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O Terceiro País

de Karina Sainz Borgo
Editor: Alfaguara Portugal, junho de 2023 ‧
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RECOMENDADO PELO PLANO NACIONAL DE LEITURA
Depois de Cai a Noite em Caracas — romance que catapultou Karina Sainz Borgo para um lugar cimeiro da literatura contemporânea —, O Terceiro País confirma uma escritora em pleno domínio da arte narrativa e da imaginação.

Angustias Romero e o marido fogem da peste, a caminho das montanhas e da ansiada segurança no país vizinho; levam, atados às costas, os dois filhos ainda bebés. À sua volta, apenas miséria, calor e poeira. Os gémeos não sobrevivem à viagem, e Angustias é abandonada pelo marido. Na fronteira, Angustias chega ao Terceiro País, um cemitério ilegal vigiado pela mítica Visitación Salazar. Contra a oposição dos barões da droga e da violência, a coveira garante aos sem-terra um último local de descanso.

É aqui que Angustias encontra finalmente lugar para os filhos. Determinada a ficar sempre perto deles, junta-se a Visitación na sua luta, num lugar onde a lei é ditada por quem empunha as armas, e o tempo é marcado pelas festas e os misteriosos brinquedos que alguém deixa na campa das duas crianças. O perigo e a violência ameaçam implodir a qualquer momento, esbatendo os limites entre a vida e a morte.

N’O Terceiro País, história poderosa de fuga e esperança, Karina Sainz Borgo mistura com mestria o mistério e a realidade, a tragédia clássica e a narrativa contemporânea, confirmando a sua pertença à vibrante nova geração literária latino-americana.
Ilustração Neve 640.png

Vem aí o Ano Novo: livros que mostram vidas novas

O ideal é ter uma vida plácida e ler sobre tumultos. Um dia-a-dia sem sobressaltos chega a ser desvalorizado. Mas um livro com sobressaltos vale muito. A Boneca Mãe e filha vão fazer um tranquilo passeio de barco, mas afinal não há tranquilidade para ninguém. De uma tarde que se queria normal – uma tarde como as outras, e relaxada –, fez-se outra coisa. Do barco, caía uma rede; da rede, veio uma boneca. Podia ser inócuo, mas aquilo metia medo ao susto. A mãe bem queria metê-la de novo na água, mas, para além de não ser boa ideia mandar lixo para a água, a filha pediu-lhe que a deixasse ficar com ela. Nessa noite, a mãe resolveu pôr uma fotografia da boneca nas redes sociais. E é aí que a vida acaba: de manhã, já a senhora estava morta e a boneca desaparecida. No caso, não é bem uma vida nova, é mesmo o fim da vida. Mas para a filha a vida passou a ser outra. Como isto é literatura nórdica, já se está mesmo a ver: os anos passam e, muito depois, importará ouvir a voz da criança, já não tão criança, sobre aquela noite. COMPRAR NA WOOK








  Mrs. March Coitada da Mrs. March. Está sossegada na vida dela a comprar pão de azeitonas, e é então que descobre que, de esposa, virou musa. O marido – e já se sabe como são os escritores – teria aproveitado a matéria doméstica para alimentar um livro, e eis então Mrs. March a fazer de personagem. Aqui entre nós, é coisa de que ninguém gosta, mas os escritores vampiros metem o dente onde podem e o pessoal que os rodeia que se amanhe. Com esta ideia, Virgínia Feito põe-se a fazer maravilhas, e a calma que havia dentro de uma casa vai sendo maculada por suspeitas e obsessões. Depois da vergonha da novidade, nem há como voltar de cara limpa à padaria. Se ela inspira aquela personagem, tudo é desonra e escárnio – como escárnio inspira a personagem do livro. COMPRAR NA WOOK O terceiro país Chega a peste e a vida conhecida vai ao ar. Angústias começa uma vida de aparente normalidade e lassidão: casa, tem dois filhos. Com a chegada da doença, a vida dá um mortal para trás. A família tem de fugir dali a todo o gás, procurando passar a fronteira. Mas, antes de consegui-lo, os bebés morrem e a mãe tem de enterrá-los. Depois dos filhos, o marido abandona-a. A família fica reduzida a cinzas e a uma lembrança. Em poucos meses, toda a vida conhecida deu para o torto, e o que vem dali é um livro aberto, uma mulher em luta com um futuro que virá – e qual será? Cabe-lhe andar mesmo sem saber para onde, fazer o luto pelos bebés mortos num ambiente agora soterrado por barões da droga e violência. COMPRAR NA WOOK A grande birra É uma vida nova porque é uma vida que existe há pouco tempo. O Jorge nasceu e agora há que lidar com a vida. O problema é que, quando a vida ainda sabe à calma de um útero, é mais difícil lidar com as frustrações, e é mais fácil ter um daqueles dias em que parece que só existir já dá para o torto. Portanto, claro que não: não queria portar-se bem, não queria emprestar os brinquedos, não conseguia nada, não queria nada, não nada e pronto. A mãe bem lhe disse que estava com uma grande birra. Ele procurou-a em todo o lado, até debaixo da cama – e, surpresa, nada de a ver. Depois lá apareceu, e juntos irritaram toda a gente. O miúdo, recém-existido, lá percebeu que estar sempre de mau-humor não era assim tão divertido. E a nova vida transformou-se em vida nova: resolveu antes ser amigo de toda a gente. COMPRAR NA WOOK

