseguidos pela má sorte, desde que uma feiticeira condenou a família a mil anos de azar. Seguiram-se sucessivas gerações de azarados, até que conseguiram transformar um colar da família num amuleto que os protegia da maldição: o Olho de Lince.
Mas o colar foi roubado, e a busca desesperada pelo Olho de Lince vai empurrar a família para situações impensáveis...
Se quiserem saber mais, perguntem ao gato preto da família, que aqui conta, à sua maneira, a incrível história da família Malapata.
Passagem Secreta é uma coleção de narrativas juvenis (muito bem) ilustradas que conta histórias aventurosas, de ação e humor, que agradarão a um leque muito alargado de leitores. Partindo de realidades quotidianas e abordando temas essenciais, como o amor, a morte, o bem e o mal, as histórias atravessam sempre a “passagem secreta” que conduz a realidades alternativas: mundos fantásticos, magia, espiritualidade, etc.
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Álvaro Magalhães: «A escrita é a única escola da escrita»

Álvaro Magalhães Com uma carreira que atravessa gerações e um universo literário que combina humor, filosofia e poesia, Álvaro Magalhães é uma das vozes mais singulares da literatura infantojuvenil portuguesa. Desde o primeiro livro, publicado em 1982, construiu uma obra que se move entre o real e o imaginário, sempre guiada pela curiosidade e pela busca da simplicidade, «não confundir com facilidade», como sublinha nesta entrevista que gentilmente concedeu ao wookacontece.
Quarenta anos depois, mantém o espanto e a urgência de inventar mundos. Nesta conversa, fala sobre o seu percurso, o processo criativo e o futuro da escrita num tempo em que, como lamenta, os livros já não são julgados pelo seu valor literário, mas pelo seu valor comercial.


Publicou o primeiro livro em 1982 e em 2022 celebrou 40 anos de vida literária. Como olha para esse percurso hoje e que mudanças o surpreendem mais no mundo literário desde que começou?
Olho para esses 40 anos como se fossem uma semana ou um mês. A paixão pela escrita e a necessidade de inventar são as mesmas do primeiro dia. Quanto às mudanças, foram algumas, a mais lamentável foi a seguinte: quando comecei, julgavam-se os livros pelo seu valor estético, literário, agora, julgam-se apenas pelo seu valor comercial.   «Quando comecei, julgavam-se os livros pelo seu valor estético, literário, agora, julgam-se apenas pelo seu valor comercial.» A originalidade e a invenção são características frequentemente referidas na sua obra. Como cultiva essas qualidades no processo criativo?
Inventar e escrever é para mim uma função natural, quase como respirar. Logo, estou em permanente estado de criação, mesmo que não esteja sentado à secretária, a trabalhar.

Há algum tema que ainda não tenha explorado e que gostaria de experimentar em futuros livros?
Os principais temas da minha literatura são o amor e a morte e a sua matéria misteriosa. Mas, como também descrevo a vida comum nalguns livros, essa descrição não evita temas, mesmo os mais sensíveis, acho que já tratei quase todos os temas possíveis. Já abordei alguns aspectos da I.A. num livro recente, mas gostaria de aprofundar esta reflexão, que é muito do nosso tempo. Muitas das suas obras integram o Plano Nacional de Leitura. Que impacto tem para si como autor saber que os seus livros fazem parte do currículo escolar e chegam a tantos jovens leitores?
Um escritor não existe se não tiver leitores, pois nós fazemos só metade do trabalho, a outra metade tem de ser feita por um leitor ou o livro não chegou verdadeiramente a existir. Logo, todos os mecanismos de angariação de leitores são preciosos.

A sua obra está publicada em países como Espanha, França, Brasil, Coreia do Sul e Itália. Que diferenças culturais ou reações dos leitores encontrou nesses contextos?
Só raramente consigo aceder a essas informações, as editoras, normalmente, não as prestam. Mas o alargamento do horizonte de leitores, essa diversidade de culturas, é muito importante para qualquer escritor.

Entre os seus livros mais recentes, como Malik e os Dinossauros ou a série O Estranhão, houve algum processo de escrita que o tenha marcado de forma especial?
Diria que não, mas no caso de Malik a excitação vem do facto de estar a inventar algo que poderia ter acontecido, no caso do Estranhão recupero o rapaz que fui quando tinha a idade do personagem. O Estranhão fui eu.

Em O Limpa-Palavras e Outros Poemas, que integrou a Lista de Honra do Prémio Hans Christian Andersen, como equilibra a dimensão poética com a necessidade de ser acessível a jovens leitores?
Como já expliquei antes, não faço esses cálculos etários, o que seria um constrangimento à liberdade livre que é o processo criativo. Mas é certo que busco sempre a simplicidade (não confundir, por favor, com facilidade), para alargar o mais possível o espectro etário dos futuros leitores.   «Como crio permanentemente, também eu estou em estado de criação, sou como uma criança. Uma criança grande.» Quando começa a escrever uma nova obra, o que costuma surgir em primeiro lugar: o género ou o tema?
Só começo a escrever depois de ter um esquema prévio montado, mas é claro que há um início e esse começa quase sempre pela aparição e definição dos personagens.

Como avalia o estado atual do mercado do livro infantojuvenil em Portugal? O que considera que está bem e o que ainda precisa de melhorar?
Não sou um especialista no mercado, apenas escrevo livros. Mas alegra-me saber que as vendas de livros infantojuvenis têm aumentado nos últimos anos. Considerando os tempos que correm e que são de forte desinvestimento na literatura e na cultura em geral, é uma bela notícia. Qual é o papel das ilustrações nos seus livros, sobretudo nos dirigidos a leitores mais novos? Como é a colaboração com os ilustradores?
A ilustração é a outra metade do livro, sobretudo nos livros para os mais novos. Os jovens deste tempo captam a realidade através do consumo de imagens. Como, frequentemente, a ilustração é mais do que isso, é uma manifestação artística complementar, não costumo interferir. Há casos em que nem chego a falar com os ilustradores.

Qual é o seu ritmo de escrita? Costuma escrever diariamente ou prefere períodos de trabalho intensivo alternados com pausas?
Como me dedico exclusivamente à escrita criativa há 40 anos, escrevo, podendo, todos os dias. Mesmo quando estou a fazer outra coisa qualquer estou em estado de criação, sempre a tratar mentalmente ideias. E como crio permanentemente, também eu estou em estado de criação, sou como uma criança. Uma criança grande.

Que leituras recentes, portuguesas ou estrangeiras, o têm inspirado, seja pelo estilo ou pelo conteúdo?
Todas as leituras são inspiradoras, umas mais do que outras, evidentemente. Para mim, livros como Alice no País das Maravilhas e basicamente toda a obra de Lewis Carrol, As aventuras de Joanica-Puff, de A.A. Milne, O Principesinho, de Éxupéry ou A Ilha do Tesouro, de R.L. Stevenson, entre outros, são autênticas bíblias, livros que nunca paro de ler, pois nunca cessam de dizer o que têm a dizer. Cada releitura é como se fosse a primeira leitura. No campo da literatura para adultos, sou um leitor compulsivo de poesia e um admirador da prosa de Stevenson, Herman Melville, Juan Rulfo, Ian McEwan, J. M. Coetzee, Philip Roth, também, entre muitos outros.

Existe alguma obra sua que considere ter sido menos compreendida pelos leitores?
Cada leitor compreende a obra à sua maneira, principalmente se se tratar de poesia. O escritor faz metade do trabalho, a outra metade cabe ao leitor. E nenhuma leitura vale mais do que outra. Logo, não faz muito sentido a queixa da incompreensão. É verdade que, por vezes, temos expectativas que não se cumprem e alegrias que não esperávamos, mas não é assim também na vida comum?

O que torna a série «O Estranhão» particularmente apelativa para os leitores mais jovens?
Penso que o segredo do sucesso entre os jovens daquela idade aproximada (11 anos) se deve ao facto de o personagem ser convincente e ser como qualquer um dos que vão ler as suas aventuras e desventuras. Os leitores identificam-se com ele, por um lado, e, por outro, apreciam a sua argúcia e os seus comentários e comportamentos.

Que conselho daria a um jovem autor que está a dar os primeiros passos na escrita e ainda não publicou?
Apenas posso aconselhar que escreva, escreva, escreva. Só se aprende a escrever escrevendo. A escrita é a única escola da escrita.

Quando relê os seus primeiros livros, que opinião tem deles hoje? Mudaria alguma coisa se os voltasse a escrever?
Se os voltasse a escrever, agora, seriam outros livros, por serem escritos por outra pessoa.

Que projeto ou ideia gostaria de concretizar num futuro próximo, que ainda não tenha saído do papel?
Sei que esse projecto quer existir, mas ainda não descobri qual é.

Olho de Lince

A incrível história da família Malapata

de Álvaro Magalhães; Ilustração: David Pintor

Propriedade Descrição
ISBN: 978-972-0-72968-2
Editor: Porto Editora
Data de Lançamento: junho de 2023
Idioma: Português
Dimensões: 150 x 211 x 21 mm
Encadernação: Capa dura
Páginas: 224
Tipo de produto: Livro
Coleção: Passagem secreta
Classificação Temática: Livros em Português > Infantis e Juvenis > Livros Infantis de Ficção > Infantil (6 a 10 anos)
EAN: 978972072968210
Idade Mínima Recomendada: Entre 8 e 12

A aventura viciante

Patrícia Ramos

O meu filho adorou este livro, não descansou enquanto não chegou ao fim. É uma obra graficamente apelativa e de leitura fácil.

SOBRE O AUTOR

Álvaro Magalhães

Álvaro Magalhães nasceu no Porto, em 1951, e publicou o seu primeiro livro em 1982, celebrando, em 2022, 40 anos de vida literária.
A sua obra para crianças e jovens, que integra poesia, conto, ficção e textos dramáticos, repartindo-se por mais de 120 títulos, caracteriza-se pela originalidade e invenção, quer na escolha dos temas quer no seu tratamento.
Foi várias vezes premiado pela Associação Portuguesa de Escritores e pelo Ministério da Cultura. Em 2002, O limpa-palavras e outros poemas foi integrado na honour list do Prémio Hans Christian Andersen, em 2004, Hipopóptimos – Uma história de amor foi distinguido com o Grande Prémio Calouste Gulbenkian e, em 2014, O senhor Pina recebeu o prémio Autores, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores ao melhor livro infantojuvenil publicado nesse ano.
Várias das suas publicações integram o Plano Nacional de Leitura. Parte da sua obra está publicada em Espanha, França, Brasil, Coreia do Sul e Itália.

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