O Terceiro País

de Karina Sainz Borgo

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897848735
Editor: Alfaguara Portugal
Data de Lançamento: junho de 2023
Idioma: Português
Dimensões: 150 x 235 x 19 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 280
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789897848735

Intenso e simbólico sobre perda, exílio e sobrevivência

Jorge

O terceiro país, de Karina Sainz Borgo, é um romance intenso e simbólico sobre perda, exílio e sobrevivência. Com uma escrita densa e poética, a autora constrói um território de violência e abandono que funciona como metáfora das fronteiras físicas e emocionais. A força do livro está na atmosfera e na carga emocional. É uma leitura poderosa que eu gostei bastante.

Karina Sainz Borgo não desilude

Sara

É o segundo livro que leio de Karina Sainz Borgo e irei os próximos. A autora consegue transportar nos para os cenários que cria, até posso jurar que senti toda a poeira na minha própria pele. É um livro sobre luto, pobreza, irmandade, tudo misturado. Quando uma mãe perde os seus bebés no meio de uma fuga, fará tudo para lhes dar o descanso que merecem.

Romance de leitura rápida

Pedro Ferreira

Livro de leitura fácil. Uma história de uma crueza impressionante, onde não há meias palavras para descrever aquilo que é a vida de miséria, a condição de quem não tem nada. Faz refletir sobre a realidade de quem foge e procura por uma vida melhor sem saber se lá chegará...

Sociedade viciada

CM

Este é o meu segundo livro de Karina Sainz Borgo. À semelhança de "Cai a noite em Caracas", Borgo traz-nos o retrato da violência social. Entre o desespero e luta pela sobrevivência, esta é uma leitura angustiante, que nos conduz, de forma muito visual, pela crueldade e fuga humanas.

Impactante

Helena F.

Um livro belíssimo, com uma escrita simples mas impactante. Faz-nos mergulhar bem fundo na vida e na dor da personagem principal. É, sem dúvida, uma boa aposta para quem quiser conhecer a obra da autora.

Um livro poderoso.

Ler, um prazer adquirido

Talvez seja inesperado para quem nada leu de Karina Sainz Borgo mas após ler Caí a noite em Caracas tinha expectativas altas, e sabia que teria alguns abanões emocionais. Não errei. A sobrevivência em situações limite em que a fuga é a única saída possível numa distopia tão credível que não deixa o leitor indiferente. A violência, a exploração e a morte. As migrações desumanas. A crueldade. E a compaixão e a esperança. Não é um livro para qualquer um. Capítulos muito curtos para uma história que rapidamente avança como um feitiço. Angustias apenas pretende sepultur os seus gêmeos quando vai ao encontro de Visitación. E tudo gira em torno de um cemitério ilegal muito requisitado. Duas mulheres corajosas que afrontavam os poderosos interesses. Tremendo.

SOBRE O AUTOR

Karina Sainz Borgo

Karina Sainz Borgo nasceu em Caracas, na Venezuela, em 1982.
Além de escritora, é jornalista especializada em assuntos culturais.
Publicou livros jornalísticos sobre o seu país de origem e mantém o blogue Crónicas Barbitúricas.
O seu romance de estreia, Cai a noite em Caracas, foi muito aclamado pela crítica e pelos leitores: publicado em Portugal também pela Alfaguara, está editado em cerca de 30 países, tem os direitos vendidos para adaptação cinematográfica e venceu o Grand Prix de l’Héroïne Madame Figaro e o International Literary Prize.
Em 2019, a autora foi considerada pela revista Forbes uma das 100 pessoas mais criativas do ano.
O terceiro país é o seu segundo romance, estando já publicado em Espanha, Itália, Finlândia, Holanda, Alemanha, França, Estados Unidos e Brasil.

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